O chá perde apenas para água como a bebida mais consumida no mundo. Uma grande atenção tem sido dirigida aos constituintes polifenólicos do chá, particularmente do chá verde (Harbowy e Balentine, 1997). Os polifenóis abrangem mais de 30% do peso bruto total das folhas do chá fresco. As catequinas são os polifenóis predominantes e mais significativos do chá (Graham, 1992). As quatro principais catequinas do chá verde são epigalocatequina-3-galato, epigalocatequina, epicatequina-3-galato e epicatequina.
Nos últimos anos têm havido um grande interesse nos efeitos farmacológicos do chá (AHF, 1992). Até agora, a maior parte das pesquisas sobre os benefícios do chá à saúde tem focalizado seus efeitos quimiopreventivos contra o câncer, ainda que os estudos epidemiológicos sejam inconclusivos até agora (Katiyar and Mukhtar, 1996). Em uma revisão de 1993 de 100 estudos epidemiológicos (Yang e Wang, 1993), aproximadamente 2/3 dos estudos não encontraram nenhuma relação entre o consumo de chá e o risco de câncer, enquanto 20 encontraram uma relação positiva e somente 14 estudos mostraram que o consumo de chá reduzia o risco de câncer. Uma revisão mais recente sugere que os benefícios do consumo de chá são restritos a uma ingestão grande em populações de alto risco (Kohlmeier et al., 1997a). Esta hipótese apóia os achados recentes de que o consumo de cinco ou mais xícaras de chá verde por dia estava associado com a diminuição da recorrência do câncer de mama de estágio I e II em mulheres japonesas (Nakachi et al., 1998).
Em contraste com os resultados inconclusivos dos estudos epidemiológicos, achados de pesquisa em animais de laboratório claramente sustentam um efeito quimiopreventivo dos componentes do chá contra o câncer. De fato, Dreosti et al.(1997) declarou que "nenhum outro agente testado para possíveis efeitos quimiopreventivos em modelos animais tem evocado uma atividade tão forte quanto o chá e seus componentes nas concentrações normalmente consumidas pelos humanos".
Há alguma evidência de que o consumo de chá também pode reduzir o risco de doenças cardiovasculares. Hertog e colegas (1993) relataram que o consumo de chá foi a maior fonte de flavonóides numa população de homens idosos na Holanda. A ingestão de cinco flavonóides (qüercetina, caempferol, miricetina, apigenina e luteolina), a maioria dos quais eram derivados do consumo do chá, foi de maneira significativa inversamente associada com a mortalidade por doenças cardiovasculares nesta população. Ainda que diversos outros estudos prospectivos tenham demonstrado uma redução substancial no risco de doenças cardiovasculares com o consumo de chá, a evidência não é atualmente conclusiva (Tijburg et al., 1997).
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