Psiquiatria e Psicologia - Psicoses
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Psiquiatria e Psicologia

Psicoses

12/06/2004

 

 

Psicose designa um transtorno mental profundo em que, basicamente, são falseadas as relações do sujeito com o mundo exterior. Mas, além das relações com os outros estarem prejudicadas, a pessoa tem problemas de entendimento de seus pensamentos, sentimentos e emoções. Normalmente, ela não tem consciência do seu desajustamento e muito menos de suas causas. Assim, ela se isola, o que nos leva a entender suas reações como defesas para manter vivo o organismo.

Em 1966, o Webster’s dictionary (vol. II, p. 1833) definia assim o termo psicose: “Profunda desorganização mental, da personalidade ou do comportamento que resulta de uma incapacidade do indivíduo para tolerar as exigências do seu meio social, seja por causa da enormidade do stress que lhe é imposto, seja devido à sua inadequação ou debilidade adquirida de seu organismo, especialmente do seu sistema nervoso central, ou, ainda, à combinação desses fatores, que podem se manifestar por transtornos da percepção, do pensamento ou do afeto...”

Há pouco mais de 50 anos, as psicoses eram divididas em orgânicas---por condições médicas ou relacionadas a substâncias (drogas psicoativas e fármacos) --- e funcionais – sem uma base orgânica observável que explicasse os transtornos da percepção, da memória, do pensamento e da afetividade. Estas eram tidas como padrões comportamentais aprendidos, mas, paradoxalmente, chamadas de doenças mentais. Estavam classificadas em 3 grupos: esquizofrenia, paranóia (hoje, transtorno delirante) e maníaco-depressiva (hoje, transtorno do humor).

Sobre as causas (etiologia) das psicoses que não tinham base orgânica observável, a Psiquiatria e a Psicologia há meio século se perguntavam: “São elas causadas por obscuras lesões ou por disfunções de uma ou mais glândulas endócrinas? São hereditárias? Estão relacionadas com o desenvolvimento do organismo? Há uma psique (mente) com seus dinamismos próprios funcionando independentemente do corpo? São os fatores do ambiente causas fundamentais? São as frustrações das necessidades pessoais a principal fonte dos transtornos comportamentais?” (Herbert A. Carroll, Mental Hygiene. New York: Prentice Hall, 1947, p. 177.) 

Por essa época, admitia-se que os resultados de pesquisas para apontar a hereditariedade como causa principal dos transtornos acima citados estavam longe de ser conclusivos. Dizia Carroll, na sua obra citada: “Nunca foi demonstrado que um complexo transtorno comportamental, como a esquizofrenia, é transmitido na base mendeliana de acordo com o princípio de gens dominantes e recessivos” (p.178). Da mesma forma, o tipo de organismo não era visto como o responsável pelos transtornos psicóticos, como aventara Kretschmer: o tipo gordo (pícnico) tenderia à maníaco-depressiva e o atlético e o magro (leptossomático), à esquizofrenia. Os cuidados, a educação e os exemplos dos pais, para muitos estudiosos, teriam maior peso que a hereditariedade. Nascer e se desenvolver num lar de pais psicóticos ou neuróticos é estar predisposto a ter uma personalidade mal integrada. E, finalmente, para alguns psicólogos e sociólogos, o lar, a escola e a sociedade em geral, insistindo na competição, ambição e sucesso das crianças e jovens, estariam continuamente criando um bom número de pessoas mentalmente desequilibradas e desajustadas em seu meio social.

Carroll afirmava em sua obra: “O problema da etiologia das psicoses funcionais não está totalmente resolvido”(p.182). Pouco mais de 50 anos depois, nos perguntamos: já foi? A resposta virá num artigo sobre a esquizofrenia.

Lannoy Dorin*

www.lannoydorin.hpg.ig.com.br


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