Medicina Esportiva/Atividade Física - Questionário internacional de atividade física (ipaq): estudo de validade e reprodutibilidade no brasil
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Medicina Esportiva/Atividade Física

Questionário internacional de atividade física (ipaq): estudo de validade e reprodutibilidade no brasil

24/03/2004

 

Sandra Matsudo, Timóteo Araújo, Victor Matsudo, Douglas Andrade, Erinaldo Andrade, Luis Carlos Oliveira, Glaucia Braggion

revista Brasileira de atividade física e Saude 6(2): 05-18,2001 

Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul
CELAFISCS & Programa Agita São Paulo
São Caetano do Sul - São Paulo

Endereço para correspondência

Sandra Marcela Matsudo,
R. Heloisa Pamplona 279 – B. Fundação –
São Caetano do Sul- SP – CEP: 09501-000
celafiscs@celafiscs.com.br

SEÇÃO ARTIGO ORIGINAL

RESUMO 

Este estudo é parte de um esforço internacional para validar um questionário internacional de atividade física  (IPAQ) proposto pela Organização Mundial de Saúde (1998), e que pretende servir como um instrumento mundial para determinar o nível de atividade física em nível populacional. O objetivo deste estudo foi determinar a validade do IPAQ em uma amostra de adultos brasileiros. A amostra foi constituída por 257 homens e mulheres que responderam o IPAQ (versão da última semana, formas curta e longa) no início do estudo e após 7 dias. Para validar o instrumento parte da amostra (n:28) usou o sensor de movimento Computer Science & Aplications (CSA). A reprodutibilidade do questionário foi determinada depois de 7 dias e a correlação de Spearman foi significante e alta (rho=0,69 – 0,71: p<.01). A  validade usando o CSA foi de 0,46 na forma longa e 0,75 na forma curta. Os resultados evidenciaram que as formas longa e curta são comparáveis e que os períodos de referência de semana usual e 7 últimos dias apresentam resultados similares. Concluímos que as formas de IPAQ foram aceitáveis e apresentaram resultados similares a outros instrumentos para medir nível de atividade física, no entanto pela primeira vez o estudo de validação diversos paises e culturas foram envolvidos na validação do instrumento.

Palavras-chave: validade, reprodutibilidade, questionário, atividade física

 

ABSTRACT

 

INTERNATIONAL PHYSICAL ACTIVITY QUESTIONNAIRE  (IPAQ): STUDY OF VALIDITY AND RELIABILITY IN BRAZIL

This study is part of an international effort to validate the international physical activity questionnaire (IPAQ) proposed by World Health Organization (1998), that would serve as a world instrument to determine physical activity at population level. The purpose of this study was to determine the validity of IPAQ instrument in a sample of Brazilian adults. Sample consisted of 257 men and women that answered the IPAQ (usual week version short and long forms) at the beginning of the study, and after 7 days. To validate the instrument part of the sample (n:28) used the Computer Science & Aplications (CSA) movements sensor. The reliability of the questionnaire was determined after 7 days and the Spearman correlation was significant and high (rho=.69 - .71: p<.01). The validity using the CSA was 0.46 for the long form and 0.75 for the short. Results evidenced that long and short forms were comparable and usual week and past 7 day reference periods performed similarly. It was concluded that IPAQ forms were similar and acceptable compared to other physical activity instruments but for the first time diverse countries and cultures were involved in the validation of the instrument.

Key words: Validity, reliability, questionnaire, physical activity

 

INTRODUÇÃO 

A associação entre a prática de atividade física e um melhor padrão de saúde tem sido relatada na literatura há muito tempo e aumentado na década atual (SKINNER, et al., 1966, CASPERSEN, et al., 1991, GORDON, et al., 1983, MATSUDO & MATSUDO, 2000). Esses estudos evidenciaram uma relação inversa entre o nível de  atividade  física e a mortalidade (PAFFENBARGER,  et al., 1991). No entanto, é possível perceber que poucos países têm incluindo o tema atividade física nos levantamentos epidemiológicos.

