Tóxicos/Intoxicações - Intoxicação por drogas
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Tóxicos/Intoxicações

Intoxicação por drogas

16/06/2004
 

 

 

 

ATENDIMENTO DE URGÊNCIA

 

         Nesta situação é importante avaliar três variáveis:

v    O USUÁRIO: personalidade, fisiologia, motivação para o uso da droga, expectativa quanto ao efeito, medo, etc.

v    O CENÁRIO: se o local é seguro ou ameaçador, estranho ou familiar, acolhedor ou apertado, tranqüilo ou agitado, quente ou frio, barulhento ou quieto, o que está ocorrendo em volta, hora do dia, etc.

v    A DROGA: tipo de droga, quantidade, quantas vezes foi usada, como foi administrada (fumada, aspirada, ingerida, injetada), se já era usada antes, durante quanto tempo, grau de pureza da droga, se misturou algo com a droga, etc.

 

Apenas quando a somatória desses três fatores é negativa, a pessoa necessitará de ajuda. O socorrista, quando for atender, pode ser de grande ajuda:

·        Sendo tranquilizador, não ameaçador;

·        Colocando a pessoa em lugar calmo, não barulhento;

·        Mantendo a temperatura agradável;

·        Interferindo de forma valiosa na modificação do hábito de usar drogas;

·        Explicando para o usuário os efeitos ocorridos;

·        Explicando os efeitos da droga.

 

 

TRATAMENTO DA VÍTIMA DE SUPERDOSE

 

         A vítima de superdose de droga pode ser tratada de dois modos: pelos sintomas  apresentados e pelo tratamento específico de acordo com a  droga usada.

 

 

TRATAMENTO PELOS SINTOMAS

 

         Tratar de um usuário de drogas pelo sintoma não é diferente de tratar de uma vítima não drogada. Inicialmente devemos observar a maneira como ele respira, pulso, pressão sangüínea e temperatura. Importante também observar indicativos neurológicos incluindo itens como nível de consciência, coordenação, linguagem e anormalidade dos olhos; observe se os olhos estão “virados”, opacos, contraídos ou dilatados. Pupilas desiguais nunca são causadas por drogas (pensar em lesão cerebral). A vítima relacionada com drogas pode exibir vários sintomas que requeiram atendimento de urgência, se necessário, ressuscitação cardio-pulmonar. Também poderão estar presentes: choque, hiperventilação, inconsciência, convulsões, choque anafilático e reações alérgicas. A vítima deve ser tratada como qualquer outra pessoa com estes sintomas.

         Adicionalmente, vítimas relacionadas com drogas podem ter pânico e reações de ansiedade. É importante manter a calma e falar lentamente. Tranqüilize a vítima. Explique que a busca de ajuda foi correta. Use o nome da pessoa. Fale apenas frases simples. Seja sincero e compreensivo, e não tente ser conselheiro. Não faça julgamentos. Não se apavore; mesmo que tenha cometido um erro, mantenha a segurança. Não faça brincadeiras e não tenha reações súbitas. Lembre-se, a pessoa pode mesmo estar em pânico.

 

 

TRATAMENTO DE ACORDO COM A DROGA TOMADA

 

         Após o tratamento da vítima relacionada com drogas de acordo com os sintomas, e se for evidente o tipo de droga usada, trate-a de acordo com a droga específica.

 

 

CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS

 

1.    DEPRESSORAS: Benzodiazepínicos (tranqüilizantes, indutores ao sono, etc.); Barbitúricos (anestésicos, sedativos, anti-convulsivantes, etc.); Ópio e derivados (morfina, heroína, codeína de alguns xaropes, etc.).

 

2.    ESTIMULANTES: Anfetaminas (inibidores do apetite); Nicotina (cigarro); Cafeína (café, chá, etc.); Efedrina (descongestionantes); Atropina.

 

3.    DESPERSONALIZANTES: Euforizante (cocaína, etc.); Deprimentes (álcool, inalantes, etc.); Alucinantes (maconha, haxixe, LSD, cogumelo, etc.)

