A disfunção renal é um forte preditor de mortalidade em insuficiência cardíaca crônica (ICC). A maioria dos pacientes com ICC tem doença vascular aterosclerótica e muitos autores têm sugerido que a função renal prejudicada é apenas um marcador de aterosclerose avançada. Em um estudo, publicado recentemente no American Heart Journal, a função renal em pacientes com ICC isquêmica e não isquêmica foi comparada e foram examinadas as associações com prognóstico e extensão da ativação neuro-hormonal.
Em um grande estudo de sobrevivência (1906 pacientes), os pacientes com doença arterial coronária (DAC; n = 995) documentada foram comparados aos pacientes com cardiomiopatia dilatada idiopática (CDI; n = 429). Em um sub-estudo menor, os neuro-hormônios plasmáticos foram determinados em 270 e 37 pacientes (com DAC e CDI, respectivamente). Todos os pacientes tinham ICC avançada (classe funcional III-IV da New York Heart Association). A média de idade basal dos pacientes foi de 64 ± 10 anos e a média de fração de ejeção do ventrículo esquerdo foi de 0,26 ± 0,08. A taxa de filtração glomerular basal (TFG) foi calculada com a Equação de Cockcroft-Gault.
A TFG foi um forte preditor para mortalidade em ambos os grupos na análise multivariada. O risco relativo foi de 3,04 para os pacientes com CDI (P 0,01 para o quartil mais baixo 53 mL/min) e de 1,81 para os pacientes com DAC (P = 0,01 para o quartil mais baixo 42 mL/min). Os neuro-hormônios plasmáticos mostraram uma relação com a TFG em ambos os grupos.
Os autores concluíram que a TFG está relacionada à sobrevivência e neuro-hormônios plasmáticos em ambos os grupos de pacientes, e que nos pacientes com CDI esta associação parece ser pelo menos tão forte quanto nos pacientes com DAC.
Impaired renal function in patients with ischemic and nonischemic chronic heart failure: Association with neurohormonal activation and survival - American Heart Journal; 2004; 148 (1): 165