Antienvelhecimento/Longevidade - Dhea - Isso é real ?
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Antienvelhecimento/Longevidade

Dhea - Isso é real ?

10/06/2003

Marcos André Pereira de Barros
Graduando 1997.1 - Bacharelado em Educação Física - UFRJ.

Os atletas e a população em geral estão usando um novo suplemento chamado DHEA (dehydroepiandrosterone) sintético. Devido ao grande consumo, nutricionistas desportivos e a comunidade médica estão com uma certa preocupação sobre a segurança e efetividade do mesmo.

O DHEA (e seu éster sulfato – DHEAS) é um hormônio relativamente fraco sintetizado principalmente em primatas pelo córtex adrenal, à partir do colesterol. Mesmo assim, a quantidade de DHEA produzido pelo corpo ultrapassa a de todos os outros esteróides conhecidos; sua estrutura química se assemelha a dos hormônios sexuais testosterona e estrogênio, com uma quantidade pequena servindo como precursor desses hormônios no homem e na mulher.

Novos relatórios e anúncios dizem que o DHEA é um “super-hormônio”, que aumenta a produção de testosterona, conserva a juventude, melhora o vigor sexual e aumenta a queima de gordura corporal.

Por o DHEA ser uma substância que ocorre naturalmente no corpo, o FDA (Food and Drug Administration) não tem nenhum controle sobre sua administração tanto para a sua ação, como para sua efetividade.

Os anunciantes descrevem-no como uma pílula (disponível também como chiclete, com cada pedaço contendo 25mg do hormônio) capaz de curar qualquer tipo de doença: doença de coração, diabetes, proteção contra câncer, osteoporose, aumento na longevidade, aumento da potência sexual, facilidade para aumento da massa muscular e perda de gordura, melhora do humor e da memória e melhora no sistema imunológico para várias doenças infecciosas como a AIDS. Por outro lado, em nível de desporto, o IOC (COI) e o Comitê Olímpico Internacional, colocaram o DHEA na lista das substâncias proibidas, com nível de tolerância igual a zero.

A figura mostra a tendência generalizada para os níveis de DHEA durante toda a vida e mais seis conclusões feitas por fabricantes. Para meninos e meninas, um aumento fixo na produção de DHEA acontece de 6 à 10 anos (uma ocorrência que os pesquisadores sentem contribuir para o começo da puberdade e sexualidade) com picos de produção (mais altos em homens do que em mulheres) alcançados entre 18 à 25 anos.

Em contraste aos esteróides adrenais glicocorticóides e mineralocorticóides, que os níveis no plasma permanecem relativamente altos com o envelhecer, um longo e lento declínio em DHEA acontece depois dos 30 anos. Em 75 anos, o nível plasmático diminui para aproximadamente 25% do valor de um jovem adulto.

Esse fato conduziu a especulação que o nível plasmático de DHEA poderia servir como um marcador bioquímico de envelhecimento biológico e suscetibilidade de doenças.

A argumentação popular concluiu que usando a suplementação de DHEA seriam diminuídos os efeitos negativos do envelhecimento, elevando os níveis plasmáticos para concentrações mais altas. O fato, é que muitas pessoas estão usando os suplementos ditos naturais desse hormônio, sem saber do seu real efeito benéfico (se é que existe), sem considerar o potencial que ele apresenta para algum dano fisiológico.

Em 1994, o FDA reclassificou o DHEA (junto com muitas outras químicas naturais como suplemento dietético) da categoria de “nova droga ainda não provada” para um “suplemento dietético à venda sem prescrição”. E companhias farmacêuticas sintetizaram o DHEA de ingredientes químicos e de extrato de inhame.

Segundo um autor (McArdle,1999), o uso irregular feito atualmente não monitorizado  de DHEA entre os homens e mulheres saudáveis (dosagem diária variando de 5mg à 2000mg) é um desastre que pode levar a conseqüências não muito boas.