 

1.    DEPRESSORES

Embora legalmente prescritos por médicos, ocorrem com certa freqüência os abusos e intoxicações. É importante lembrar que muitas vezes as medicações são adquiridas nas ruas através de “passadores” e podem estas ser adulteradas.

São depressores os barbitúricos, tranqüilizantes e derivados do ópio.

EFEITOS DO ABUSO – sonolência, apatia, língua enrolada, embriaguês sem hálito, depressão, confusão, desorientação, falta de coordenação, tremores, irritabilidade, agressividade, variação de humor, falta de memória, vertigens, atenção e reflexos diminuidos, náuseas e vômitos.

 

RISCOS DO ABUSO – perda de peso, irritabilidade, confusão, tremores, respiração superficial, pele fria, úmida e escamosa, pupilas dilatadas, pulso descompassado, impotência, esterilidade, coma.

 

EFEITOS DA FALTA – ansiedade, insônia, tremores, convulsões, “delirium tremens”, delírio, alucinações, parada cardíaca e respiratória, dores abdominais e musculares.

 

SUPERDOSE – a vítima pode parecer desorientada, confusa, sonolenta e possivelmente agressiva. Diminuição da pressão sangüínea; respiração e freqüência de pulso lentas e/ou irregulares, reflexos diminuidos ou ausentes, fala desconexa e vagarosa, olhos vidrados com reação lenta para a luz, pele pálida e seca, vômitos. Semiconsciência ou inconsciência, depressão respiratória, coceira na pele, nariz escorrendo, pele cianótica.

 

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA – depois de tratar a vítima pelos sintomas, se o droga foi tomada oralmente, dilua com vários copos de água ou leite, induzindo ao vômito e dilua outra vez com água ou leite. Mantenha a pessoa de lado para evitar aspiração se houver deterioração. Pode haver a necessidade de auxílio com oxigênio, pois a evolução pode ser rápida; evite que a pessoa durma. Mantenha as vias aéreas livres. Permaneça com a pessoa acordada e falando. Pode-se colocá-la em posição fetal, para evitar risco de aspiração. Nunca dê café ou outro psicoestimulante, pois drogas estimulantes e depressoras não se neutralizam, e sim apresentará efeitos de ambas, sendo mais prejudicial do que uma delas sozinha.

 

2. ESTIMULANTES

Esta categoria inclui uma variedade de substâncias usadas para diminuir o apetite, combater a fadiga e o cansaço, e geralmente fazem o indivíduo sentir-se “alto”. De uso legal ou ilegal, fazem parte de um grande consumo por usuários de drogas.

São estimulantes de anfetaminas, cafeína, nicotina, efedrina, atropina, etc.

EFEITOS DO ABUSO – excitação, anorexia, insônia, inquietação, confusão mental, agressividade, boca seca, dilatação de pupilas, alucinações, convulsões, visão embaraçada, liberação das inibições, paranóia,  descontrole verbal e fadiga.

 

RISCOS DO ABUSO – respiração superficial, depressão, agitação psicomotora, tremores, convulsões, paranóia, alucinações, perda de peso, parada cardíaca.

EFEITOS DA FALTA – apatia, sono prolongado, irritabilidade, depressão, delírio, desorientação, alucinações, agressividade, tendências suicidas, surto psicótico.

 

SUPERDOSE – embora não seja muito freqüente, mas em tais circunstâncias pode ocorrer ansiedade, paranóia e pânico, desmaios e perda de consciência, confusão e alucinações, com possível agressividade; respiração rápida, pulso rápido e irregular, tensão muscular, cefaléia, boca seca, olhos normais ou dilatados, hipertermia, pressão sangüínea elevada, tremores, convulsão, pele quente, úmida e avermelhada, taquicardia; colapso circulatório e morte.

