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Medicina Alternativa/Fitoterapia/Acupuntura

Espinheira Santa

09/11/2003


1. Histórico da Espinheira-Santa


A espinheira-santa cujo nome científico é Maytenus ilicifolia Reiss, pertence a família Celastraceae.
A espinheira-santa também é conhecida por diversos sinônimos, tais como: espinheira-divina, maiteno, salvavidas, sombra-de-touro, erva-cancerosa, congorça, cancerosa, cancorosa,e espinho-de-deus, e congorça
Originária do Brasil, medra espontaneamente desde Minas Gerais até o Rio grande do Sul, sendo também cultivada. Esta planta que se desenvolve melhor em climas mais amenos, tem sua reprodução garantida a partir de suas sementes.
A espinheira-santa é um arbusto de grande porte, de origem brasileira. A espinheira-santa tornou-se conhecida no mundo médico em 1922 quando o professor Aluízio França, da faculdade de medicina do Paraná, relatou o sucesso obtido com ela no tratamento da úlcera. Entretanto, muito antes disso a planta já era famosa na medicina popular por suas propriedades curativas, e não só no combate aos males do aparelho digestivo. Para se ter uma idéia, ela era utilizada como remédio antitumor entre os índios brasileiros; no Paraguai, a população rural a empregava como contraceptivo; e na Argentina, como antiasmático e anti-séptico.
A espinheira-santa (Maytenus ilicifolia) ganhou esse nome justamente pela aparência de suas folhas, que apresentam espinhos nas margens e por ser uma "santo remédio" para tratar vários problemas. Na medicina popular, a espinheira-santa é famosa no combate à úlcera e outros problemas estomacais. Ao que parece, a fama é merecida: na Universidade Estadual de Campinas (SP), farmacologistas analisaram a planta em ratos com úlcera e, segundo os pesquisadores, "nos que tomaram o seu extrato, o tamanho da lesão diminuiu muito rapidamente e, em comparação com os remédios convencionais, espinheira-santa provoca menos efeitos nocivos". A pesquisa prossegue, para determinar qual é o componente exato do vegetal responsável pelo efeito medicinal.
A espinheira-santa, além de indicada contra vários males do aparelho digestivo, era muito usada no passado pelos índios brasileiros com outra finalidade: eles usavam suas folhas no combate a tumores (esse uso pode ter gerado um dos seus nomes populares de erva-cancerosa).

As folhas, frescas ou secas, são utilizadas no preparo de infusões para uso interno e externo. O efeito cicatrizante também pode ser observado no tratamento de problemas da pele.
A espinheira-santa possui inúmeras propriedades terapêuticas conhecidas, tais como: analgésica, balsâmica, carminativa, anti-séptica, cicatrizante, diurética e estomáquica.

2. Mecanismo de ação da Espinheira-Santa


A espinheira-santa é uma planta medicinal com os seguintes usos etnofarmacológicos: carminativo, anti-séptico, levemente diurético e laxante; antitóxico, hepático e antitumoral.
Sua propriedade tonificante se deve à reintegração das funções estomacais por ela promovida. Provavelmente devido aos taninos presentes revela um potente efeito anti-úlcera gástrica. Esta ação ocorre principalmente pelo aumento do volume e pH do conteúdo gástrico. Tem ainda poder cicatrizante sobre a lesão ulcerosa. Pela sua ação anti-séptica paralisa rapidamente as fermentações gastrointestinais.
Certas hepatopatias têm como causa perturbações intestinais, nestas a espinheira-santa age corrigindo o funcionamento intestinal.
Nas gastralgia acalma rapidamente as dores não diminuindo a sensibilidade do órgão, mas estimulando ou corrigindo a função desviada.
Em estudo realizado pela UFMG, foi pesquisado o efeito da 4’- o- metil-epigalotequina extraída das folhas da espinheira-santa sobre a secreção gástrica de ácido induzida pela histamina. Os resultados confirmaram que os taninos da espinheira-santa reduzem a secreção basal de ácido clorídrico, assim como a secreção induzida por histamina. Em pesquisas sobre o efeito antiulceroso de frações hexânicas das folhas da espinheira-santa, verificou-se que a fração hexânica bruta na dose de 4mg/Kg foi efetiva em prevenir úlcera induzida por indometacina, semelhante ao efeito da cimetidina. Os triterpenos friedelina e friedelanol foram responsáveis por 50% da eficácia. Os princípios 4’-o-metil-epigalotequina e seu epímero 4’-o-metil-ent-galocatequina inibiram a secreção de ácido em mucosas gástricas isoladas de rãs de forma dose-dependente em concentração de 0,35mg%. Os flavonóides têm ação antiinflamatória.
Algumas das ações etnofarmacológicas da espinheira-santa já foram bem definidos através de estudos científicos. Em um estudo realizado na UFMG, em que se pesquisou o envolvimento da histamina no mecanismo de ação do extrato bruto da espinheira-santa, verificou-se que em mucosas gástricas de rãs isoladas e incubadas em câmara hiperbárica ou em câmara de Ussing com solução de Ringer, o extrato bruto da espinheira-santa (ES) na concentração 5,6mg% (na câmara hiperbárica) a 14mg% (na câmara de Ussing) reduz a secreção gástrica de H+; paralelamente, observou-se que o estrato bruto de ES também inibe a secreção estimulada pela histamina somente lado seroso da mucosa gástrica. A cimetidina (10?M) e o extrato bruto de ES (7mg%) isoladamente não inibiriam a secreção gástrica de H+ , no entanto quando foram associados, inibiram a secreção de H+ no lado seroso da mucosa gástrica. Os resultados sugerem que o extrato bruto de ES inibe a secreção de H + e que envolve a participação de mecanismos relacionados à histamina.

