Pesquisadores ligados à Universidade de Siena e à University of Reading publicaram, recentemente, no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, um estudo em que mediram as concentrações plasmáticas de dois neurohormônios placentários, o fator liberador de corticotropina (CRF) e da proteína ligada ao fator liberador de corticotropina (CRF-BP), e sua relação prognóstica com a pré-eclâmpsia no terceiro trimestre de gestação.
Foram avaliadas 58 gestantes, consecutivamente atendidas entre a 28ª e 29ª semanas de gestação, que apresentavam risco de pré-eclâmpsia. Os limites definidos para valores alterados dos níveis de CRF e de CRF-BP para predição de pré-eclâmpsia no terceiro trimestre de gestação foram escolhidos através da análise da curva ROC (receiving operator characteristics), e a probabilidade de desenvolvimento de pré-eclâmpsia foi calculada para várias combinações de resultados de testes de hormônios.
Níveis de CRF e de CRF-BP estiveram significativamente aumentado e diminuído, respectivamente (p<0,0001), em pacientes (n=20) que posteriormente desenvolveram pré-eclâmpsia, comparados aos níveis verificados em pacientes que não desenvolveram pré-eclâmpsia no seguimento. CRF com limiar igual a 425,95 pmol/L apresentou sensibilidade igual a 94,8% e especificidade de 96,9%, enquanto que, com limiar de CRF-BP, verificou-se sensibilidade e especificidade de, respectivamente, 92,5% e 82,5% para predição de pré-eclâmpsia no terceiro trimestre da gestação. A probabilidade de desenvolvimento de pré-eclâmpsia foi igual a 34,5% em toda a população em estudo, 93,75% quando os valores de CRF e de CRF-BP estiveram alterados, e de 0% quando os dois marcadores hormonais estiveram inalterados.
Portanto, os pesquisadores concluíram que a medida dos níveis de fator liberador de corticotropina e da proteína ligada ao fator liberador de corticotropina permite predizer ocorrência de pré-eclâmpsia no terceiro trimestre da gestação.
The Measurement of Maternal Plasma Corticotropin-Releasing Factor (CRF) and CRF-Binding Protein Improves the Early Prediction of Preeclampsia - The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism; 2004; 89(9): 4673-4677