 

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA – se a ingestão foi via oral, dilua com muitos copos de água ou leite, induza ao vômito, dilua novamente com água ou leite. Diminua os fatores estimulantes do ambiente diminuindo a luz ou ruído; tente manter a vítima imóvel, evite assustá-la, mantenha monitorização dos dados vitais. Em raros casos a temperatura se eleva a níveis preocupantes; se necessário medique sintomaticamente. Não fique temeroso ou agressivo, mesmo que a vítima apresente tais sintomas. Use a força apenas em último recurso. Encorage a pessoa a ingerir líquidos; observação e cuidado com vômitos e aspiração. Quando necessário poder-se-á utilizar benzodiapinicos (opção pelo clorbiazepóxido 25 a 100mg) e/ou clorprozima 25 a 100mg podendo usar até 300mg.

O tabaco, embora produza efeitos do abuso (excitação, enorexia, tremores finos, distração e relaxamento); apresente riscos do abuso (complicações respiratórias, cardio-vasculares, gastro-intestinais e neurológicas); apresente sintomas de falta (ansiedade, nervosismo, irritabilidade, tremores, aumento do apetite, insônia, sensações desagradáveis e mau estar, dificuldades nas atividades intelectuais, etc.); não apresenta riscos de super dosagem, quando fumando.

 

3. DESPERSONALIZANTES

3.1. EUFORIZANTE - Cocaína

 

EFEITOS DO ABUSO – perda do apetite, insônia, excitação, hiperatividade, irritabilidade, agressividade, idéias delirantes paranóides, palidez acentuada, dilatação das pupilas, despersonalização, alucinações (dependendo da dose), sensação de aumento de energia, hipertemia, cefaléia, hipertensão, destruição do septo nasal, hemorragia nasal e gengiva, corisa.

 

RISCOS DO ABUSO – hiperatividade, irritabilidade, convulsões, hipertensão, taquicardia, depressão respiratória, parada respiratória, infecções por contaminação (AIDS), psicose paranóide.

EFEITOS DA FALTA – apatia, depressão, desorientação, delírio, ansiedade, insônia, ou sono prolongado.

SUPERDOSAGEM – ansiedade, paranóide e pânico, desmaios e inconsciência, convulsões e alucinações, agressividade, depressão e parada respiratória.

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA – diminua os fatores estimulantes do ambiente, mantenha monitorização dos dados vitais; tente manter a pessoa imóvel, diminua os ruídos e a luz. Faça hidratação via oral, se possível. Tente manter-se e a vítima tranqüilos. Faça a tranqüilização, conversando com a pessoa; use medicação apenas quando necessário; use a força apenas em último caso. Faça a avaliação sistêmica e trate sintomaticamente as conseqüências. Quando necessário, a utilização de benzoazipínico (clordiazapóxido 25 a 100mg, podendo chegar a 300mg) e/ou clorpromazida 25 a 100mg, podendo chegar a 300 mg. 

 

3.2. DEPRIMENTES – Álcool, inalantes (cola, loló, lança-perfume, etc.)

 

3.2.1 ÁLCOOL

EMBRIAGUEZ – Intoxicação Alcoólica Aguda

Há relação entre a quantidade de álcool ingerido e o comportamento da pessoa. Esta relação pode ser influenciada por diversos fatores, tais como idade, peso corporal, situação alimentar, tolerância individual, padrão de consumo anterior, uso associado de outras drogas, etc.

Quando os efeitos do álcool tornam-se mais intensos, caracteriza-se a embriaguez, com mudança de comportamento.

EFEITOS DO ABUSO – mudanças de comportamento, diminuição do julgamento, euforia, depressão, labilidade emocional, irritabilidade, falta de coordenação motora, diminuição de reflexos, impulsividade, diminuição do nível de consciência, agressividade, náuseas e vômitos.

RISCOS DO ABUSO – emagrecimento, alterações gastrointestinais, dores musculares, disfunção sexual, alterações cardiovasculares, convulsões, contusões, alterações neurológicas.

