biologia molecular - Evolução 15
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biologia molecular

Evolução 15

11/06/2003

 

O processo de especiação

 

Durante o processo de especiação podem se formar grupos intermediários, ou seja, populações que já são bastante diferentes geneticamente mas que ainda tem capacidade para se reproduzir gerando descendentes férteis. A estes grupos denominamos raças ou subespécies.


Isto só pode ocorrer se as duas populações estiverem de alguma maneira separadas; a troca de material genético entre elas pode até ocorrer, mas em regiões restritas. Claro, se a troca de material genético ocorresse livremente entre todos os indivíduos não teríamos a formações de diferentes raças, pois a população compartilharia um mesmo patrimônio genético. Mesmo dentro das raças a variabilidade persiste. Ou seja, um indivíduo é diferente de outro, mas faz parte da mesma raça (ou subespécie). A formação de raças é o primeiro passo para a especiação. Se o isolamento persistir, é provável que as diferenças continuem a se desenvolver, até que não permitam mais a reprodução entre as duas populações. Assim, teremos agora não mais duas raças dentro de uma mesma espécie, mas sim duas novas espécies distintas.

 

Tipos de isolamento

Já comentamos o caso em que barreiras físicas impediam a troca de material genético entre duas populações. Agora iremos analisar mais detalhadamente estas barreiras, que podem ser de natureza geográfica ou reprodutiva. Na verdade, para que se inicie o processo de especiação é preciso que estes dois grupos estejam fisicamente separados um do outro; falamos então em isolamento geográfico. Com a formação de duas novas espécies, não há mais a capacidade de cruzamento entre indivíduos das duas populações, mesmo que eles estejam em contato; falamos então em isolamento reprodutivo.

 

O Isolamento Geográfico
No isolamento geográfico as duas populações encontram-se separadas por algum tipo de barreira física. Estas barreiras podem ser de diversos tipos, como por exemplo rios, serras, montanhas que separam dois grupos, vales etc. A condição é que esta barreira separe as duas populações de modo que estas perdem a capacidade de contato. Assim, as populações ficam separadas por esta barreira. Ao final de um período de tempo, se as duas populações forem colocadas em contato, duas coisas podem acontecer:

1. Os membros das duas populações conseguem cruzar entre si, aumentando a variabilidade genética de uma única espécie

OU

2. Os membros das duas populações não conseguem mais cruzar entre si, o que caracteriza a formação de duas novas espécies.


No segundo caso, o tempo que estas duas populações permaneceram isoladas uma da outra foi suficiente para que aparecesse o isolamento reprodutivo.

 

O Isolamento Reprodutivo
É muito fácil compreender o conceito de isolamento reprodutivo. Este tipo de isolamento é o que impede que o patrimônio genético de espécies diferentes sejam compartilhados. Assim as espécies se preservam e continuam a evoluir, seguindo as leis de adaptação ao meio ambiente. Os indivíduos de espécies diferentes podem até cruzar, porém ainda assim estarão isolados reprodutivamente. Isso porque existem diferentes níveis onde este isolamento se evidencia: em alguns casos, espécies diferentes não se cruzam pois a diferença estrutural entre elas não permite tal fato; em outros casos, espécies diferentes podem até se cruzar, mas o espermatozóide não fecunda o óvulo, ou o embrião é inviável, ou o híbrido resultante é estéril. Em certos casos o híbrido pode até mesmo gerar descendentes, mas estes serão muito fracos e estéreis.


Bem, além disso existem vários fatores que impedem que os indivíduos de diferentes populações se cruzem. Vamos tentar falar algo sobre alguns deles:
Habitat: as duas populações ocupam a mesma região, mas tem habitats diferentes: imagine duas populações de insetos em uma floresta, uma que se alimenta (e vive) na copa das árvores e outra que o faz no solo. Estas duas populações estão isoladas, e não trocarão genes entre si.
Comportamental: o comportamento reprodutivo é fundamental para muitas espécies. Você já ouviu falar na corte? É um tipo de "dança" reprodutiva realizada pelo casal. Em diversas espécies só ocorre a copulação após um período de corte, que varia de acordo com a espécie. Se uma população se modificou a ponto de alterar seu comportamento de corte, provavelmente estará isolada de uma outra população. Outros comportamentos que não o de corte também influem para o isolamento reprodutivo.
Sazonal: imagine que diferentes populações ocupem a mesma área. Nada impede que elas se intercruzem, a não ser por um pequeno detalhe: a época da reprodução. Por exemplo, uma das populações pode ter o período reprodutivo de fevereiro a junho, e a outra população pode ter um período reprodutivo que vai de agosto a dezembro. Assim, estas duas populações estariam completamente isoladas uma da outra, no sentido reprodutivo.
Estrutural: neste caso a fecundação se torna impossível, pois as estruturas reprodutoras entre as duas populações são muito diferentes.
Quanto ao híbrido: se membros das duas populações copulam, podem ocorrer diversos fatos, no caso de isolamento reprodutivo:
1. Os genes estão modificados a ponto de inviabilizar o híbrido; o zigoto até se forma, mas morre em seguida;
2. O híbrido se forma e nasce, é normal em todos os aspectos, porém é infértil, não tem a capacidade de gerar descendentes;
3. O híbrido se forma e nasce, é normal e fértil. Porém os descendentes deste híbrido são fracos e estéreis.

Estes são alguns aspectos do isolamento. Todos eles podem ser observados no mundo todo, ao observarmos espécies que são próximas e que tem reconhecidamente um mesmo ancestral comum.

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