Drogas/Vício - Na periferia, anabolizantes são ainda mais perigosos
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Drogas/Vício

Na periferia, anabolizantes são ainda mais perigosos

28/09/2004



Uso da mesma seringa e de produtos veterinários aumentam riscos entre jovens de baixa renda.


As realidades socioeconômicas distintas resultaram também em uma motivação diferente: nos bairros pobres, os jovens buscam aumentar a massa muscular e ter uma aparência mais forte por defesa. Para eles, o visual "marombado" é, além de um valor estético, uma proteção contra a própria violência na qual estão imersos.

Campanha - "A academia é o local de onde se dissemina essa cultura do culto ao físico, com os caminhos para ganhar músculos rapidamente. É lá que os jovens conhecem as substâncias e aprendem a aplicá-las, correndo os mesmos riscos dos usuários de drogas injetáveis.

Tornaram-se um problema de saúde pública", explica Fábio Mesquita, responsável pelos programas da Secretaria Municipal de Saúde. Segundo ele, a Prefeitura está preparando uma campanha voltada para esses consumidores.

O alerta foi dado quase sem querer, durante um programa de redução de danos com consumidores de drogas em Salvador. Ao distribuir seringas para evitar a contaminação por HIV e hepatite, agentes de saúde depararam com jovens de classe baixa que injetavam esteróides para aumentar a massa muscular. Uma só agulha para um grupo inteiro.

"Isso aconteceu em 1998 e foi quando resolvemos nos aproximar dessa situação", explica o médico e psicanalista Tarcísio Andrade, coordenador do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (Cetad), programa da Universidade Federal da Bahia com a Secretaria de Saúde do Estado. Se na época eram raros, atualmente, explica Andrade, o programa atende um número igual de consumidores de anabolizantes e de cocaína. "Observamos que o consumo desses anabolizantes está crescendo ano a ano."

No contexto de Salvador, a pesquisa observou que ocorre um aumento de consumidores em setembro e outubro. A preocupação é com o visual que vão exibir no verão e, principalmente, no carnaval. "Eles querem ser admirados, mas assim também conseguem emprego de vigia e segurança em casas noturnas e nos blocos de carnaval."

Por um fio - Enfarte, aumento do colesterol, câncer de fígado e próstata, impotência e esterilidade. Também dores de cabeça, desmaios, acne, irritabilidade e agressividade. São todos riscos ligados ao consumo descontrolado dos hormônios derivados da testosterona.

"São remédios vendidos com receita e usados para diversos tratamentos. O problema é que os jovens conseguem comprar sem controle em farmácias e tomam doses muito altas. Há ainda os produtos veterinários, que não passam pelo mesmo controle e são mais fortes", diz o médico Turíbio Leite Barros Neto, do Centro de Atividade Física e do Esporte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Outro problema é a dependência da substância, uma vez que o processo se inicia. "Para manter aquela aparência, eles precisam de um uso contínuo, senão o músculo volta ao normal. É um caminho sem volta." Mesmo assim, para o médico, não é falta de informação que faz os jovens entrar nesse círculo.

Há causas mais complexas e subjetivas.

"São pessoas que tentam compensar no corpo suas carências internas.

Indivíduos aparentemente fortes, agressivos, na verdade são pessoas frágeis, que compensam sua baixa auto-estima na aparência exterior. E, aí, esse visual forte é confundido com o de uma pessoa saudável, imune aos riscos", analisa Andrade. Pelas entrevistas que realizou com esses rapazes, o médico concluiu que eles procuram responder, transformando-se em "marombados", ao corpo musculoso e forte propagado como ideal pela sociedade.

UTI - O estudante Pedro Henrique do Carmo, de 15 anos, um dos seis jovens de Padre Bernardo (GO) que injetaram nas veias anabolizante de engordar gado, teve alta ontem da UTI do Hospital de Base de Brasília. A polícia ouviu a mãe de Jackson Vieira, de 21 anos, morto depois de injetar nandrolona. O delegado Rodrigo Fontoura de Carvalho já tem o nome do morador de Brazlândia, cidade do Distrito Federal, que teria vendido a substância aos jovens.

Fonte: IDEC
Data: 15/09/2004


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