Não são apenas os aspectos comportamentais que diferenciam os homem das mulheres quando o assunto é consumo de drogas.
Segundo a agência norte-americana Nida (Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas, na sigla em inglês), também em relação à cocaína, homens são de Marte, mulheres são de Vênus.
Ao avaliar grupos equivalentes de homens e mulheres sob o efeito da mesma quantidade de cocaína, foi constatado que o efeito era maior no sexo masculino. Os homens ficaram mais eufóricos, com mais sensações boas e depois ficaram mais disfóricos e com mais mal-estar do que as mulheres. Eles também apresentaram maior variação de pressão arterial e de batimentos cardíacos e menor quantidade da droga no sangue.
A explicação, segundo os pesquisadores, é a notável diferença de velocidade no processamento da droga no organismo de um e no de outro.
No corpo do homem, o metabolismo é mais lento, o que torna o efeito da droga maior e mais duradouro. Na mulher, ocorre o contrário.
O resultado prático é que, para obter os mesmos efeitos que o homem, a mulher precisa consumir mais.
Se isso pode redundar em menor adição das mulheres à droga --menos efeito, menos satisfação, mais facilidade de evitar o consumo--, também pode gerar um resultado perverso: ao precisar de uma maior quantidade da droga para obter satisfação, a mulher está mais sujeita a se tornar um consumidor pesado de cocaína.
Segundo a mais importante pesquisa sobre consumo de drogas no país, realizada em 2001 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Universidade Federal de São Paulo, pouco mais de 1 milhão de pessoas já consumiu cocaína no Brasil. Desses, 79% são homens e 22%, mulheres.
Folha de S.Paulo
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