Drogas/Vício - Efeitos duradouros da cocaína
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Drogas/Vício

Efeitos duradouros da cocaína

19/08/2004



O uso abusivo de cocaína interfere de forma direta em regiões frontais do
cérebro

A droga, segundo demonstrou um estudo recém-concluído por pesquisadores do
Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de SP
(FMUSP), age em áreas responsáveis pelo raciocínio, tomadas de decisões,
emoções e personalidade humana.

A pesquisa avaliou 62 pessoas. Do total, 30 eram dependentes de cocaína e
estavam internadas para tratamento no momento do estudo. O restante eram
pessoas sem histórico de alterações psiquiátricas ou de problemas no
desenvolvimento neuropsicomotor.

"Muito desses dependentes não apresentam uma alteração neurológica evidente.
A alteração comportamental que nós detectamos é bem sutil. A disfunção
frontal causa, por exemplo, uma retenção na velocidade de assimilação das
informações" disse o psiquiatra Sergio Nicastri, um dos autores do estudo, à
"Agência Fapesp".

Segundo o neuropsicólogo Paulo Cunha, o outro autor da pesquisa que foi
publicada na atual edição da Revista Brasileira de Psiquiatria, os problemas
detectados pela pesquisa na área frontal do cérebro são duradouros. As
relações entre cocaína e alterações no comportamento apresentaram
significância estatística.

Grande parte dos pacientes que consomem cocaína em quantidades elevadas
acaba se envolvendo com freqüência em atividades de risco, como brigas, sexo
sem proteção, compartilhamento de seringa e transtornos de comportamento
seja no ambiente familiar ou no trabalho.

Essa forte relação agora descoberta pelos estudos do Grupo Interdisciplinar
de Estudos de Álcool e Drogas (GREA) do Instituto de Psiquiatria da FMUSP,
entre cocaína e alterações no cérebro, pode ajudar a explicar porque
usuários de drogas continuam consumindo substâncias tóxicas mesmo depois de
vivenciarem as conseqüências negativas de suas atitudes.

"O conhecimento a respeito de particularidades do funcionamento mental dos
pacientes dependentes químicos poderá ajudar na seleção de técnicas de
tratamento mais eficazes", acredita Nicastri.

Para ele, no longo prazo, outra aplicação prática dessas descobertas pode
ser o desenvolvimento de medicações. Novas substâncias poderão ser
projetadas para se ligarem a receptores específicos de certas regiões
frontais do cérebro. Esse caminho, de acordo com o pesquisador, poderia
auxiliar bastante o paciente na retomada do funcionamento normal do cérebro.

Agência Fapesp, 17/8


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