Apesar da sua significância quantidade como hormônio, pesquisas tem revelado muito pouco sobre: (1) relação para saúde e envelhecimento; (2) mecanismo molecular e celular de ação; (3) possíveis locais de interação com receptores (embora seu sulfato interaja com os receptores para o neurotransmissor GABA); e (4) o potente efeito negativo colateral provocado por dosagens exógenas, particularmente em jovens adultos com níveis normais de DHEA. Além disso, as dosagens para humanos não foram determinadas. Efeitos prejudiciais em lipídeos sangüíneos, tolerância à glicose, e glândula prostática foram associados a suplementação desse hormônio. O National Institute on Anging montou uma campanha na mídia recentemente para advertir os americanos aos cuidados de se ingerir essas substâncias consideradas milagrosas, incluindo aí o DHEA, que pode ser comprado facilmente em cadeias de supermercados, lojas de nutrição, clubes de saúde, catálogos pelo correio ou Internet.

O primeiro apoio ao uso de DHEA, vem de estudos com roedores alimentados com o suplemento diários do hormônio. O tratamento indicou efeitos benéficos em relação a prevenção de câncer, arteriosclerose, infeções causadas por vírus, obesidade, diabetes, aumento da função imunológica e aumento da longevidade. Porém, os cientistas discutiram que as respostas dessas pesquisas em ratos (que produzem pouco ou quase nada DHEA) não são necessariamente aplicáveis em humanos saudáveis.

Outros estudos mostraram que um alto nível de DHEA conferiram proteção em relação a doenças do coração em homens, enquanto para mulheres, esse níveis altos representaram um aumento no risco dessas doenças. Pesquisas subsequentes mostraram somente uma moderada associação para homens e nenhuma associação para mulheres. Por fim, outras pesquisas sugeriram que o DHEA pudesse proporcionar um efeito de proteção cardíaca contra o envelhecimento (mais benéfico em homens), talvez por proteção aos antioxidantes durante essa fase.

Na mais recente pesquisa realizada em humanos, sendo 8 homens e 8 mulheres (idade entre 50 e 65 anos), receberam cerca de 100mg de DHEA e placebo diariamente em 3 meses. Em ambos os sexos, obteve-se aumentos leves na ordem de 1,2% em relação a massa muscular magra comparados ao placebo. O percentual de gordura em homens foi reduzido, mas um pequeno aumento foi notado nas mulheres. Marcadores químicos também indicaram função imune melhor. Essas respostas sugeriram alguns efeitos positivos em relação a ingestão de DHEA sintético na massa muscular e função imunológica em homens e mulheres de meia idade, mas nenhum dado existe para jovens adultos.

Existem preocupações sobre os possíveis efeitos irregulares a longo prazo com a suplementação com DHEA (particularmente em dosagens maiores de 50mg diários) em todas as funções e a saúde como um todo. O DHEA convertido em andrógenos potentes como a testosterona, promovem crescimento de pêlos na face em mulheres e alterações na função menstrual. Como todo anabólico sintético, o DHEA parece baixar os níveis de HDL-C, aumentando o risco de doenças cardíacas. Existem dados contraditórios sobre seus efeitos em relação a câncer de mama. Clínicos expressaram temer a suplementação, pois ela pode elevar os níveis da substância no plasma, podendo estimular o crescimento de tumores na glândula prostática ou hipertrofia benigna da própria glândula. Se houver câncer, o DHEA pode acelerar o seu crescimento. Apesar de sua popularidade entre os entusiastas do exercício físico, nenhum dado existe sobre os possíveis efeitos ergogênicos da suplementação de DHEA em jovens adultos de ambos os sexos.

O que se fala é:
(1) retardamento ao envelhecimento;
(2) facilidade para perda de gordura;
(3) aumento da função imunológica;
(4) inibição de algumas doenças como a de “Alzheimer’s”;
(5) protege contra doenças do coração;
(6) aumentos na massa muscular.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Brainum J (1997). "The voice of champions: DHEA:Clearing the Confusion”.The Flex.

Goodman & Gilman A (1987). As bases farmacológicas da terapêutica.Sétima edição, Ed. Guanabara, RJ.

Guyton AC (1989). Tratado de fisiologia médica. Sétima edição,Ed. Guanabara, RJ.

McArdle WD, Katch & Katch FI, VL (1999). Sports & Exercise Nutrition.Lippincott Williams & Wilkins. 
 


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