Esta página já teve 63.156.646 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 23.610 acessos diários
home | entre em contato
 

Medicina Esportiva/Atividade Física

Promoção da saúde mediante o aumento do nível de atividade física: a proposta do programa Agita São Paulo

24/03/2004

 

Victor K.R. Matsudo, Sandra MM Matsudo, Douglas Andrade, Timóteo Araújo, Erinaldo Andrade, Luis Carlos Oliveira e Gláucia Braggion.

Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul – CELAFISCS & Programa Agita São Paulo.

Revista Âmbito Medicina Esportiva  07/2001  p. 5-15

A cada ano, mais de 2 milhões de mortes são atribuídas à inatividade física em todo o mundo. Essas mortes são parte do incremento de enfermidades, incapacidades e mortes causadas pelas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como doenças cardiovasculares, cânceres e diabetes. Em 1988 só as DCNT foram estimadas por contribuir com quase 60% das mortes (31.7 milhões) no mundo. Baseado na tendência atual, para o ano 2020 é esperado que 73% das mortes sejam atribuídas às DCNT. A Inatividade física é um dos três pontos chaves dos fatores de risco relacionados ao estilo de vida (os outros seriam fumo e dieta). A importância da inatividade física como fator de risco é comparável ao fumo e dieta (WHO/CDC 2000).

1- Sedentarismo como Problema de Saúde Pública

a.Prevalência :

Estudos em diferentes países do mundo indicam que 70% da população é próxima de sedentária e 90% seria insuficientemente ativa. No Brasil, apesar da limitação dos levantamentos populacionais, os existentes apontam para índices semelhantes. Rego e colaboradores encontraram que quase 70% dos paulistanos poderiam ser considerados sedentários, sendo que entre os homens a prevalência seria de 57,3% e dentre as mulheres seria ainda mais grave: 80,2%, como pode ser observado no Quadro 1.

Quadro 1. Prevalência de alguns fatores de risco segundo sexo, 15 a 59 anos, Município de São Paulo, 1987.

 

 

FATORES DE RISCO

PREVALÊNCIA (%)

 

homens

mulheres

total

Hipertensão

31.0

14.4

22.3

Obesidade

14.2

21.4

18.0

Tabagismo

44.6

31.9

37.9

Alcoolismo

12.6

3.3

7.7

Sedentarismo

57.3

80.2

69.3

FONTE: Rego e cc: Revista Saúde Pública São Paulo, 24(4): 277-85. 1990

 

b- Prevalência relativa:

Outro fato que chama atenção no Quadro 1 é que a prevalência do sedentarismo é bem maior que a de outros fatores de risco, principalmente alguns como obesidade e hipertensão que tem recebido grande atenção das autoridades de saúde e dos meios de comunicação. A implicação deste achado é de que se os outros fatores de risco merecem campanhas e programas de intervenção, igual ou maior atenção mereceria o combate ao sedentarismo. Esta atitude se reforçaria ao pensarmos que além da prevalência "per se", o sedentarismo está entre os principais, senão o principal fator predisponente ao diabetes, hipertensão, hipercolesterolemia, obesidade e depressão, entre outros.

De acordo com dados mais recentes levantados pelo Programa Agita São Paulo em 2000 com 645 entrevistas domiciliares realizadas na região do ABC verificamos que o sedentarismo é mais prevalente no sexo masculino do que no feminino e por tanto a porcentagem de indivíduos ativos é também maior entre as mulheres do que entre os homens (Tabela 1). Quando analisados os dados de acrodo coma idade cronológica (Tabela 2) observamos que há um decréscimo na participação em atividades físicas vigorosas nos oindivíduos maiores de 50 anos de idade.

Tabela 1. Nível de atividade física moderada da população da região do ABC paulista por gênero no ano de 2000.

 AF Moderada 

Homens

Mulheres

 

f

%

f

%

Sedentário

182

57,1

104

31,9

Irregularmente Ativo

77

24,1

102

31,3

Ativo

60

18,8

120

36,8

Tabela 2. Porcentagem de indivíduos que cumprem com a nova recomendação de atividade física para população* em 1999 na Região do ABC-SP de acordo com a idade cronológica.

