Receitas Kasher/Cozinha Judaica - Judaísmo e a preceitos Ecológicos
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Receitas Kasher/Cozinha Judaica

Judaísmo e a preceitos Ecológicos

05/06/2004

 

 

 

 

Conhecemos um povo, seus  costumes e hábitos, através das leis que regem sua  vida em sociedade,assim como pela forma como funciona sua justiça.

 No judaísmo,  a complacência divina depende da moral e do comportamento do    homem e uma das formas de punir e recompensar o homem é através   da natureza. Assim, par a par com as leis ambientais que vigoram atualmente    no mundo inteiro, existem as normas ambientais de origem divina contidas  não apenas na Tora, como também nos diversos livros do Tanach.

            Uma pesquisa no Tanach e no Talmud mostra vários preceitos ambientais contidos no judaísmo. A ecologia e normas ambientais são temas aparentemente modernos, mas rememoram a Tora. Está escrito no Deuteronômio: “não se desprezem os dias da antiguidade e tampouco os anos das gerações vindouras”. No livro Sagrado podemos encontrar, de modo abrangente, leis contemporâneas sobre o meio ambiente.

 

Origem das leis ambientais

 

            Já no início da Tora encontramos noções ambientais, como a preservação das espécies animais e a diversidade biológica. De forma precursora Noé antes do Dilúvio, cumprindo a ordem divina, com o objetivo de preservar as espécies animais, leva para a Arca sete casais de cada espécie de animais puros e dois casais de cada espécie de animais impuros.

            No judaísmo os animais puros são aqueles permitidos para o consumo do homem, isto é, kasher. De forma geral pode sevir como alimento para o homem, todo animal de casco fendido, que tenha a unha separada em dois   de cima até embaixo e que rumine, tendo estas características o animal é   considerado kasher. Cabe acrescentar que os animais kasher  não são carnívoros, e por conseqüência são menos agressivos. 

 

Quanto aos peixes podem ser consumidos desde que tenham barbatanas e escamas. As aves, a Tora especifica as impuras. São elas:   águia, quebrantosso, águia do mar, abutre, corvo, avestruz, coruja,  gaivota, gavião, mocho, íbis, vampiro, pelicano, porfirião, corvo-marinho, cegonha, garça, galo montês e o morcego.  Também todo animal que morreu por si ou que foi dilacerado é  proibido para  o consumo.        

 Somente a partir de Noé, D’us permite o consumo de carne, até então o homem era vegetariano. O homem pode comer carne de animal kasher, desde que respeite a  proibição de retirar e comer membro de um animal vivo ou seu sangue. Maimônides explica que esta atitude desenvolve hábitos cruéis no homem. Portanto, esta proibição serve para que o homem não seja cruel com os animais e também não desenvolva hábitos cruéis.

Também, se deve matar os animais conforme a lei. O homem deve degolar o animal através do ritual que se denomina shechita. A vida do animal é retirada, sem dor e sofrimento e ele não pode receber maus-tratos. De acordo com a religião judaica, esse método está baseado no princípio da prevenção à crueldade dos animais e do máximo respeito para com os mesmos. É proibido, por exemplo, o abate de um animal na frente de outro que ainda esteja vivo.

 

Através do ornamento no Deuteronômio XXII: 6, aprendemos a respeitar a dor e o sofrimento do animal. Ensina-nos este versículo que não devemos tomar passarinhos ou ovos na árvore ou ninho, quando a mãe estiver sobre ele. Devemos deixar que a mãe se vá livremente. A recompensa para o cumprimento desta norma é o prolongamento dos dias daquele que se deparar com esta situação.

 

Segundo Maimônides, o amor e o carinho de uma mãe por seus filhos não são produto da razão, mas sim de outra faculdade existente na maioria dos seres vivos. No mesmo sentido, a proibição de colocar pássaros sobre ovos que não são seus. Nas sete leis universais do Código de Maimônides, a sexta preceitua o respeito às criaturas e proíbe a crueldade com os animais.

 

            Com relação à preocupação com o lixo, na Arca de Noé aparece o primeiro registro. Um andar inteiro era reservado para depósito  a fim de evitar a poluição das águas. É encontrada também a preocupação com  o deposito de excremento, em Deuteronômio XXIII: “e um lugar terás   para ti, fora do acampamento, e ali sairás fora; e uma estaca terá para ti,  entre os objetos de teu uso, e quando te abaixares lá fora, com ela cavarás, e volvendo-te cobrirás o que defecastes”. Ainda mais, Maimônides, em seu livro Comentário da Mishná recomendava   que carcaças de animais, túmulos e curtumes deveriam estar no mínimo a cinqüenta cúbitos de uma cidade.

            Encontramos na Tora a noção intuitiva de impacto ambiental. Tal ocorre quando Abraão roga a  Lot para que se estabeleça em direção oposta à sua, pois estavam ambos  muito carregados em gado e em conseqüência não podiam dividir a mesma terra. Também encontramos comentários sobre prevenir danos ao meio ambiente, mesmo em caso de guerra, o corte de árvores frutíferas foi proibido pelo Humash:

            “Quando sitiares uma cidade por muitos dias pelejando contra ela tomar, não destruirás o seu arvoredo metendo nele o machado, porque dele comerás”.

            De modo geral, qualquer destruição gratuita é proibida. Todo aquele que sem necessidade, quebrar um recipiente, destruir ou queimar estará desobedecendo à proibição “não destruirás”. O Código de Leis Judaicas proíbe que se desperdice dinheiro, jogue fora comida ou bebida que não esteja estragada.

 

            Nos estudo do texto bíblico encontramos lições relativas proteção dos animais: Não amarrarás a boca do boi quando estiver debulhando. A Tora está preocupada com o bem-estar de todos os animais, sendo que, neste caso, amarrar a boca de um animal é uma atitude bastante perversa. O Talmud Babilônico nos proíbe de comer antes de ter dado comida aos nossos animais. De outra forma, está estabelecido que não se pode amarrar as pernas de um boi ou de um pássaro. Existe também o ordenamento que proíbe animais de diferentes espécies lavrarem conjuntamente, pois cada animal tem um passo e uma natureza.

 

 

            Na legislação judaica não há dúvida quanto a concessão divina dada ao homem em relação à terra e os animais, mas esta não foi dada de maneira irrestrita e incondicional, o homem reina, mas sob a égide de princípios.

             Rabi Shimon bar Yochai, tem uma   parábola que exemplifica a interdependência dos atos humanos: 

            Certa vez vários homens se  puseram ao mar. Num momento de lazer e leviandade, um dos  passageiros começou a fazer um buraco no fundo do barco no lugar   em que estava sentado.- “Que está fazendo?” - gritou um dos   seus companheiros de viagem alarmado.- “Que interessa a você saber o que estou fazendo?” - respondeu o homem. “Não estou  fazendo um buraco onde você está sentado, e sim sob o meu assento!” – “Pode ser sob seu lugar, responderam os outros. Mas a água  encherá o bote, ele vai afundar. E todos nós nos afogaremos!”

                                                                                                                                  Lucy Chermont

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