Grupo nos EUA faz camundongo mutante desenvolver dois corações
Embriões de camundongo modificados geneticamente desenvolveram dois corações. Os animais mutantes foram resultado de uma pesquisa desenvolvida por uma equipe da Universidade da Pensilvânia (EUA), e publicada na revista científica "Science".
No estudo, o gene Foxp4, que regula a ativação de outros genes no camundongo, foi modificado e inserido em células embrionárias.
As duas regiões de um embrião normal que seriam destinadas a produzir o coração --que, durante o desenvolvimento, se fundem para formar o órgão com quatro cavidades--, foram separadas. Em ambos os lados, ocorreu o desenvolvimento independente de um coração, o que fez os cientistas concluírem que a união dessas duas partes do embrião não é necessária, como se imaginava.
Os dois corações do embrião mutante aparentavam ser órgãos completos, com válvulas e quatro cavidades (átrios e ventrículos).
"Os estudos indicam que as células primordiais do coração em embriões estão geneticamente programadas desde um estágio muito anterior ao que se pensava. E o conhecimento do desenvolvimento inicial do coração poderá levar a uma melhor compreensão de outros eventos que causam doenças congênitas em humanos", explicou Edward Morrisey, co-autor do estudo.
O próximo passo da pesquisa será identificar os genes que são regulados pelo Foxp4, que não se ativa em todas as células cardíacas. O objetivo agora será determinar que tipo de célula, excluindo-se o Foxp4, leva à formação de dois corações.
FERNANDA CALGARO
free-lance para a Folha de S.Paulo
BOL