TIPO DE ATIVIDADE FÍSICA 

 

 
IDADE
18-29
30-49
>50
TOTAL
MODERADA
 25,3%
25%
23%
24,5% 
VIGOROSA
35,9%
15,1%
13,9%
19,4%
CAMINHADA
20,4%
20,4%
28,7%
23,1%
 

* realizam atividade física moderada e caminhada mais de 30 minutos por sessão e cinco ou mais vezes por semana e atividades vigorosas 3 vezes por semana e 20 min por sessão

c- Estilo de Vida e Mortalidade por Cardiopatias, AVC, Câncer e Geral

Os dados do Prof. William Haskell na Universidade de Stanford, depois confirmados e aprofundados pelo Prof. Ralph Paffembarger trabalhando na mesma universidade mas usando dados de ex-alunos da Universidade de Harvard e como pelo Dr. Steven Blair, trabalhando com dados de pacientes da Clínica Cooper em Dallas apontam para a importância do estilo de vida, onde a atividade física teria um papel preponderante, como fator mais importante de risco de morte que os fatores ambientais, de assistência médica e hereditários. Estilo de vida ativo seria responsável por 54% do risco de morte por cardiopatia, 50% do risco de morte por acidente vascular cerebral e de 37% nos casos de câncer; alcançando o espantoso índice 51% para qualquer causa morte por doenças não-transmissíveis.

d- O Custo Social do Sedentarismo:

Estudos de Berg, trabalhando com dados da Alemanha, apontam que naquele país o dispêndio nacional com o tratamento de moléstias ligadas ao estilo de vida já estaria alcançando quase 130 bilhões de marcos no ano de 1996, sendo que quase 80 bilhões estariam sendo gastos só com a atenção ao diabetes, doenças cardio-vasculares e câncer.

Baixos níveis de aptidão física têm sido relacionados com maiores índices de ausência ao trabalho. Análise baseada em 6.679 homens aparentemente normais, com 45 anos de idade média, demonstrou que o quartil de menor aptidão física utilizava mais consultas médicas, ficava mais noites internados em hospitais (210x 390/1000), representando uma redução de 63% dos custos médicos em internação e de 25% dos custos médicos em consultas médicas (Mitchell et al., 1999). O mesmo grupo (Earnest et al., 1999) encontrou resultados semelhantes em 6.630 homens aparentemente normais. Os do quartil inferior de aptidão física ficavam mais internados em hospital (10,3% x 5,6%) e passavam mais dias internados(1085/1000 x 653/1000). Desses pacientes, 2974 conseguiram ser avaliados em duas ocasiões. Aqueles que nas duas vezes ficaram na categoria de baixo fitness tinham mais internações (10,2%), do que aqueles que melhoravam de condição física (5,9%); ficando estes menos dias (197/1000) internados que aqueles (372/1000).

e- Custo do Sedentarismo em Relação a outros Fatores de Risco

Uma outra linha de evidência da necessidade de combate ao sedentarismo é a comparação do dispêndio financeiro com outros fatores de risco. Assim recentemente Pronk e cols. analisando 30.286 empregados de 298 empresas americanas observaram que dos 8822 questionários devolvidos mostravam que o custo de cuidados com a saúde era 8% (135 US dólares/ano) maior em obesos e de 10% (176 US dólares/ano) que os melhores padrões de aptidão física. Em recente encontro promovido pela Organização Mundial da Saúde em Asheville, pode-se constatar que as os custos do tratamento médico em virtude do sedentarismo pode variar de 2,4% na Holanda, sem uso de drogas, a 6% no Canadá e a 9% nos Estados Unidos do total do custo do setor de saúde. A economia em gastos com saúde per capita/ano em função da atividade física é estimada em 330 dólares, nos EUA. Alcança 360 dólares por pessoa/ano no Canadá, quando se inclui a economia pelo menor índice de absenteismo.

Os dados confirmam a importância de procurarmos desenvolver na população um estilo de vida mais ativo como instrumento valioso na melhora dos padrões de saúde. Por outro lado, em termos de saúde pública, um outro dado promissor é que trabalhos recentes demonstram que o impacto mais benéfico do exercício acontece quando é realizado em intensidade leve ou moderada. Essas afirmações trazem ainda um grande alento para aqueles que apresentam um estilo de vida sedentário, pois a mudança de hábitos mostrou ser fundamental para melhora dos índices do risco de morte como conseqüência de uma melhor qualidade de vida.

Algumas descobertas recentes têm demonstrado que estes benefícios podem ser também sentidos entre os indivíduos inicialmente sedentários ou incapacitados que se tornaram mais ativos. Estudos indicam uma influência positiva da atividade física no controle do peso corporal e melhora da distribuição da gordura corporal; mantendo uma vida independente e reduzindo o risco de quedas entre idosos; melhorando o humor; aliviando os sintomas de depressão e ansiedade; e elevando os padrões de saúde relacionados à qualidade de vida. Empresas que adotaram programas de atividade física no local de trabalho para seus funcionários mostraram uma redução nas ausência ao trabalho, redução nos custos médicos, aumento na produção e melhoria nos lucros da empresa.

