As doenças respiratórias hipóxicas freqüentemente são acompanhadas de intolerância à glicose. Em um artigo publicado recentemente na American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, os autores avaliaram se a hipóxia é uma causa de intolerância à glicose em indivíduos saudáveis.
Em um estudo transversal duplo cego, as condições de hipóxia versus condições normais foram induzidas em 14 homens saudáveis, durante 30 minutos, através da redução da saturação de oxigênio para 75% (versus 96% nos indivíduos controles) sob condições da técnica euglicêmica de Clamp. A taxa de infusão de dextrose necessária para manter os níveis estáveis de glicemia foi monitorada. A resposta ao estresse neurohormonal foi avaliada através da medida das concentrações de catecolamina e cortisol, bem como pelos parâmetros cardiovasculares e sintomas de ansiedade.
Para se fazer a diferenciação entre a hipóxia e os efeitos da resposta ao estresse hormonal sobre a intolerância à glicose, os autores realizaram a técnica hipoglicêmica de Clamp como controle inespecífico. Encontrou-se uma redução significativa da taxa de infusão de dextrose durante um período de 150 minutos após o começo da hipóxia (p < 0.01). A hipóxia também elevou a concentração de epinefrina plasmática (p < 0.01), freqüência cardíaca (p < 0.01) e sintomas de ansiedade (p < 0.05), enquanto que outros parâmetros permaneceram inalterados. A intolerância à glicose foi muito similar entre as condições de hipóxia e de hipoglicemia (p < 0.9) apesar de nítidas diferenças nas respostas hormonais ao estresse.
A hipóxia causa intolerância aguda à glicose. De acordo com os autores, um dos fatores que intervém neste efeito poderia ser uma elevada liberação de epinefrina.
Hypoxia Causes Glucose Intolerance in Humans - American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine - 2004; 169(1231-1237)
American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine Vol 169. pp. 1231-1237, (2004)
© 2004 American Thoracic Society
Hypoxia Causes Glucose Intolerance in Humans
Kerstin M. Oltmanns, Hartmut Gehring, Sebastian Rudolf, Bernd Schultes, Stefanie Rook, Ulrich Schweiger, Jan Born, Horst L. Fehm and Achim Peters
Departments of Internal Medicine I, Anaesthesia, Psychiatry and Psychotherapy, and Neuroendocrinology, University of Luebeck, Luebeck, Germany
Correspondence: Correspondence and requests for reprints should be addressed to Kerstin M. Oltmanns, M.D., Medical Clinic I, 23a, University of Luebeck, Ratzeburger Allee 160, 23538 Luebeck, Germany. E-mail: Oltmanns@medinf.mu-luebeck.de
Hypoxic respiratory diseases are frequently accompanied by glucose intolerance. We examined whether hypoxia is a cause of glucose intolerance in healthy subjects. In a double-blind within-subject crossover design, hypoxic versus normoxic conditions were induced in 14 healthy men for 30 minutes by decreasing oxygen saturation to 75% (versus 96% in control subjects) under the conditions of a euglycemic clamp. The rate of dextrose infusion needed to maintain stable blood glucose levels was monitored. Neurohormonal stress response was evaluated by measuring catecholamine and cortisol concentrations as well as cardiovascular parameters, and symptoms of anxiety. To differentiate between the effects of stress hormonal response, and hypoxia itself, on glucose intolerance, we performed hypoglycemic clamps as a nonspecific control. We found a significant decrease in dextrose infusion rate over a period of 150 minutes after the start of hypoxia (p < 0.01). Hypoxia also increased plasma epinephrine concentration (p < 0.01), heart rate (p < 0.01), and symptoms of anxiety (p < 0.05), whereas the other parameters remained unaffected. Glucose intolerance was closely comparable between hypoxic and hypoglycemic conditions (p < 0.9) despite clear differences in stress hormonal responses. Hypoxia acutely causes glucose intolerance. One of the factors mediating this effect could be an elevated release of epinephrine.
Key Words: catecholamines • chronic hypoxic diseases • clamp • heart rate • human