A Organização Meteorológica Mundial (OMM) advertiu hoje que a luta pela restauração da camada de ozônio está longe do fim e pediu o cumprimento estrito do Protocolo de Montreal para a eliminação do uso de gases poluentes.
Por ocasião da comemoração do Dia Internacional da Proteção da Camada de Ozônio, o secretário-geral da OMM, M. G. O. P. Obasi, lembrou que a camada continuará muito frágil durante, pelo menos a próxima década, mesmo que todas as medidas da Convenção de Viena e do Protocolo de Montreal sejam aplicadas integralmente.
Além disso, ressaltou que o descumprimento do Protocolo de Montreal atrasaria gravemente ou impediria a reconstrução da camada de ozônio, o que aumentaria a quantidade de raios ultravioletas emitidos pelo sol que chegam ao solo e os riscos de afecções oculares e de câncer de pele.
Conforme avaliações científicas da OMM e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o Protocolo de Montreal dá bons resultados, já que se registrou uma lenta diminuição da concentração de clorofluorocarbonetos (CFC) na baixa atmosfera depois do nível máximo registrado no período 1992-1994.
No entanto, outros gases nocivos à camada de ozônio, como o bromo e os hidrocarbonetos parcialmente fluorados ou clorofluorosos que são utilizados em substituição dos CFC, continuam aumentando.
Obasi lembrou que há poucas soluções para acelerar a recuperação da camada de ozônio e apenas a total aplicação das disposições do Protocolo de Montreal permitirá a redução destas substâncias na atmosfera até os níveis de antes da abertura do buraco na camada de ozônio sobre a região da Antártica.
Além disso, os cientistas da OMM e do Pnuma alertam sobre a interdependência do enfraquecimento da camada de ozônio e das mudanças climáticas já que há processos químicos e físicos comuns a ambos os problemas.
O enfraquecimento do ozônio contribui para o esfriamento do sistema climático, enquanto que a reconstituição da camada torna mais propenso o aumento de sua temperatura, explicam os especialistas da OMM.
Cientistas do Instituto de Estudos do Meio Ambiente do Japão estimaram há alguns meses que o buraco na camada de ozônio da atmosfera sobre o Pólo Sul desaparecerá no ano 2040.
De acordo com os especialistas, as restrições no uso de CFCs já serviram para frear a deterioração na camada de ozônio, que se manterá estável nos próximos 15 anos, aumentará repentinamente em 2030 e, dez anos depois, estará reconstituída.
Os primeiros dados sobre o enfraquecimento da camada de ozônio foram divulgados nos anos 50 pelas sondas espaciais da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Em 1985, adotou-se a Convenção de Viena, seguida em 1987 do Protocolo de Montreal.