A potencial relação entre movimento humano e saúde passou pelo inicial axioma "esporte é saúde", que foi progressivamente perdendo sentido na medida que o esporte competitivo está intimamente relacionado a macro-lesões, traumas psicológicos e sociais. Há três décadas evoluiu para o conceito de "fitness", onde se acreditava que através da prática de exercícios de 70% de intensidade, por 50-60min, 2 a 3 vezes por semana. No entanto, esta proposta embora melhor que a anterior em termos de saúde pública, mostrou algumas fragilidades, haja visto que em termos ortopédicos poderíamos dizer que passamos do macrotrauma dos esportes para o microtrauma das academias. Além disso, a proposta trouxe forte conotação coorporativista, pois associou a possibilidade de prática à exames médicos especiais, professores de educação física especializados, quando não à nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas esportivos, líquidos, agasalhos, tênis, enfim uma instrumentação que só ajudou a aumentar o número de sedentários da população.

Análises econômicas ajudam a apoiar a promoção de atividade física. Nos Estados Unidos um investimento de 1 dólar em atividade física (tempo e equipamento) resulta em uma economia de 3,2 dólares em economia nos custos médicos. Indivíduos fisicamente ativos economizam aproximadamente 500 dólares por ano em custos com a saúde, de acordo com dados de 1998. Empresas que promovem programas adequados de atividade física para empregadores resultou em benefícios econômicos por menos dias com doenças e menor custo médico (uso do sistema de saúde), bem como maior produtividade dos empregados. Na Austrália, para cada 1% de incremento no nível de atividade física de adultos, existe uma economia estimada de aproximadamente 7 milhões nos custos de potenciais tratamentos para ataque cardíaco, derrame, diabetes, câncer de cólon, câncer de mama e quadros depressivas (WHO/CDC 2000).

Nos últimos anos, um conjunto de trabalhos realizados em diferentes países e por diferentes centros de pesquisa propiciou que as principais autoridades desta área desenvolvessem um novo paradigma: a de que um estilo de vida ativo, ou a atividade física, estaria associado à promoção de saúde. Após diversas reuniões de consenso, se aprovou uma nova recomendação endossada pelo Center for Disease Control, CDC e American College of Sports Medicine, ACSM (Pate et al. 1995), e posteriormente pela Organização Mundial de Saúde, OMS (Blair et al., 1995), Federação Internacional de Medicina Esportiva (FIMS) e Conselho Internacional de Ciências do Esporte e Educação Física (ICSSPE), entre outras.

2-Recomendação Global

A recomendação geral advoga que " todo indivíduo deveria realizar pelo menos 30 minutos de atividade física, na maior parte dos dias da semana, se possível todos, de intensidade moderada, de forma contínua ou acumulada " (Pate et al., 1995); e foi incorporada pelo Surgeon General Report de 1996.

As Principais Mudanças de Paradigma

Esta nova proposta traz uma série de modificações em relação à anterior, das quais se destaca:

  1. o tempo requerido de atividade seria menor (30 x 50-60min);

  2. freqüência semanal seria maior (5 ou mais x 3 );

  3. a intensidade se seria menor (moderada x vigorosa); e

  4. poderia ser feito de forma continuada ou acumulada (talvez a mais original e também controvertida). 

No conjunto são mensagens que têm uma forte conotação de "inclusão ", ou seja, que facilita o acesso a grandes segmentos populacionais.

3- Atividade Física e Longevidade

3-1- Estudos Prospectivos com Comportamento Estável

Paffembarger e colaboradores da Universidade de Stanford mostraram que a mortalidade para todas as causas foi reduzida em 53% entre homens que praticavam esporte pelo menos 3 horas por semana, quando comparados aos que faziam menos de uma hora (Paffenbarger, Hyde, Wing & Hsieh, 1986). Com relação a atividades moderadas, os índices de mortalidade foram 33% menores entre homens que caminhavam 15 km ou mais por semana, quando comparadas aos que caminhavam menos de 5 km. Naquele artigo os autores demonstraram que homens ativos viveram em média 2 anos a mais que os sedentários.

Blair e colaboradores na Clínica Cooper em Dallas (1989) descobriram que os homens que se encontravam no quartil superior de aptidão física apresentavam um índice de mortalidade 71% menor que os do quartil com menores valores de aptidão física. Mesmo o grupo do quartil imediatamente superior ao pior, tinha um índice de mortalidade 60% inferior. No mesmo centro de pesquisa conseguiram acompanhar mulheres por longos períodos, viabilizando os primeiros dados naquele sexo, que apontaram para um índice de mortalidade 79% inferior no grupo com melhor aptidão física, quando comparado ao de menor. O grupo de mulheres no quartil imediatamente superior ao pior, apresentou um índice de mortalidade 48% inferior.

Em conjunto os achados dos grupos de Stanford e Dallas demonstraram de forma muito clara que melhores níveis de atividade física como também de aptidão física diminuíram o risco de morte tanto em homens como em mulheres.

