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Minerais

Lítio pode ser alternativa no tratamento da doença de Alzheimer

14/08/2004

 

O lítio, substância usada há décadas para tratar distúrbios do humor, pode se tornar uma alternativa eficaz na doença de Alzheimer. Um estudo feito por pesquisadores do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP) revelou que indivíduos que usam regularmente o medicamento para controlar o transtorno bipolar são menos propensos a desenvolver a enfermidade. Os resultados da investigação foram apresentados no final de julho, durante a 9a Conferência Internacional sobre a Doença de Alzheimer e Distúrbios Relacionados, na Filadélfia, EUA.

A psiquiatra Paula Nunes, que conduziu o trabalho sob a orienteção dos psquiatras Wagner Gattaz e Orestes Forlenza, investigou 84 portadores do transtorno bipolar. O distúrbio, popularmente conhecido como maníaco-depressivo, é crônico e caracteriza-se por oscilações de humor. Na maior parte dos casos, os pacientes tratam-se com drogas estabilizadoras de humor, entre as quais estão o lítio, o ácido valpróico, a lamotrigina, a carbamazepina e a oxcarbazepina. No grupo escolhido por Nunes, 51 tomavam lítio - uma das medicações mais antigas - em média há seis anos e 33 tratavam-se com os outros medicamentos ou sequer usavam remédio. Todos tinham pelo menos 60 anos.

Para a surpresa da pesquisadora, apenas 5,8% dos pacientes no grupo que ingeriu lítio desenvolveram doença Alzheimer, enquanto que no segundo grupo, 37,5% dos indivíduos foram afetados pela enfermidade. "Esses resultados sugerem que, pelo menos nesta população, o uso do lítio por longo tempo pode ser benéfico", comenta a pesquisadora.

Bloqueio de enzima
"Vários trabalhos nos últimos oito anos apontam para outras ações do lítio, além da estabilização do humor. Uma delas é a inibição da enzima glicogênio-sintase-quinase 3 (GSK-3, em inglês)", explica a pesquisadora. Acredita-se que aGSK-3 possa propiciar o surgimento da doença de Alzheimer, já que a enzima participa de processos metabólicos que culminam com a produção das proteínas tau e beta-amilóide. Ambas estão relacionadas à formação de placas e emaranhados neurofibrilares no cérebro dos portadores da enfermidade, o que parece ser a causa da perda de cognição e memória típica do Alzheimer.

Outros estudos já haviam demonstrado que o lítio é capaz de bloquear a formação da tau e da beta-amilóide em ratos e neurônios em cultura. A pesquisa de Nunes, entretanto, é a primeira a avaliar a relação entre lítio e doença de Alzheimer em humanos. O trabalho recebeu destaque no site da Nature, que publicou uma notícia sobre a investigação.

Atualmente, existem medicações que ajudam a atenuar os sintomas da doença, mas nenhuma é capaz de impedir sua progressão. Caso o lítio mostre-se eficaz no combate ao Mal de Azheimer, poderá abrir caminho para tratamento preventivos. Outra vantagem do medicamento é o baixo custo. Cinco cápsulas de vitamina E, por exemplo, que em altas doses pode proteger os neurônios, custam em média R$ 120 por mês. Já o tratamento com lítio giraria em torno de R$ 20 por mês.

Nunes pretende agora investigar mais a fundo a ação do lítio no Alzheimer. A intenção é obter recursos para desenvolver um estudo de maior amplitude.

O que é o Mal de Alzheimer
A doença de Alzheimer é a forma de demência mais comum em idosos. Afeta funções cognitivas como memória, aprendizado, linguagem, atenção, habilidade visual e noção espacial. Os sintomas incluem quadros depressivos e psicóticos (alucinações e delírios), apatia, agressividade, agitação psicomotora, condutas repetitivas e perturbações no ciclo do sono. O aumento da expectativa de vida numa população pode elevar a prevalência da enfermidade, uma vez que ela é mais comum na terceira idade. A partir dos 60 anos, a doença é duas vezes mais freqüente a cada cinco anos. O risco de um adulto adquiri-la dos 60 aos 64 anos, por exemplo, é de 0,7%; dos 90 aos 95, ele aumenta para 40%. Em média, o portador sobrevive de 8 a 12 anos com a doença. Nos casos mais graves, porém, ele pode morrer em menos de dois anos.
Atualizado em 11/08/04
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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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