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O ministro da Saúde, Humberto Costa, abre nesta sexta-feira (10/09), às 15h, as comemorações da Semana Mundial da Amamentação no Instituto Fernandes Figueira (IFF), unidade da Fiocruz, no Rio de Janeiro. A atriz Maria Paula, mãe da pequena Maria Luísa e atual garota-propaganda da campanha pró-aleitamento, também é presença confirmada na cerimômia. O Governo Federal mantém hoje iniciativas como o Programa Fome Zero para a erradicação da fome e da exclusão social no Brasil. E o Ministério da Saúde faz a sua parte, estimulando o consumo daquele alimento que, além de ser o mais nutritivo para a criança, é gratuito: o leite materno, que também protege o bebê contra doenças como diarréia e pneumonia.
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Peter Illicciev/Fiocruz |
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Maria Paula está feliz da vida, assim como a bancária Camila Chaves Moraes, de 26 anos, que há cerca de três meses deu à luz pela primeira vez. Mas o seu rebento Igor chorou de fome nas primeiras horas após o nascimento: por mais que o bebê fizesse a sucção, o leite de Camila não vinha. "Fiquei desesperada, porque sabia da importância de amamentar meu filho", lembra. Diferentemente de muitas mães, que desistem logo na primeira dificuldade, a bancária continuou insistindo em amamentar Igor. "O leite veio no segundo dia após o parto. Depois de uma semana, a quantidade já era muita", comemora.
Foi quando Camila assistiu a uma reportagem na televisão sobre bancos de leite humano. Adorou a iniciativa e lembrou-se de uma prima que, 22 anos atrás, precisou da doação de leite por ter nascido prematura. Tomou, então, uma decisão solidária. "Incentivada por minha mãe, entrei em contato por telefone com o IFF e fui orientada sobre como proceder para coletar e doar meu leite. Já doei um vidro e funcionários do Instituto devem, em breve, passar aqui em casa para buscar mais dois", conta. O marido de Camila temeu que faltasse alimento para Igor, mas depois apoiou a atitude da esposa. "Meu filho está cheio de saúde e fico muito satisfeita por contribuir para que outras crianças cresçam tão saudáveis quanto ele", orgulha-se a bancária.
A decisão de Camila de doar seu leite foi tão acertada quanto à escolha do IFF para sediar a abertura oficial da Semana Mundial da Amamentação, cujo tema em 2004 é "Amamentação exclusiva: segura e sustentável". Afinal, se hoje é crescente o número de mulheres cientes da importância para o recém-nascido do aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida, o Banco de Leite Humano do IFF tem grande parcela de responsabilidade nisso. O sucesso das iniciativas desse banco pode ser contabilizado. Só no primeiro semestre de 2004, foram coletados mais de 1.900 e doados quase 1.300 litros de leite humano. Mas o trabalho não se resume à coleta e à distribuição do alimento. A equipe do banco do IFF também se destaca pela orientação dada às mulheres sobre o aleitamento: só este ano já foram feitos mais de dois mil atendimentos individuais e quase 340 em grupo.
IFF é modelo
Com base nos modelos americano e europeu, manter um banco de leite humano era muito caro. Mas, a partir de 1985, a Fiocruz iniciou uma nova fase, desenvolvendo metodologias alternativas eficientes e de baixo custo para a implementação de bancos adequados à realidade do Brasil. Os louros desse trabalho vêm sendo colhidos há tempos. Elogios à experiência brasileira já foram feitos pela Human Milk Bank Association of North America e também já apareceram estampados no Journal of Human Lactation. Ganhador do Prêmio Sasakawa de Saúde, o Banco de Leite Humano do IFF é hoje considerado referência não só no Brasil como fora dele. Ele mantém acordos de cooperação com a França e com a América Latina.
"Ajudamos a instalar um banco na principal maternidade do Uruguai e continuamos oferecendo suporte técnico a esse país. Também já estabelecemos um convênio com o Equador, onde o primeiro banco está prestes a entrar em funcionamento. E, com a Venezuela, temos uma parceria mais antiga. Lá, já participamos da implementação de cinco bancos e o projeto prevê a criação de outros 13", entusiasma-se o médico João Aprígio Guerra, diretor do banco do IFF e coordenador da Rede Nacional de Bancos de Leite Humano (RNBLH), que conta atualmente com cerca de 170 unidades espalhadas por todo o país.
No modelo clássico de um banco de leite humano, as embalagens para o leite coletado pesavam - e muito - no orçamento. A Fiocruz começou, então, a estudar formas alternativas de acondicionar o alimento. "Descobrimos que as embalagens tradicionais podiam ser substituídas por frascos de vidro de maionese ou Nescafé, estes com um custo 60% menor", comenta Aprígio.
A equipe da Fiocruz também verificou que os equipamentos sofisticados para a pasteurização do leite (processo pelo qual qualquer microrganismo é inativado) podiam ser trocados por um banho-maria com características especiais. "Com essa troca, o gasto com a aparelhagem, antes importada, caiu de US$ 17 mil para US$ 2 mil", contabiliza Aprígio. A Fiocruz investiu ainda no controle de qualidade. E os resultados foram igualmente animadores. "O custo de uma análise microbiológica passou de dezenas de dólares para centavos de real", diz o médico. |