3-2 Estudos Prospectivos com Mudança de Comportamento

Novamente foi o grupo de Stanford que primeiro analisou o efeito de mudança de comportamento em termos de atividade física no risco de mortalidade para qualquer causa. Em 1993, Paffenbarger, Hyde e colaboradores analisaram o nível de atividade física de 10000 homens em no anos 60 e novamente em 1977; assim como os índices de mortalidade em 1985. Comparados com homens inativos nas duas oportunidades, aqueles que permaneceram ativos tiveram um risco de morte 15% menor. Aqueles que eram ativos na primeira medida mas se tornaram inativos na segunda, aumentaram seu risco de morte em 10%. Homens que se tornaram ativos ganharam em média 0,72 anos de vida, comparados aos 1,46 daqueles que pararam de fumar. Foi interessante observar que esses ganhos em longevidade para aqueles que se tornaram mais ativos foram observado em todos os grupos etários, dos 45 aos 84 anos de idade.

Um estudo sueco (Lissner et al, 1996) com mais de 1000 mulheres revelou que aquelas que diminuíram atividade física tinham uma taxa de mortalidade 207% maior que aqueles que não mudaram seu nível de atividade física. Steven Blair, Harold Kohl e outros colegas do grupo de Dallas (1995) no seu estudo de fitness analisaram essa questão e observaram resultados semelhantes aos de estudos de atividade física. Homens que migraram do grupo "inapto" para o "apto" reduziram os índices de mortalidade em 44%, quando comparados aos homens que se mantiveram "inaptos" em ambas ocasiões.

Em termos de saúde pública e principalmente com relação a mensagem a ser utilizada em programas de intervenção, na quase totalidade dos estudos mencionados foi demonstrado que a maior parte dos ganhos aconteciam entre os grupos menos ativos ou menos apto em relação aos grupos imediatamente superiores em termos de atividade ou de aptidão física.

3-3 Sedentarismo em Comparação com outros Fatores de Risco

O grupo de Dallas tem dedicado grande atenção a comparação do sedentarismo com outros fatores de risco. Em 1996, Blair e colaboradores encontraram menor risco de morte para qualquer causa nos grupos com melhor aptidão física, mesmo se fumassem ou não, tivessem hipercolestorelemia ou não, hipertensão ou não, se estavam saudáveis ou não no começo do estudo. Tanto homens como mulheres nos grupos superiores de "fitness" tinham índices de mortalidade menores que os de pior aptidão física, mesmo se fossem mais obesos ou não; apresentassem hiperglicemia ou não; tivessem história familiar de doença cardíaca ou não (Blair, 1989).

3-4 Impacto Econômico da Atividade Física

Infelizmente a abordagem da atividade física esportiva não ocupa um espaço prioritário na agenda das autoridades públicas e privadas. E o que é pior, quando algum esforço nesse sentido, as lideranças políticas, administrativas e financeiras consideram a promoção da prática da atividade física esportiva como uma ação de benemerência; como item que deve ser colocado nos orçamentos com o rótulo de "a fundo perdido".

Uma mudança de mentalidade e atitude seria fundamental para a construção de uma sociedade mais sadia, no sentido mais amplo do termo. Seria de interesse lembrar que durante os anos 80 a indústria do "fitness" experimentou um "boom", que apesar do ligeiro decréscimo na década de 90 ainda representa um mercado extremamente alto.

Dados ingleses informam que: a- em 1993 foi estimado que as atividades relacionadas ao esporte alcançavam 5,8 bilhões de libras esterlinas, enquanto os empregos gerados eram de aproximadamente 500.000, excluindo os cargos de voluntários (Key Note Market, 1994) ); b- em 1992, o mercado de equipamento de "fitness" (incluindo cicloergômetros, halteres, esteiras e aparelho de musculação, entre outros) foi orçado em 112 milhões de libras esterlinas (MINTEL, 93); c- entre 1993-1994 foi estimado que na Inglaterra e País de Gales os centros esportivos obtiveram 175 milhões de libras esterlinas de mensalidades e cobranças de público(Key Note Market, 1994).

Na Inglaterra e País de Gales, para adultos de 15 a 44 anos, o custo de saúde médio anual por pessoa que se envolvia em programas de exercícios era de 30 libras esterlinas, enquanto o custo evitado por efeito de prevenção de doença pelo exercício era menor que 5 libras. No entanto, para pessoas de 45 anos ou mais, o custo era de menos de 10 libras, enquanto o custo evitado era de menos de 30 libras (Nicholl et al., 1994).

Estes dados são um forte argumento econômico em favor de programas de exercícios em adultos de 45 anos ou mais, mas não em jovens adultos. Tal fato se deveria porque adultos mais idosos se envolveriam em atividades com baixo risco de trauma (Nicholl et al., 1994).