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA – avaliação de outras alterações orgânicas, presença de fraturas, uso associado de outras drogas, e, nos casos de alteração de consciência, lembrar de hipoglicemia e traumatismo craneoencefálico. Não há medicação de utilização clínica que acelere o metabolismo do álcool ou que alivie os sintomas de embriaguez. A intoxicação leve e moderada não necessita tratamento especial; quando apresenta quadros de agitação ou agressividade, são indicados benzodiapínicos, sem fazer narcose, clordiazepóxico 25 a 100 mg, podendo chegar a 300 mg; se necessário sedação, haloperidol intramuscular de 30/30 minutos, até o efeito desejado.

 

Em  casos de coma alcoólico:

-         lavagem gástrica;

-         manutenção do dados vitais;

-         oxigenação;

-         correção do desequilíbrio hidreletrolítico;

-         administração de glicose a 50% EV e tiamina IM;

-         suporte ventilatório mecânico, se necessário;

-         hemodiálise, se a alcoolemia por superior a 500mg / 100ml.

 

ALCOOLISMO – Intoxicação Alcoólica Crônica

Geralmente, a dependência ao álcool é negada pelo paciente, que não admite beber demais, e atribui esse fato a problemas morais, sociais ou aos “nervos”, afirmando: “bebo e paro quando quero”. A dependência, muitas vezes é negada também pela família, que julga o alcoolista como alguém com problemas morais, fraco, sem-vergonha, mau caráter, mas não um doente.

O profissional de saúde deve estar atento, em todos os casos que consultar, podendo encontrar pessoas abstêmicas, bebedores moderados, bebedores-problema e dependentes. Deve-se pensar em alcoolismo quando ocorrer:

-         Hálito alcoólico na consulta, face avermelhada, emagrecimento, inapetência, aversão a doce, náuseas e vômitos matinais, dor abdominal, azia, diarréia repetida, hemorragia digestiva, pancreatite, hepatomegalia, disfunções hepáticas, insônia, nervosismo, dores musculares, polineuropatia periférica, hipertensão arterial, disfunção sexual, taquicardia, escoriações, contusões e fraturas repetidas, pneumopatias de repetição, pelagra, acidentes de trabalho e trânsito, convulsões, “delirium”, desemprego prolongado, má adaptação sócio-familiar.

-         Laboratório alterado; VCM aumentando, gama gt aumentada, bilirrubinas e transaminases elevadas, amilase elevada, ácido úrico, colesterol e triglicerídeos elevados, anemia megaloblástica, proteínas séricas diminuídas, magnésio e potássio diminuídos, hipovitaminose A,B e C principalmente.

 

EFEITOS DA FALTA – ansiedade, irritabilidade, agressividade, insônia, tremores, sudorose intensa, taquicardia, convulsões, náuseas matinais e vômitos, “delirium tremens”.

Pode-se utilizar o questionário “cage” para triagem inicial:

1.    Alguma vez o(a) Sr(a) sentiu que deveria diminuir a quantidade de bebida ou mesmo parar de beber?

2.    As pessoas o(a) aborrecem ou criticam o seu modo beber?

3.    O(A) Sr(a) sente-se culpado(a) pela maneira com que costuma beber?

4.    O(A) Sr(a) costuma beber pela manhã para diminuir o “nervosismo” e/ou a ressaca?

 

Duas respostas positivas reforçam a suspeita de um caso de alcoolismo. Pode-se intensificar as suspeitas na ocorrência de: tremores grosseiros, alucinações e/ou convulsões na privação do álcool, além de sintomas tais como:

-         tremores e náuseas matinais, que diminuem com o beber;

-         “delirium tremens”, com ingestão habitual;

-         uso de álcool, apesar de contra-indicação médica, conhecida do paciente;

-         uso de álcool, apesar de contra-indicação sócio-familiar, conhecida pelo paciente;

-         alcoolemia superior a 150mg por 100ml, sem evidências de embriaguês;

-         hepatite alcoólica.