A atividade física pode ser considerada o melhor negócio em saúde pública, em virtude da economia direta que poderíamos alcançar com o combate ao sedentarismo. Atualmente temos mais de 2 milhões de mortes atribuídas a inatividade física a cada ano no mundo inteiro (CDC, 2001). A inatividade física não só está relacionada com doenças e morte, mas também com o alto custo econômico à sociedade. Em 1995 os Estados Unidos gastaram 24 bilhões de dólares (9,4% dos gastos totais com saúde) só com o sedentarismo. Com isso, podemos observar que com o aumento do nível de atividade física da população pode-se contribuir indiretamente para ganhos em outros setores vitais do desenvolvimento humano e o progresso econômico.

Por tudo isso, cada vez mais se torna importante determinar o nível de atividade física da população, cujos métodos podem ser agrupados em sete categorias com mais de 30 técnicas diferentes (MONTOYE, et al., 1996, THOMAS Jr & NELSON, 2001, NAHAS, 1995). A escolha de um ou outro método de mensuração da atividade física está relacionada com número de indivíduos a serem analisados, o custo e  a inclusão de diferentes idades.

Assim, podemos dividir os instrumentos em três tipos principais: a) os que utilizam informação fornecida pelas pessoas (questionários, entrevistas,  diários); b) os que utilizam indicadores fisiológicos (consumo de oxigênio, freqüência cardíaca); e c- os  sensores de movimento, que registram objetivamente certas características das atividades durante um período determinado (MATSUDO, 1996, WESTON, et al., 1997, KRISKA & CASPERSEN 1997).

Quando a preocupação for alcançar grandes grupos populacionais, instrumentos de precisão, fácil aplicação e de baixo custo são fundamentais. Muitos estudos têm sido desenvolvidos procurando validar estes tipos de instrumentos conhecidos, como questionários ou recordatórios. Vários estudos têm sido realizados para determinar o nível de AF em diferentes populações mediante o uso de questionários ou recordatórios. RIDDOCH (1990) utilizou um questionário de 7 dias para determinar o nível de atividade física, com crianças de 11 a 18 anos na Irlanda do Norte; enquanto PAFFENBARGER (1990) usou o mesmo período de sete dias para descrever nível de atividade física. Já SALLIS (1995) no projeto das “Five Cites” utilizou questionário e relatórios para quantificar nível de atividade física. BAECK (1982) criou um questionário de teste com 5 pontos de classificação para medir nível de atividade física; GORDON, et al., 1983 apresentaram um questionário com 3 ou 4 questões sobre atividade física; WASHBURN, et al., (1993) utilizaram um questionário para medir nível de atividade física em idosos referente em um período de três dias. BOUCHARD, et al., (1983) criaram um registro de gasto energético, em que se completa uma planilha com valores referentes às atividades exercidas, que se classifica de 1 a 9, a cada 15 minutos.

Todas essas propostas foram validadas com outros instrumentos que tinham  critérios de precisão (reprodutibilidade e objetividade) melhor definidos. Com essa finalidade foram utilizados para validação dados com índices de água marcada (NAHAS, 1995), sensores de movimentos como o Caltrac, o Tritac (SHERMAM, et al., 1998) e o Computer Science Application – CSA (TRIO & WILLIAMS, 1996, SIRARD, et al., 2000, ARAUJO, et al., 2000), instrumentos que não interferem no cotidiano do avaliado e têm custo médio-baixo. Os sensores de movimento são instrumentos pouco mais sofisticados, tendo assim restrições em estudos epidemiológicos por necessitarem de um investimento financeiro elevado e de cuidados e preocupações que poderiam influenciar nos resultados. Existem três sensores de movimentos mais conhecidos: o Tritac , o Caltrac e o CSA. O Tritac capta os movimentos em três planos, o que o faz mais preciso; o Caltrac registra os movimentos realizados em dois planos e o CSA, que é o mais novo dos sensores, registra os movimentos em apenas um determinado plano. Dos vários tipos de aparelhos eletrônicos, o CSA é aquele que apresenta a medida mais promissora por alcançar os níveis moderados de intensidade da atividade física (SIRARD, et al., 2000)

Todavia torna-se necessário estabelecer um método objetivo para a mensuração da atividade física para se estabelecer a extensão da relação entre a atividade física, a saúde e a doença. Encontramos na literatura mais de 30 diferentes técnicas para a determinação do nível de atividade física em adultos, mas esses diferentes métodos e consequentemente vários instrumentos não tem permitido a comparação dos resultados (gasto energético; quantidade e intensidade ou qualidade do movimentos, HENDELMAN 2000), principalmente quando estamos preocupados em analisar os dados de diferentes países.