Tem sido amplamente aceita a importância da promoção de estilo de vida ativo nas empresas; sendo este até um dos focos do Programa Agita São Paulo. Em termos de empresas, seria possível fazer economias financeiras através de programas de promoção de atividade física e fitness. As principais vantagens apresentadas são: a- diminuição de absenteísmo; b- aumento de produtividade; c- diminuição no custos médicos (Ontario Ministry of Tourism and Recreaction, 1991; Bly et al., 1986; Breslow et al., 1990).

Na indústria Du Pont, por exemplo, um amplo programa de promoção de saúde que incluia um esquema de fitness reduziu absenteismo. Em termos de relação custo-benefício, cada dólar investido propiciou um retorno de 2,05 dólares (Bertera, 1990). Uma revisão de iniciativas Norte-americanas revelou que o benefício financeiro total de um programa de fitness para a empresa seria de 513 dólares por trabalhador/ano (Shephard, 1986).

Embora tenhamos na literatura algumas revisões otimistas (Shephard, 1986); mais recentemente tem se colocado em cheque a eficácia dos programas "worksite" (Dishman, 1998). Um dos problemas mais sérios desses programas é a baixa aderência, ou seja, apenas uma minoria de empregados se exercitam no local de trabalho.

A relação custo-benefício de uma política mais ampla de transporte e meio ambiente ligada à promoção da atividade física foi calculada na Inglaterra, tomando o uso de bicicleta como critério. O custo total do transporte motorizado ao ambiente e à sociedade tem sido calculado (Cyclists’ Touring Club, 1993) como superior a 34 bilhões de libras esterlinas por ano, dos quais 14 bilhões é recuperado através de impostos sobre combustíveis e veículos. Por outro lado, somente 2,5% das locomoções de curta distância são feitas em bicicleta. Assim, a estimativa anual de economia no caso de que 20% desse transporte fosse feito em bicicleta seria de 1,3 bilhões de libras esterlinas por ano e de 4,6 bilhões se em 50% dessas locomoções se usasse bicicleta !

3-5 Experiências no Exterior

Por essa razão, alguns programas que tentam promover a saúde da população através de um estilo de vida mais ativo, adotaram essa mensagem. Os mais destacados são o Active for Life, na Inglaterra (Cavill, 1998) , o Active Australia (na Austrália) e mais recentemente o Physical Active and Nutrition, PAN, (nos Estados Unidos), além do pioneiro programa canadense, Active Living. Novos programas também estão se implantando na Holanda, Finlândia (Fit for Life), México (Proesa) e na Colômbia (Muevete), este último inspirado na experiência brasileira que passaremos a descrever.

3-6 Experiências no Brasil

Em nosso meio, após tentativas anteriores que usaram os velhos paradigmas como esporte (Esporte Para Todos) e o "fitness" (Mexa-se), surgiu o programa Agita São Paulo, que adotou esta nova mensagem e que agora foi oficialmente incorporado pelo Ministério da Saúde como o Programa “Agita Brasil”.

3-7 Experiência do Agita São Paulo

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo solicitou em 1995 ao Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul, CELAFISCS, que desenvolvesse um programa para promover saúde através da atividade física. Foram dois anos de preparação que incluiu assessoria do Center for Disease Control dos Estados Unidos, Health Education Authority da Inglaterra e do Institute for Aerobic Research de Dallas, Texas. O programa "Agita São Paulo" (Matsudo, 1997) foi lançado em Dezembro de 1996 com dois objetivos básicos: a- incrementar o conhecimento da população sobre os benefícios da atividade física e b- aumentar o envolvimento da população com a atividade física. A proposta consiste em elevar em um nível a atividade física de cada pessoa, em outras palavras: a- incentivar o sedentário a ser pelo menos um pouco ativo, b- o indivíduo pouco ativo se tornar ativo; c- este a ser muito ativo e d- e o muito ativo se manter neste nível. Apoiado nas novas recomendações mencionadas acima, o "Agita São Paulo" tem três alvos: os escolares (crianças e adolescentes) , os trabalhadores (colarinho branco e azul ) e os idosos.

O programa é sustentado por um grupo de assessores científicos e instituições parceiras. A estrutura envolve profissionais com vasta experiência em ciências do esporte, do nosso centro de pesquisa e das mais importantes universidades do país. Setenta instituições governamentais e não governamentais são representadas como participantes no Colegiado de Instituições, onde ações comunitárias e individuais são discutidas e o calendário geral dos eventos é preparado. Posters, flyers, manuais, slides e vídeos são desenvolvidos para educar o público em 23 tópicos relativos a atividade física e saúde enquanto que os meios de comunicação também fazem sua parte. Entre os mega eventos planejados estão o "Dia da Comunidade Ativo: Agita Galera !" (dia 30 de agosto) envolvendo aproximadamente sete milhões de crianças e adolescentes, bem como professores de escolas e seus pais, o "Dia do Trabalhador Ativo" e o "Dia do Idoso Ativo" (28 de Setembro).

