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Sim, Não, Talvez.
Lembram-se das velhas anedotas boa notícia - má notícia? (Caíste de um avião. Má notícia. Mas tens um paraquedas. Boa notícia. Não abre... E por aí fora) A questão da incineração de lixo tende freqüentemente para uma análise semelhante.
- Boa notícia. As melhores incineradoras são relativamente eficientes fábricas de energia. A maior parte gera electricidade, vários milhões de watts. Então, em vez de encher os aterros com detritos, usam-se estes como combustível substituindo parcialmente os combustíveis fósseis tais como o petróleo e o carvão.
- Má notícia. Queimar seja o que for, carvão, madeira ou lixo, produz poluentes do ar, desde metais pesados e gazes ácidos a dioxinas. Apesar da maior parte do lixo ser papel, cartão e plásticos não tóxicos, que queimam quase completamente, o lixo também contérm metais, solventes, e formas mais tóxicas de plástico, todos estes potenciais produtores de poluição atmosférica.
- Boa notícia. Uma incineradora de alta temperatura "de trás da orelha", equipada com um conjunto de monitores de controle de poluentes e sistemas de limpeza, consegue remover bastante dessa poluição do ar. Numa furnalha de 2000 graus centígrados, muitos químicos tóxicos, incluíndo PCBs e dioxinas, são quebrados em dióxido de carbono e água. Lavadores de gás ácido e sistemas de filtragem de partículas conseguem remover a maior parte da poluição atmosférica que resta.
- Má notícia. Na opinião de muitos críticos, isso é insuficiente. Uma fracção de poluição do ar, incluíndo vestígios de dioxinas, permanecem inevitavelmente. Qualquer fonte de combustão emite dióxido de carbono, que resulta no "efeito estufa". No processo de concentração do lixo em cinza, a proporção de metais tóxicos para matéria não-tóxica, muda dramaticamente. Como resultado, muitas cinzas de incineradora passam de repente a constituir resíduos perigosos. Mais, alguns críticos sentem que a mera presença de uma incineradora num local desencoraja opções mais benignas, tais como, redução da produção de lixo, reutilização e reciclagem.
Notícias confusas. As boas e as más notícias continuam. Tomem por exemplo o assunto das dioxinas, que tem estado no centro de muita da controvérsia. A emissão de gases perigosos para a atmosfera, varia bastante de uma incineradora para outra dependendo da qualidade do controlo da poluição. Em algumas das mais recentes e mais bem controladas incineradoras, a emissão de dioxinas desceu bastante abaixo do nível sugerido pela Agência Governamental de Protecção do Ambiente americana (EPA) para comportar qualquer risco de menos de um caso de cancro por cada milhão de pessoas. O verdadeiro risco pode ser ainda mais baixo, já que está baseado numa exposição teórica de uma pessoa posicionada permanentemente num ponto na direcção do vento onde exista máxima concentração de poluente por setenta anos. Pode ser ainda mais baixo, já que alguns especialistas proeminentes em dioxinas começaram já a duvidar que o químico em baixas doses cause qualquer cancro em humanos, ainda que em mega-doses seja um inferno para ratos ou porquinhos da índia.
Por outro lado, enquanto a EPA tende a concentrar-se nos efeitos na saúde humana de cada uma das fontes de poluição, muitos cientistas estão agora preocupados pois as dioxinas e outros químicos tóxicos, estão a aumentar na atmosfera e a transformar-se em ecosistemas, vindos de uma variedade de fontes. Muitos destes tóxicos não se degradam no ambiente mas antes se acumulam com o tempo nos tecidos de animais, incluindo humanos. Até mesmo alguns dos investigadores que duvidam da ligação das dioxinas ao cancro estão agora preocupados que a sua presença na mãe possa levar a defeitos de nascença nas crias, especialmente entre algumas espécies de pássaros predadores e mamíferos de longa-vida. Cada adição de dioxinas ao ar, não importa quão pequena que seja, ajuda assim a formar um problema global galopante.
Por outro lado, enquanto pode ser uma heresia sugerir que qualquer dioxina é aceitável, pesquisas indicam que lareiras domésticas, os fogões a lenha e os fogos ao ar livre podem todos emitir vestígios de poluentes perigosos, incluindo dioxinas. E ninguém parece estar muito preocupado com isso.
Mas talvez, afinal, fizesse mais sentido que nos virássemos para a construção de melhores aterros para a porção de lixo que simplesmente não possa ser reciclada.
Mas mesmo assim, é um assunto complexo. A história do aterro é um tanto reminiscente dessas velhas histórias de boa e má notícia...
(Fonte: Jon R. Luoma na Audubom, Março de 1990)
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