DISHMAN & STEINHARDT (1994) citam, como requerimentos mínimos para um instrumento de coleta de informações sobre atividades físicas, a validade das medidas físicas realizadas, como também a não interferência com os padrões habituais de comportamento.

O Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) foi inicialmente proposto por um grupo de trabalho de pesquisadores durante uma reunião cientifica em Genebra, Suíça, em abril de 1998. Como parte da Organização Mundial da Saúde – Comitê Internacional em Atividade Física e Saúde, nosso centro (CELAFISCS) foi um dos 12 selecionados pelo mundo (Austrália, Canadá, Finlândia, Guatemala, Itália, Japão, Portugal, África do Sul, Suécia, Inglaterra e Estados Unidos), apontado como parte da força tarefa para desenvolver o IPAQ assim como para ajudar outros centros da América Latina, já que exerce um importante ponto na liderança ICSSPE, para países em desenvolvimento.

O propósito do grupo do IPAQ foi desenvolver e avaliar a validade e reprodutibilidade de um instrumento de medida do nível de atividade física possível de ter um uso internacional o que permitirá a possibilidade de realizar um levantamento mundial da prevalência de atividade física no mundo. Muito pouco é conhecido sobre os hábitos de atividade física de pessoas que vivem em países em desenvolvimento, embora isto possa ser razoavelmente especulado que a AF no tempo livre seja realizada em pequenas proporções na atividade total. Foram analisados no total oito formas do questionário dependendo da forma de aplicação (auto-aplicação, entrevista por telefone), a forma do questionário (longa ou curta) e o critério de atividade física (semana usual, última semana).

O objetivo do presente estudo foi determinar a validade e reprodutibilidade do questionário internacional de atividade física (IPAQ-versão 8) em uma amostra de sujeitos brasileiros.

SUJEITOS E MÉTODOS

Sujeitos

O Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul – CELAFISCS - iniciou o processo de validação do questionário internacional de atividade física (IPAQ) em 1998. No entanto, para análise final foram convidados apenas os dados coletados a partir de 2000, utilizando-se as versões curta e longa do questionário, aplicadas em forma de auto-aplicação, correspondente a semana usual ou habitual do indivíduo. Os questionários foram distribuídos entre grupos de indivíduos voluntários, maiores de 12 anos de idade, de ambos os sexos, das cidades de São Paulo, São Caetano do Sul e Santo André, de diferentes profissões, graus de escolaridade e níveis sócio-econômicos. Foram considerados para esta análise os questionários respondidos de forma completa e seguindo os protocolos que serão descritos a seguir, totalizando assim 257 sujeitos, dos quais 28 utilizaram durante uma semana um sensor de movimento utilizado na validação do questionário. As características da amostra indicando gênero, idade, grau de escolaridade, estado de saúde e local estão descritos na Tabela 1.

Protocolos de Validação e Reprodutibilidade do Questionário

Foram desenvolvidos três protocolos diferentes de pesquisa:

1.   Reprodutibilidade: as formas curta e longa do IPAQ foram respondidas pelos mesmos sujeitos em duas visitas: inicial (visita 1) e final (visita 2), após um intervalo de no mínimo três e no máximo dez dias. A variável usada para análise foi a atividade física total (AFT) em METs.min-1 e uma análise separada do tempo total sentado.

2.   Validade simultânea: foram comparadas as duas formas do IPAQ aplicadas ao mesmo tempo (curta e longa). A atividade física total (AFT) em METs.min-1 da forma longa foi comparada com a AFT da forma curta.

3.   Validade de critério: comparando cada forma do IPAQ com uma medida objetiva de atividade física  neste caso o monitor CSA. Na visita 1 os sujeitos foram orientados a responder as duas formas do IPAQ e treinados a usarem o CSA durante um período de 7 dias. Na visita 2 (após 7 dias), o CSA foi retirado e os sujeitos responderam novamente as duas formas do IPAQ. Os arquivos com os dados coletados do CSA foram enviados via e-mail para análise em um centro da  Suécia, designado para realizar o processamento mundial dos dados. O critério usado foi a Atividade Física Total versus o CSA total (counts/ tempo registrado). 