Atenção especial tem sido dada ao diagnóstico do nível de atividade física da população alvo. Um questionário adaptado dos modelos internacionais foi aplicado antes do início do programa; e o mesmo será reaplicado durante diferentes fases da campanha para determinar alguma mudança no comportamento em relação a Atividade Física. O questionário foi planejado para detectar não apenas grandes mudanças, (ex: mudanças de sedentário para ativo), mas também mudanças de estágios de comportamento (ex.: envolvimento com exercícios ou reservar um período do dia para atividade física) que são considerados sinais importantes de evolução.

Uma outra preocupação seria melhorar a qualidade das aulas de educação física (Sallis and McKenzie, 1991), aumentando o tempo real de atividade física nas mesmas, revisar o curriculum de treinamento médico, bem como atualizar as atitudes dos profissionais da saúde. Em síntese a finalidade do programa é acrescentar atividade física como uma importante ferramenta para promoção de saúde e melhora da qualidade de vida.

3-8 Estratégias e Formatos

A Organização Mundial da Saúde tem recomendado o uso de parcerias como estratégia mais eficaz em programas de promoção de saúde. Esse tipo de "design" recebeu grande reforço na Conferência da OMS em Djacarta, em julho de 1997.

Decorridos quatro anos do lançamento do Programa Agita São Paulo (Programa Agita São Paulo, 1998), podemos constatar a eficácia dessa abordagem. A coordenação do programa procurou convidar instituições governamentais e não governamentais que representassem os segmentos mais importantes da comunidade, de forma a equilibrar as principais forças de impacto social. Assim, em termos governamentais, por iniciativa da Secretaria de Estado da Saúde do Estado de São Paulo, foram convidadas as secretarias de Educação e Esporte; e então progressivamente as secretarias de Ciência e Tecnologia, da Criança, Família e Bem Estar Social, do Trabalho, da Agricultura e da Justiça. Em termos universitários, procurou-se congregar as universidades e grupos de pesquisa mais proeminentes em termos de ciências do esporte. O mesmo cuidado foi tomado para agregar as entidades de classe (Federação da Indústria e do Comércio), associações médicas, clubes de serviço (Lions e Rotary) e indústrias (Ford e General Motors). Assim foi se constituindo um poderoso leque de sustentação que atualmente conta com 14O instituições parceiras.

Um outro cuidado que também foi tomado no programa Agita São Paulo, foi a elaboração de uma "Carta-compromisso" que cristalizava o apoio da instituição e não somente o ânimo pessoal de lideranças com o programa. Assim, a Carta São Paulo para Atividade Física e Saúde foi assinada pela maior autoridade de cada instituição parceira. A parceria precisa ser "ativa" e de "fato" nos dois sentidos. Não basta que a instituição parceira apoie, mas que essa ação seja adequadamente reconhecida pela coordenação do programa; procurando destacar o parceiro nos documentos e materiais de veiculação produzidos.

Uma outra meta importante é o desenvolvimento do senso de integração e de propriedade de cada um dos parceiros. No caso do programa Agita São Paulo, esse propósito foi buscado através da constituição de um Colegiado, que mensalmente se reúne para apresentar as principais ações realizadas, planejar as próximas, compartilhando preocupações e satisfações com os problemas e sucessos da intervenção.

4 - Avaliação dos Programas de Intervenção

A tendência contemporânea dos programas de intervenção é de estimular o conhecimento dos benefícios de um estilo de vida ativo. Assim, a divulgação dessa mensagem é fundamental para alcançar esse objetivo e nesse sentido a utilização dos meios de comunicação passa a ser fator crucial para o sucesso dos programas. De uma forma ou de outra, a mídia abre espaços para veiculação dos programas e por isso é importante que se avalie o impacto dessa estratégia. Para tanto, no programa Agita São Paulo, procura-se sistematizar a medida quantitativa e qualitativa das mensagens veiculadas em: a- publicações em revistas, boletins, jornais de grande e pequena circulação; b- programas de rádio; c- programas de TV; e outros instrumentos de mídia.

Com esse cuidado se consegue estimar totais ou segmentos da população alcançados pela mensagem, que é uma importante etapa no processo cognitivo, considerado importante principalmente para os estágios pré-contemplativo e contemplativo da teoria transteorética de mudança de comportamento (Prochaska, J.O., and Marcus, B., 1994; Marcus B et al., 1994; Dishman, R.K., 1988 e 1994). Por esta razão o Programa Agita São Paulo vem realizando um processo diagnóstico anual do impacto do programa em 1999 e 2000 (Tabela 3) na região do ABC, no interior e litoral do estado de São Paulo assim como na cidade de Belo Horizonte para verificar o impacto do programa na população determinando o reconhecimento do nome e da mensagem do programa. Os dados são bastante animadores pois em torno de 35% da população do estado reporta já ter escutado falar sobre o programa Agita São Paulo, valores que variam de 53% a 56% na população da região do ABC.