 

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA – no atendimento do alcoolismo (pessoas que vem sofrendo e causando prejuízos a si e aos outros, resultantes do abuso do álcool), há duas fases; a primeira de desintoxicação, tratando a síndrome de abstinência; a segunda através de, reorganização da vida do paciente, com a recuperação. A abstinência causa desconforto, principalmente nos primeiros dias. A equipe profissional deve estar capacitada para essa atenção.

 

Deve-se avaliar:

-         intensidade doa sintomas de abstinência;

-         nível da conseqüências orgânicas;

-         nível da conseqüências psiquiátricas;

-         nível de disciplina da família para ajudar.

 

De forma geral, só deverão ser internados os casos com dependência grave ou complicações severas.

 

DESINTOXICAÇÃO – é um fenômeno biológico, que acontece todas as vezes em que um alcoolista cessa a ingestão alcoólica; dessa forma, na maioria das vezes, não há necessidade de qualquer tipo de medicação. O uso de glicose, pura ou associada, não tem nenhum respaldo científico. Atitude carinhosa e compreensiva, antecipando ao paciente o que poderá vir a sentir aumentará a tolerância aos sintomas. Muitas vezes, vitamina B1, 100mg/dia é suficiente. Quando os sinais de abstinência tornarem-se mais intensos, poder-se-á utilizar benzodiapínico (clordiazepóxido) 25 a 200mg/dia, preferencialmente por via oral, por período não superior a 7 dias. Aparecendo convulsão, indica-se o aumento da dose do benzodiapínico; se houver história prévia de crises convulsivas, indica-se a introdução de difenilidantoína 300mg/dia, por 5 a 7 dias, simultaneamente ao benzodiazepínico. Se necessário sedação utilizar haloperidol.

 

“DELIRIUM TREMENS” – hidratação, glicose hipertônica 1 amp., sulfato de magnésio solução 50% 2 amp. em frasco em frasco de 1000ml, 2 amp. de complexo B, diazepam, de 40 a 60mg (dose máxima diária recomendada é de 120mg), podendo ser repetido. A solução glico-fisiológica e o diazepam se permanecer a sintomalogia (preferencialmente o diazepam deve ser feito EV, não misturado a outras drogas ou diluído em outras soluções). Tão logo seja possível, passar para via oral.

 

ALUCINOSE ALCOÓLICA – surgimento de alucinações intensas e persistentes. Não há distúrbios de consciência. Indica-se o uso de haloperidol 2 a 5 mg/dia IM, seguido por via oral logo que possível, até ceder a sintomatologia.

 

DISTÚRBIOS AMNÉSIO POR ÁLCOOL – indica-se tiamina e sulfato de magnésio; para adequação da dose utiliza-se como parâmetro a remissão dos sinais oculares; pode-se utilizar de 100 até 1000mg de tiamina no início. Utiliza-se 1 a 2mg de sulfato de magnésio a 50% IM até o restabelecimento dos níveis normais. A administração de glicose antes da tiamina pode precipitar ou piorar a encefalopatia de Wernicke.

 

POLINEUROPATIA ALCOÓLICA – caracterizada por dor, parestesias e cãimbras localizadas, tremores em membros superiores, diminuição ou abolição da sensibilidade. Indica-se suplementação vitamínica oral ou parenteral, dependendo da gravidade.

 

De modo geral o uso de aversivos (dissulfiram) e psicotrópicos são de indicação reduzida e sua utilização deve ser precedida de avaliação rigorosa.  

 

3.2.2. INALANTES – colas a base de tolueno, acetona, benzina, gasolina, éter, fluido de isqueiros, tintas, aerossóis e sprays.

 

EFEITOS DO ABUSO – o usuário sente-se tonto e eufórico sente-se “alto”, como se estivesse flutuando, com voz pastosa (língua enrolada), sonolência, olhos vermelhos, corisa, anorexia, perda de sensibilidade ao frio, andar cambaleante.