3. Indicações de uso da Espinheira-Santa


A espinheira-santa é indicada como fitoterápico que ajuda a normalizar as funções gastrointestinais, especialmente como protetor contra úlcera gástrica. Também nas gastralgia, dispesias e intestinos atônicos constipados.
A espinheira-santa tem ação tonificante, carminativa, cicatrizante, anti-séptica, levemente diurética, laxativa e anti-úlcera.

4. Contra-indicações


A espinheira-santa não deve ser administrada a crianças e nutrizes. Em mulheres que amamentam pode haver diminuição da secreção láctea.

5. Precauções


Apesar de raros, casos de hipersensibilidade podem ocorrer. Recomenda-se nestes casos descontinuar o uso e procurar orientação médica.

6. Comentários relacionados

Santa Espinheira!


Comece a conversar sobre os benefícios de uma planta medicinal. Pronto! Chovem histórias e, se o papo ultrapassa os cinco minutos e você demonstra algum conhecimento nessa área, prepare-se: o fuzilamento é inevitável. Todos querem, ao mesmo tempo, fórmulas mágicas e respostas rápidas e eficientes para todos os males existentes em casa, na família, na vizinhança e nos arredores. E não é bem assim que a banda toca, embora por aí, haja gente a beça vendendo saúde em três minutos e de “qualidade”. Foi de ouvir tantas vezes, de grupos tão adversos e de maneiras tão diferentes a mesma pergunta que chegamos a planta deste mês. “A gastrite do meu marido...”; “a úlcera que me acompanha há anos...”; “as minhas dores de estômago são algo mais...”; mamãe, coitada, tem uma hiperacidez...”; “minha família todinha sofre de úlcera gástrica!” Deu a louca no aparelho digestivo da espécie humana, meu Deus!!! Respiramos fundo e pensamos: só sendo santa mesmo para atender a tantos pedidos, né, espinheira? Pra selar de vez que era hora dela aparecer na Folha, descobrimos que bem próximo a nossa porteira há alguns exemplares dessa magnífica planta que , de tão temperamental que é, só nasce onde bem lhe convém. Tente transplantar uma mudinha para o seu jardim... Não vinga porque a Espinheira é santa mas é, também, selvagem e em seu habitat natural, aprende a se defender e, assim, produz os tais princípios ativos – terpenos, taninos, flavonóides, etc, etc...- que tanto bem promovem. Com elas na porta de casa, pudemos distribuir alívio quase em ritmo de pronta-entrega a todos aqueles que de tanto usar os pronomes possessivos acabam tornando-se sócios-
proprietários dos males.Lembra da “minha gastrite, minhas dores...”Daí, foi correr para os livros a fim de ampliar os conhecimentos sobre a Maytenus Ilicifolia que é o nome de batismo oficial. Famosa há séculos na medicina popular, a Espinheira Santa só veio a balançar o metier clássico a partir de 1922 quando um professor de Medicina do Paraná relatou, ainda espantado com suas “descobertas”, o sucesso obtido com ela no tratamento da úlcera gástrica. Além de aumentar o volume e o PH do conteúdo gástrico, ela tem poder cicatrizante sobre a mucosa ulcerada e alivia imediatamente a dor. Não é uma benção, diga lá? Normalizando as funções gástricas, a Espinheira ainda dá uma caminhada pelo organismo da gente, regularizando de forma bastante eficaz os intestinos constipados. No uso externo, em decocção (cozimento das folhas), é ótima para lavar úlceras e feridas, tendo excelente efeito cicatrizante. Não existem relatos de efeitos colaterais e a única recomendação preventiva é a de não administra-la a crianças e gestantes porque pode diminuir a secreção Láctea. Cuidado mesmo você só precisa ter na hora de colher a planta pois a folha da Espinheira Santa é cheia de pontas, bem finas que alfinetam a gente. Um lembrete: apesar de existir no mercado a tintura de Espinheira prontinha para o uso, sugerimos para quem já possui a sua úlcera, o uso e abuso do chá, em infusão (20g de folha seca para 1 litro de água, de 3 a 4 xícaras por dia), bem morninho. Seu aparelho digestivo doido de tanto stress e doído, dos nossos mínimos e múltiplos excessos gastronômicos, vai agradecer a escolha. Experimente!
Maria Maria

www.fitoterapicos.net


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