biologia molecular - Evolução 17
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biologia molecular

Evolução 17

11/06/2003

Um fator essencial para que essa vocalização pudesse existir é uma pré-adaptação para esta característica. Mas o que é uma pré-adaptacão? Muito simples, são estruturas que já existem naquela espécie e que permitem que o animal tenha sucesso no novo ambiente. No exemplo da vocalização deste ancestral humano, ele já possuía todo um sistema de vocalização, toda uma estrutura física (garganta, glote, estruturas para passagem do ar etc). Ele só pôde desenvolver a linguagem pois já possuía estas estruturas, que chamamos de pré-adaptações (no caso, pré-adaptacões para a linguagem).

Citando um outro exemplo prático, observemos as abelhas: elas também vivem em grupo e precisam se comunicar, mesmo assim não desenvolveram nenhuma estrutura de vocalização ou de comunicação sonora. Também, elas não tinham pré-adaptações para isso. Elas se comunicam por meio de sinais químicos, através de estruturas desenvolvidas a partir de pré-adaptações específicas. Sempre que analisamos uma determinada adaptação em um animal, devemos tentar buscar a pré-adaptação que possibilitou o aparecimento daquela característica.

Bem, mas voltando ao caso da evolução humana. Existia uma pré-adaptação estrutural, o que permitia que o ancestral do homem pelo menos grunhisse. Então, os grupos onde essa comunicação sonora ocorria foram favorecidos, e assim, selecionados. Ao longo das gerações, os grupos que possuíam uma melhor vocalização foram gradativamente sendo selecionados, enquanto que os outros acabavam desaparecendo, à mercê de predadores.

O próprio ambiente de campo onde viviam estes grupos era bem mais hostil do que os bosques, contendo um maior número de variáveis. Nas árvores o alimento é bem mais abundante do que em um campo aberto. Imagine que para se obter a mesma quantidade de alimento encontrada facilmente em 10 metros quadrados na floresta, agora seriam necessários 10.000 metros quadrados nos campos abertos.

O bipedalismo ajudaria na cobertura destas extensas áreas, ao mesmo tempo que liberava os membros anteriores destes animais (braços e mãos) para tarefas de recolher frutas e manusear alimentos. Deste modo, os indivíduos que tinham mais habilidade em lidar com o alimento foram favorecidos, e deixaram mais descendentes, tendo maior sucesso evolutivo. Chamamo isso de uma "pressão positiva" para os mais habilidosos. Ou seja, aqueles que tivessem mais habilidade teriam vantagem em relação aos que não tivessem tanta habilidade, e prevaleceriam em termos de evolução.

As estruturas da mão também iam sendo selecionadas. A cada geração as estruturas se modificavam, devido à variabilidade. Porém, determinadas estruturas facilitavam o manuseio do alimento, gerando maior habilidade. Estas estruturas eram selecionadas, e assim os membros anteriores foram lentamente se modificando, culminando com a estrutura que conhecemos, ou seja, o polegar em oposição aos outros dedos, fornecendo uma maior firmeza e precisão nos movimentos. Isso permitiu que, além de manusear os alimentos, o homem começasse a segurar galhos no chão, pedras e outros objetos, e mais para a frente começasse a utilizar ferramentas.

Todos estes fatores em conjunto resultaram em um cérebro mais desenvolvido.
Não deve ser deixado de lado também os custos de se ter um cérebro maior. Sim, pois o cérebro consome muita energia. Apenas para se ter uma idéia, o nosso cérebro, em termos energéticos, custa 3 vezes mais do que um cérebro de um chimpanzé, e 22 vezes mais do que um tecido muscular em repouso. A Taxa Metabólica Específica (por grama) é nove vezes maior do que o resto do corpo, como um todo (e ainda assim tem gente que não usa...)

Mas falando sério, para bancar este grande gasto os nosso ancestrais tinham que ter uma dieta de melhor qualidade proteica e energética. A mudança de dieta retroalimenta a expansão cerebral; isto significa que para manter o cérebro nosso ancestrais tinham que comer melhor (no bom sentido, claro) tendo que apresentar portanto um comportamento forrageador (de busca de alimento) mais complexo e eficiente, que por sua vez fazia uma pressão seletiva para a expansão cerebral. Uma coisa leva à outra...


Mas existem outras restrições para o aumento do cérebro, além do alto custo energético. Uma restrição é o tamanho da pélvis (bacia) das fêmeas. Para nascer o feto deve passar pela junção pélvica da fêmea, e para isso a cabeça não pode ser muito grande. Uma característica relacionada à esta restrição é a continuação de crescimento de cérebro mesmo depois do nascimento. Isso faz com que o bebê seja extremamente dependente da mãe, mas por outro lado gera uma flexibilidade tremenda, pois o cérebro vai crescendo (e montando as ligações entre os neurônios) sempre se ajustando ao ambiente, facilitando o aprendizado direto ainda na formação cerebral.

Isto pode ser verificado com os seguintes dados:
- humanos tem ao nascimento cerca de 25% do peso do cérebro de um adulto; aos quatro anos de idade esse valor é de 84,1%.
- Chimpanzés nascem com 47% do peso do cérebro de um adulto, e aos quatro anos já tem 100% do peso total.

Com isso percebemos que outra restrição de um cérebro muito grande e flexível é a redução da taxa reprodutiva pois os pais devem cuidar mais dos filhotes, durante um período de tempo maior.

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