Quais são os riscos para a saúde e o meio ambiente?
O encontro internacional realizado no Parlamento Europeu em Luxemburgo, em janeiro de 1999, a respeito do uso de amálgama e metais pesados, foi um sucesso. Mais de 250 pessoas participaram do evento, inclusive representantes de governos, dentistas, clínicos gerais, bem como associações de pacientes de vários países europeus e a mídia européia.
Os metais pesados — cádmio, mercúrio, chumbo — são conhecidos como tóxicos há muito tempo. Sua capacidade de se acumular na cadeia alimentar torna a disseminação no meio ambiente um fato preocupante. Os envenenamentos por mercúrio em Minamata (Japão), em 1954, e no Iraque, em 1972, são tragicamente famosos.
Durante mais de 150 anos, a amálgama tem sido utilizada pelos dentistas como material para preencher cáries. Esta amálgama contém aproximadamente 50% de mercúrio. Há vários anos a pesquisa médica tem demonstrado que esse mercúrio é liberado na cavidade oral sob forma de vapor e pode ser absorvido por vários tecidos humanos.
O encontro em Luxemburgo permitiu a confrontação entre cientistas, dentistas, pacientes e autoridades da saúde pública no que diz respeito à magnitude do problema enfrentado pelos indivíduos com amálgama nos dentes enfrentam.
Numerosos estudos apresentados em Luxemburgo confirmam as crescentes preocupações
· Um número significativo de pessoas sofre com a presença de amálgama na boca (reações alérgicas, problemas no sistema nervoso central, lesão dos sistemas imunológico e hormonal);
· Fetos são particularmente susceptíveis, pois o mercúrio atravessa a placenta e se acumula nos órgãos da criança;
· Os efeitos crônicos em células, membranas e enzimas do organismo são difíceis de quantificar e requerem análises específicas geralmente omitidas;
· Os problemas do eletrogalvanismo provocado pela presença de vários metais na boca são fatores agravantes.
Além disso, enfatizou-se a quantidade insuficiente de dados disponíveis sobre as alternativas para o amálgama. Outros materiais dentários ( metais ou plásticos ) podem causar fenômenos e até mesmo reações auto-imunes cujos efeitos negativos não se comparam, em freqüência e magnitude, aos efeitos da amálgama.
Baseados nas várias apresentações realizadas em Luxemburgo e na literatura científica disponível, os organizadores do encontro consideram que, como prevenção, é preciso revisar as práticas atuais em todos os países. Veja também o site http://www.heavymetalbulletin.com
Iniciativas já foram realizadas, principalmente na Suécia e na Alemanha. Em 1998, o governo sueco decidiu suspender o reembolso do uso de amálgama para 1999 e prever a proibição total para 2001. Em 1997, a Alemanha chegou a contra-indicar oficialmente o uso de amálgama a menores de 6 anos, gestantes e lactantes bem como a pacientes com problemas renais.
Os organizadores do encontro no Parlamento Europeu defenderam a eliminação programada do uso de amálgama no tratamento de dentes, visto que os riscos comprovados são suficientemente graves para a população. Eles consideram que o primeiro passo a ser dado pelas autoridades de saúde deve ser a divulgação de uma lista rigorosa de contra-indicações.
Contra-indicações técnicas
· Limitação rigorosa do número de obturações com amálgama na boca;
· Nenhuma obturação de amálgama em contato direto com outros metais dentro da boca
· Nenhum mercúrio para o tratamento de canal ou na colocação de coroas.
Contra-indicações preventivas
· Crianças e jovens com menos de 16 anos;
· Mulheres grávidas e em idade de engravidar;
· Pessoas com problemas renais;
· Pessoas com predisposição genética para doenças do sistema auto-imunológico.
Os organizadores lançaram um apelo para que se cuide das pessoas que sofrem de envenenamento por metais. Elas precisam ter suas obturações de amálgama removidas e passar por um tratamento eficaz de desintoxicação.
Advertência do fabricante de amálgama
Um importante fabricante de amálgama dental, Dentsply/Caulk, colocou a seguinte advertência no seu site
< www.caulk.com >
Contra-indicações O uso de amálgama é contra-indicado:
· Em contato proximal ou oclusal com restaurações de metais diferentes
· Em pacientes com deficiência renal grave
· Em pacientes com alergia a amálgama conhecida
· Para preenchimento retrógrado ou endodôntico
· Como material de preenchimento para coroas moldadas
· Em crianças até 6 anos de idade
· Em mulheres grávidas
Advertência sobre efeitos colaterais
· Exposição ao mercúrio pode causar irritação na pele, nos olhos, no trato respiratório e nas mucosas. Em alguns casos, foram observadas reações de hipersensibilidade, alergia ou reações eletroquímicas locais.
· O mercúrio também pode afetar a pele, os pulmões e pode ser uma nefrotoxina e neurotoxina.
· Após a colocação ou remoção de restaurações de amálgama, há um aumento temporário da concentração de mercúrio no sangue e na urina.
· O mercúrio pode causar efeito galvânico se entrar em contato com outras restaurações de metal. Se os sintomas persistirem, a amálgama deve ser substituída por um material diferente.
· A remoção de restaurações de amálgama clinicamente aceitas deve ser evitada para diminuir a exposição ao mercúrio, principalmente nas mulheres grávidas.
Precauções
· O número de restaurações de amálgama em cada paciente deve ser o menor possível.
· A inalação de vapores de mercúrio pode ser evitada pelos profissionais da área se manusearem corretamente a amálgama, usarem máscara e tiverem ventilação adequada no local de trabalho.
· Evitar contato com a pele e usar luvas e óculos de segurança.
· Guardar restos de amálgama em embalagens seladas. Seguir as diretrizes oficiais para descartar o material.
O fabricante também adverte que a inalação de vapor de mercúrio durante um longo período pode causar mercurialismo, que é caracterizado por tremores e eretismo.
O fato da indústria ter colocado esta informação na Internet, à disposição do público leigo e profissional, teve um impacto vital sobre vários aspectos da controvérsia a respeito da segurança das obturações de amálgama.