Análise dos Dados: 

1.   Cada categoria tinha as variáveis dias/semana, horas/semana e minutos/semana. Os dados que não continham alguma ou nenhuma das respostas foram considerados como perdidos e codificados como “0”.

2.   Na forma longa, considerando as atividades relacionadas ao trabalho, os sujeitos que indicaram que não trabalhavam, ou recusaram a responder a pergunta, não tiveram seus dados considerados.

3.   Os dados da forma longa foram somados para cada domínio de atividade (trabalho, transporte, casa/jardim, lazer e sentado). Os totais de cada domínio foram somados e assim calculado o total de toda a atividade física  em minutos por semana (Atividade Física Total).

4.   O gasto energético foi calculado considerando os minutos por semana para cada atividade estimado em METS, utilizando o compêndio de AINSWORTH (2000). As atividades vigorosas variaram de 5,5 a 8 METS e as moderadas de 3,3 a 4 METS.

5.   A análise do relato da velocidade da caminhada e de pedalar considerou três níveis: vigorosa, moderada e lenta. Uma análise adicional foi realizada excluindo a velocidade lenta (2,5 MET).

6.   Para determinar a porcentagem da amostra que realizava atividade física dentro da recomendação atual (pelo menos 30 minutos por dia, na maior parte dos dias da semana), foi calculada para a análise a somatória de pelo menos 150 minutos por semana de atividade física de intensidade pelo menos moderada. Para atividade física vigorosa o critério foi de pelo menos 3 sessões de 20 minutos por semana.

Análise Estatística

Devido a natureza não paramétrica, os dados foram analisados utilizando os  coeficientes de correlação não paramétrica de Spearman (r). Foram também utilizadas as correlações intra-classe (CIC) excluindo os “outliers” ou seja aqueles indivíduos em que as diferenças de escores foram maiores ou iguais a dois desvios padrão em relação à média. Os dados em categorias foram analisados para determinação da porcentagem de concordância (Média Correta de Classificação) e ao coeficiente Kappa. Adotando-se o nível de significância de p< 0,05.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Os dados demográficos da amostra estão descritos na Tabela 1. A amostra foi bem similar quanto a faixa etária, proporção de homens e mulheres, sendo a maioria adultos e com o grau de educação provavelmente superior ao da média nacional.

INSERIR Tabela 1.

INSERIR Tabela 2.  

As formas curta e longa do IPAQ apresentaram reprodutibilidade similar, com a maioria dos coeficientes de correlação variando de moderada a alta (Tabela 2). O fato de excluir a atividade física relacionada ao trabalho na forma longa não afetou o coeficiente de reprodutibilidade. Da mesma forma não foi afetada pela exclusão da velocidade lenta na realização das atividades como caminhar e pedalar. A reprodutibilidade das atividades físicas vigorosas foi geralmente melhor do que a das atividades físicas moderadas (não apresentado na tabela). O relato das atividades sentadas teve menor reprodutibilidade do que a atividade física nas formas curta e longa. A exclusão dos “outliers” melhorou a reprodutibilidade: os coeficientes intra-classe (CIC) foram maiores que os de Spearman (aproximadamente menos de 5% dos casos foram excluídos devido as grandes diferenças entre as aplicações).

Inserir Tabela 3.  

Comparando as formas curta e longa do IPAQ (Tabela 3 e 4), os dados evidenciaram que as duas apresentam coeficientes de concordância similares independente também, segundo os dados dos outros centros (MARSHALL e BAUMAN, 2001),  da forma de aplicação e do período de referência. O efeito da aprendizagem foi evidente, pois houve maior concordância na segunda visita do que na primeira. A exclusão das atividades no trabalho e de velocidade lenta não aumentou o coeficiente de concordância entre as formas curta e longa. 

Inserir Tabela 4.  

Inserir Tabela 5.  

Analisando a validade do questionário com o uso dos monitores de CSA (Tabela 5), os coeficientes apresentaram valores baixos à moderados tanto para a forma curta quanto longa. Os dados das atividades físicas vigorosas não foram melhores do que a atividade física total quando comprados aos dados do CSA. Usando a velocidade, para definir os METs e/ou para excluir a velocidade lenta, não melhorou os coeficientes. O tempo de atividades sentado comparado com os counts do CSA apresentou novamente correlações baixas à moderadas. No entanto é importante lembrar que a precisão do CSA diminui quando as atividades diminuem a menos de 4,8 km/hora.