 

RISCOS DO ABUSO – lesões irreversíveis no córtex cerebral, na medula óssea (aplasia de medula), nos rins e fígado (insuficiência), doenças pulmonares, parada cardíaca. 

 

EFEITOS DA FALTA – cefaléia, tonturas, náuseas e vômitos, tremores, convulsão, ansiedade, insônia, risco de óbito por parada cardíaca.

 

SUPERDOSE – sinais de pânico, ansiedade, confusão e agressividade. Olhos injetados de sangue, náuseas, convulsões e parada cardíaca, depois de estresse físico. Risco de morte por asfixia. Desorientação, falta de coordenação motora, andar cambaleante, violência. Depressão do Sistema Nervoso Central.

 

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA – levar a pessoa ao ar fresco, ou administrar oxigênio; tratar as respostas emocionais, realizações de pânico, ansiedade e agressividade, permanecendo calmo. Monitorize a vítima cuidadosamente pois as complicações podem ser fatais. Tratamento sintomático.

 

3.3. ALUCINANTES

 

3.3.1. MACONHA, HAXIXE

 

SINTOMAS DE ABUSO – desmotivação e apatia, dilatação das pupilas, distorção na percepção de tempo e espaço, fadiga, vertigens, sonolência, variação de humor, olhos avermelhados, distúrbios de julgamento e percepção, aumento do apetite, vontade de comer doces, “comportamento estranho”.

 

RISCOS DO ABUSO – isolamento, desmotivação generalizada, distúrbios hormonais, esterilidade, distúrbios imunológicos, gastrointestinais e cardiovasculares, descompensação psíquica nos indivíduos predispostos.

 

EFEITOS DA FALTA – irritabilidade, inquietação, hiperatividade, cefaléia, ansiedade e insônia.

 

SUPERDOSE – raramente apresenta sintomas bastante graves. Uma verdadeira superdose não ocorre. Os problemas geralmente são causados por distúrbios emocionais. A pessoa pode parecer quieta e ausente ou ansiosa e em pânico. Pode estar hiperventilada ou apresentar sinais de choque com possível desmaio.

 

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA – geralmente não há necessidade de interferência. O tratamento será sintomático; inclui tranqüilização. Em casos graves, deve-se tratar a vítima pelo pânico e reações de ansiedade. Nesses casos há indicação de benzodiazepínicos.

 

3.3.2. ALUCINÓGENOS – LSD, cogumelo, etc.

 

EFEITOS DO ABUSO – náuseas, ilusões, alucinações intensas, “despersonalização”, distorção na percepção do tempo e espaço, confusão mental, impulsividade, flutuação emocional.

 

RISCOS DO ABUSO – danos cerebrais, alterações cromossomicas, “surtos psicóticos”, “flashes” das alucinações.

 

EFEITOS DA FALTA – desconhecidos.

 

SUPERDOSE – impulsividade, hiperreflexia, flutuação emocional, aumento da sensibilidade, taquicardia, olhos dilatados, fraqueza muscular, tendência suicida, comportamento imprevisível, confusão mental. A pessoa pode aparecer agitada e introspectiva, ansiosa, deprimida ou em pânico; apresenta pele avermelhada e sudorese profusa, hiperventilação, pulso rápido, elevação da pressão sangüínea, cólicas estomacais e hipertemia leve.

 

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA – tratamento sintomático, cuidados especiais com a reação de ansiedade e pânico. Não há necessidade de tratamento específico.

 

 

CONCLUSÃO

É importante lembrar que acima de tudo, a vítima de superdose de droga é uma pessoa e não apenas um alcoólatra, um drogado, um vagabundo. Trate a pessoa de um modo gentil e carinhoso. Sua raiva e hostilidade, lição de moral e terapia enquanto a pessoa estiver intoxicada, não são apenas improdutivas, mas podem ser prejudiciais. Entretanto, será útil sugerir a amigos e parentes da vítima, que ela seja encaminhada a centro especializado de tratamento, para aconselhamento da dependência e recuperação.

  

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