A cirurgia de aneurisma de aorta abdominal (AAA) envolve isquemia e reperfusão das extremidades inferiores, porém a avaliação das alterações patofisiológicas ainda é difícil. Em um artigo publicado recentemente na revista Surgery Today, os autores avaliaram a extensão e o tempo de curso da lesão de isquemia-reperfusão das extremidades inferiores durante a cirurgia de AAA.
Para monitorizar o metabolismo de oxigênio, dois probes de espectroscopia de infravermelho próximo (EIVP) foram posicionados sobre cada músculo da panturrilha de nove pacientes submetidos à cirurgia de AAA. Os níveis de lactato e o pH foram medidos em ambas as veias ilíacas.
Os sinais da espectroscopia de infravermelho próximo responderam sensivelmente ao clampeamento aórtico. O lactato aumentou gradualmente e exponencialmente durante o clampeamento aórtico e a reconstrução da primeira artéria ilíaca resultou em um posterior mas transitório aumento do lactato venoso ipsilateral. O tempo de curso do nível de pH após o desclampeamento foi quase uma imagem em espelho do lactato. A reconstrução da primeira artéria ilíaca não alterou os sinais da EIVP contralateral, do lactato ou do pH.
Os autores concluíram que a espectroscopia de infravermelho próximo pode ser útil para monitorizar a isquemia do membro durante a cirurgia de AAA. O aumento transitório do lactato e a redução transitória do pH após o primeiro desclampeamento pode contribuir para o mecanismo de choque de desclampeamento. O fato do primeiro desclampeamento não ter alterado os valores mensurados no outro lado mostra que a isquemia contralateral progride constantemente após a reconstrução da primeira artéria ilíaca. Portanto, a reconstrução da segunda artéria ilíaca deveria ser feita tão logo que possível.
Ischemia and Reperfusion During Abdominal Aortic Aneurysm Surgery - Surgery Today - 2004; 34(10):832-836