Tabela 3. Porcentagem de indivíduos da região do ABC, do estado de São Paulo, de cidades do interior do estado e do litoral e de Belo Horizonte que reportaram reconhecer  o nome e a mensagem do Programa Agita São Paulo em 1999 e 2000. 

 

Region do ABC 

Region do ABC 

Estado São Paulo

Interior São Paulo

Litoral São Paulo

Belo Horizonte - MG

Ano

1999

2000

2000

2000

2000

2000

n

641

645

2091

216

200

400

Reconhecem o nome

53,0

55,7

35,5

40,3

58,0

6,3

Reconhecem a mensagem

19,5

23,1

9,5

8,8

28,5

0,3

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1.   Agita São Paulo. Atividade física: Acumule 30 minutos por dia. CELAFISCS e Secretaria de Estado da Saúde, 1998.

2.   Andrade EL, Matsudo VK, Matsudo SM, Andrade DR, Araujo TL, Oliveira LC, Braggion GF, Raso V. Level of physical activity in adults, including and excluding walking, according to the knowledge of agita são paulo program. MSSE, 33(5): S179, 2001.

3.   Araújo, T.L.; Matsudo, S.M.M.; Matsudo, V.K.R.; Andrade, D.R.; Andrade, E.L.; Oliveira, L.C. & Braggion, G.F. Physical activity patterns among adults in a developing country. Pre – Olympic Congress – International Congress on Sport Science, Sport Medicine and Physical Education. Brisbane, Australia, 7-12 September, p. 153, 2000.

4.  Benaziza H, 1999. The WHO Global initiative on active living. Progress and Challenges. Geneva: World Health Organization

5.   Bertera, R. The effects of workplace health promotion on absenteeism and employment costs in a large industrial population. American Journal of Public Health 80: 1101-105, 1990.

6.   Blair, S.N., Booth, M., Gyarfas, I., Iwane, H., Marti, B., Matsudo, V., Morrow, M.S., Noakes, T., & Shephard, R. Development of public policy and physical activity initiatives internationally. Sports Medicine 21: 157-163, 1995.

7.   Blair, S.N., Kampert, J.B., Kohl, H.W., Barlow, C.E., Macera, C.A., Paffenbarger, R.S.,& Gibbons, L.W. Influences on cardiorespiratory fitness and other precursors on cardiovascular disease and all-cause mortality in men and women. Journal of the American Medical Association, 276:205-210, 1996.

8.   Blair, S.N., Kohl, H.W., Paffenbarger, R.S., Clark, D.G., Cooper, K.H., & Gibbons, L.W. Physical fitness and all-cause mortality: A prospective study of healthy men and women. Journal of the American Medical Association 262: 2395-2401, 1986.

9.   Bly, J. et al. Impact of worksite health promotion on health care costs and utilization: evaluation of the Johnson and Johnson’s Live for Life Program. Journal of American Medical Association 256: 3235-40, 1986.

10. Breslow, L. et al. Worksite health promotion: its evaluation and the Johnson and Johnson experience. Preventive Medicine 19: 13-21, 1990.

11. Caspersen, C.J. et al. Physical activity, exercise and fitness:definitions, and distinctions for health-related research. Public Health Reports 100:126-131, 1985.

12. Cavill, N. National campaigns to promote physical activity: Can they make a difference? International Journal of Obesity: 22 (suppl 2), S48-S51, 1998.

13. CDC/WHO Workshop on the economic benefits to physical activity/ Burden of physical inactivity. Asheville, North Carolina, july 1999.

14. Chartered Institute of Public Finance and Accoutancy. Quoted in: Key Note Market Review. Industry trends and forecasts. UK Sports market, Key Note: London, 1994.

15. Colditz GA. Economic costs of obesity and inactivity. Med. Sci. Sports Exerc 1999; 31 (11 supplement)

16. Cyclists’ Touring Club. Costing the benefits: the value od cycling. A report by Earth Resources Research. Godalming:CTC, 1993.

17. Dishman, R.K. (Ed.) Advances in exercise adherence. Champaaign, Il. Human Kinetics, 1988.

18. Dishman, R.K. (Ed.) Exercise adherence: its impact on public health. Champaign, IL. Human Kinetics, 1988.

19. Earnest C.P., Wei, M., and Mitchell, T.L. Effect of change in physical fitness onoverweight hospitalization. Med.Sci.Sports Exerc. 31(5): S124, 1999.

