biologia molecular - Evolução 7
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biologia molecular

Evolução 7

11/06/2003

Recombinação Gênica
 

Se a mutação é a fonte primária de variabilidade, a recombinação gênica é que efetivamente realiza a "mistura" entre os genes diferentes dos seres vivos. A evolução seria extremamente lenta se não houvesse um modo de reunir as mutações de diferentes indivíduos. A mutação em si é um fenômeno bem raro, e se a evolução dependesse apenas da mutação certamente não teríamos hoje em dia organismos tão bem adaptados ao seu ambiente.
 

A mutação e a recombinação agem em conjunto; a mutação modifica o DNA, e a recombinação realiza uma mistura entre as partes modificadas de dois organismos. Vamos tentar entender através de um exemplo hipotético. Você já viu que os genes se dispõe ao longo do DNA. Viu também que existem cromossomos homólogos, que contém os mesmos loci gênicos. Ou seja, em cada cromossomo homólogo encontramos a mesma disposição em seus alelos.

Para simplificar, costuma-se representar os genes com letras. Assim, cada gene diferente recebe uma letra (mas não se esqueça, isso é só uma representação). Como o gene pode se expressar em alelos, utilizamos letras maiúsculas para um alelo e letras minúsculas para o outro. Assim:

 
 


Vamos representar agora um conjunto com 5 genes, dispostos nos cromossomos homólogos:

Imagine que os genes A, B, C, D, E e F façam parte de determinada cadeia dentro de um cromossomo. Repare que nos dois braços eles são idênticos, ilustrando que ainda não houve mutação.

Em um indivíduo, uma outra mutação aconteceu, fazendo com que o gene C de um dos braços se modificasse. Agora dizemos que este gene pode se encontrar de duas maneiras: como o alelo C ou como o alelo c.

 

Em um outro indivíduo occorreu o mesmo, porém apenas com o gene F. Uma mutação gerou um alelo diferente (que representamos como f.

O que temos então? Ao longo das gerações estas mutações serão transmitidas aos descendentes, gerando a variabilidade. Mas apenas por este processo seria muito difícil se explicar a evolução. Uma mutação é um fato extremamente raro, e geralmente são necessárias muitos alelos diferentes para que possamos de fato observar uma diferença em alguma característica daquele indivíduo. Por exemplo, imagine um indivíduo com o seguinte conjunto de genes:

A - B - c - D - E - f

Como a população original era formada por ABCDEF, iríamos precisar de duas mutações, em C e em F para gerar tal indivíduo. Isso é extremamente raro. Mas a evolução encontrou uma solução para isso: a recombinação gênica. Lembra-se das mutações anteriores? Em indivíduos separados ocorreram mutações em C e em F. Após as mutações a população podia ser:

(1) ABCDEF / (2) ABcDEF / (3) ABCDEf

Através da recombinação gênica, os indivíduos representados em (2) e (3) podem gerar um outro, ABcDEf, justamente como estamos procurando. Ou seja, enquanto a mutação apenas cria uma diferença, a recombinação amplifica este efeito, reunindo diversas mutações em um único indivíduo.

Mas como ocorre este processo? Como se dá esta mágica? Bem, tudo se deve à reprodução sexuada. Vamos ser práticos para poder entender este processo. Imagine que a mutação que resultou em ABcDEF ocorreu em um macho, em um espermatozóide; já a mutação que resultou em ABCDEf ocorreu numa fêmea, em um óvulo. Estes animais copularam, durante a época da reprodução, e o espermatozóide ABcDEF encontrou o óvulo ABCDEf, resultando em um zigoto ABcDEf, como estávamos esperando.

 

Na próxima seção iremos entender como isto acontece...

 

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