O critério de corte de 150  minutos por semana usado para classificar o nível recomendado de atividade física evidenciou que a maioria estava em uma faixa de ativo para muito ativo, até porque a série histórica era composta por pessoas fisicamente ativas Por outro lado, as porcentagens de concordância foram altas.

Para investigar a possibilidade de exclusão de uma das perguntas relacionadas as atividades sentadas foram analisados os resultados do tempo em minutos por semana durante os dias de semana e de final de semana (Tabela 6). A média de tempo sentado durante a semana e final de semana foi bastante similar entre os grupos, mas os dados mostraram somente correlações moderadas.

Inserir Tabela 6.

Limitações 

Dentre os problemas que surgiram durante a realização do estudo de validade e reprodutibilidade que poderiam ter interferido nos resultados encontrados pode-se citar:

a.   A amostra foi selecionada por conveniência, não sendo representativa da população brasileira como um todo (total).

b. Alguns apresentaram problemas técnicos durante seu uso, fato que diminuiu o número de dados válidos para a análise.

c. Alguns questionários tiveram que ser desconsiderados para a análise de reprodutibilidade por ultrapassar o tempo de 10 dias

d. Houve uma dificuldade de interpretação de algumas perguntas do questionário, especialmente identificar o que significa uma semana usual ou normal, diferenciar as atividades físicas vigorosas das moderadas e a caminhada como meio de transporte, assim como na forma longa as atividades físicas realizadas no trabalho e em casa.

e. Dificuldade da maioria dos sujeitos em estimar e quantificar em freqüência e duração as sessões de pelo menos 10 minutos de atividade contínua.

f. Os exemplos de atividades físicas moderadas e vigorosas, embora fossem adaptados da versão original em inglês, geraram em alguns casos confusão ou foram insuficientes para a possibilidade de opções.

g. Em alguns casos, as atividades sentadas foram difíceis de serem quantificadas.

h. Alguns sujeitos tenderam a pular algumas questões ou dar respostas contraditórias.

i. O tempo de resposta das versões curtas variou no nosso estudo de 3 a 5 minutos e da versão longa de 8 a 20 minutos.

j. Houve dificuldade em estimar a velocidade de andar e pedalar nas três velocidades dadas (vigorosa, moderada e lenta) e por conseguinte foram excluídas da versão final apresentada em anexo.

CONCLUSÕES

 

1.    O questionário internacional de atividade física (IPAQ) parece ter validade e reprodutibilidade similares a de outros instrumentos utilizados internacionalmente para medir nível de atividade física

2.    Parecem não existir diferenças importantes entre as formas de entrevista (por telefone) e auto-aplicáveis, que tem implicação em termos de economia de custos, particularmente quando se considerar sua utilização em regiões menos desenvolvidas. Também não existiram diferenças entre as formas que consideram o nível de atividade física da semana usual, normal ou da última semana.

3.    As formas curta e longa apresentaram resultados de validade e reprodutibilidade similares.

Desta forma concluímos que o questionário internacional de atividade física é um instrumento com coeficientes de validade e reprodutibilidade similares a de outros instrumentos, com a vantagem de sua forma curta ser prática, rápida e possibilitar levantamentos de grandes grupos populacionais tanto na forma curta, como na forma longa, representando uma ótima alternativa para comparações internacionais.

Em função de todas as etapas alcançadas pelo grupo de trabalho, reforçamos ainda algumas recomendações:

1.    Para países em desenvolvimento, as formas auto-aplicáveis parecem ser mais úteis do que as entrevistas pessoais ou por telefone.

2.    A forma curta é geralmente melhor aceita pelos participantes, sendo que a forma longa se torna repetitiva e cansativa para responder. A forma curta foi recomendada para os estudos nacionais de prevalência e de possibilidade de comparação internacional.

3.    Não utilizar as questões de velocidade de andar e pedalar pois não aumentam os coeficientes de reprodutibilidade nem validade

4.    As atividades sentadas devem ser perguntadas preferencialmente durante a semana pois são mais representativas nesses dias do que no final de semana (esta seria opcional).

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