20. Key Note Market Review. Industry trends and forecasts. UK Sports Market, Key Note: London, 1994.

21. Lissner, L., Bengtsson, C., Bjorkelund, C., & Wedel, H. Physical activity levels and changes in relation to longevity: A prospective study of Swedish women. American Journal of Epidemiology 143: 54-62, 1996.

22.  Marcus, B.H, Pinto, B.M., Simkin, L.R., Audrain, J.E, and Taylor. E.R. Application of theoretical models to exercise beahvior among employed women. American Journal of Health Pormotion 9: 49-55, 1994.

23.  Matsudo, S.M.M.; Matsudo, V.K.R.; Araújo, T.L.; Andrade, D.R.; Andrade, E.L.; Oliveira, L.C. And Braggion, G.F. Impact of a physical activity promotion program on three different communities. Pre – Olympic Congress – International Congress on Sport Science, Sport Medicine and Physical Education, p. 482, 2000.

24.  Matsudo SMM, Matsudo VKR. Physical activity and aging: a perspective in developing countries. Perspectives, 2:10-17, 2000.

25.  Matsudo, V.K.R. Physical Activity: Passport for Health. World Health Report, 3 (may-june): 16-17, 1997.

26.  Matsudo,V.K.R.; Matsudo,S.M.M.; Andrade,D.R.; Andrade, E.L.; Araújo, T.L.; Figueira Jr. A. And Oliveira, L.C. Program of physical acitivity promotion in a mega community in Brazil. MSSE, 30(5): S202, 1998.

27. Matsudo VK, Andrade EL, Matsudo SM, Araujo TL, Andrade DR, Oliveira LC, Braggion GF, Raso V. moderate, vigorous, and walking messages adopting in a physical activity intervention program, as related to chronological age. MSSE, 33(5): S211, 2001.

28.  Mintel "Health and Fitness", Leisure Intelligence 4, 1993.

29.  Mitchell, J.T., Mitchell, T.L., Wei, M., and Earnest, C.P. Effects of physical fitness level on absenteism and healthcare utilization. Med. Sci. Sports Exerc. 31(5): S124, 1999.

30.  Nicholl, J. el at. Health and healthcare costs and benefits of exercise. PharmacoEconomics 5: 109-122, 1994.

31.  Oliveira, L.C.; Matsudo, S.M.M.; Matsudo, V.K.R.; Aráujo, T.L.; Andrade, D.R.; Andrade, E.L. And Braggion, G.F. Level of knowledge about a physical activity program according to socioeconomical level. Pre – Olympic Congress – International Congress on Sport Science, Sport Medicine and Physical Education. Brisbane, Australia, 7-12 September, p. 447, 2000.

32.  Ontario Ministry of Tourism and Recreation, Canda Life. Canada Life 10: corporate fitness ten years after. Ontario Ministry of Tourism and Recreation, 1991.

33.  Paffenbarger, R.S., Hyde, R.T., Wing, A .L., Lee, I., Jung,D.L.,& Kampert, J.B. The association of changes in physical-activity level and other lifestyle characteristics with mortality among men. New England Journal of Medicine, 328: 538-545, 1993.

34.  Paffenbarger, R.S., Hyde, R.T., Wing, A.L., & Hsieh, C-C. Physical activity, all-cause mortality, and longevity of college alumni. New England Journal of Medicine, 314: 605-613, 1986.

35.  Pate. R.R., Pratt, M., Blair, S.N., Haskell. W.L., Macera, C. A., Bouchard, C., Buchner, D., Ettinger, W., Heaath, G.W., King, A .,C., Kriska, A., Leon A .S., Marcus, B.H., Morris, J., Paffenbarger, R.S., Patrick, K., Pollock, M.L., Rippe, J.M., Sallis, J. & Wilmore, J.H. Physical activity and public health: A recommendation from the Centers for Disease Control and Prevention and the American College of Sports Medicine. Journal of the American Medical Association, 273: 402-407, 1995.

36.  Prochaska, J.O ., and Marcus, B.H. The transtheoretical model: applications to exercise. In: Dishman, R.K.(Ed.) Advances in exercise adherence. Champaign, Human Kinetics, 1994.

37.  Pronk, N.P., Tan, A.W.H., and O’Coonor, P. O . Obesity, fitness and helath cares costs. Med.Sci.Sports Exerc.31 (5): S66, 1999.

38.  Sallis, J.F. and McKenzie, T.L. Physical education’s role in public health. Research Quarterly for Exercise and Sport 62: 124-137, 1991.

39.  Shephard, R. Economic benefits of enhanced fitness. Champaign, Ill. Human Kinetics, 1986.

40.  WHO/CDC. Promoting physical activity: a best buy in public health, 2000.

 

www.agitasp.com.br


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos

Poítica de Privacidade