Obesidade:Adulto/Infantil/Bariátrica - Biologia das gorduras
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Obesidade:Adulto/Infantil/Bariátrica

Biologia das gorduras

30/12/2004

Conceitos de biologia em relação às gorduras

O papel das células

O corpo humano é formado por mais de 75 trilhões de células, unidades microscópicas, mas que contêm estruturas complexas que desempenham funções vitais. Para isso, elas precisam de energia, que provém das calorias absorvidas na alimentação. Dentro desse rol gigantesco de células, algumas são especializadas, desenvolvendo atividades específicas, como as células de absorção e as células gordurosas (adipócitos), imprescindíveis para a digestão e o armazenamento da gordura, respectivamente.

Células de absorção

Uma vez terminada a digestão dos alimentos, estes são absorvidos pelo organismo. No caso das gorduras, esse processo é feito no interior do intestino delgado, que apresenta protuberâncias minúsculas, chamadas de vilosidades, que participam da absorção dos nutrientes. Há também as microvilosidades, que são protuberâncias muito diminutas que contribuem para o transporte dos nutrientes, como as gorduras, da luz do intestino para a corrente sangüínea.

Células gordurosas

São chamadas de células gordurosas ou adipócitos, aquelas que armazenam gorduras dentro do corpo e as liberam quando for necessário. A energia é armazenada na forma de triglicérides, que são moléculas de lipídios compostas basicamente por gordura.

Distribuição anatômica da gordura

Em pessoas com peso normal, a maior parte do tecido adiposo está localizado sob a pele, atuando como protetor contra a perda de calor, o que é chamada de gordura subcutânea. Os indivíduos com sobrepeso ou obesos, além da gordura subcutânea, carregam tecido adiposo na região abdominal, o que representa uma importante reserva de energia, chamada de tecido adiposo visceral, mas que contribui para muitas das doenças associadas à obesidade.

Maçãs ou peras

Quando o tecido adiposo acumula-se predominantemente na região abdominal, há um predomínio da gordura visceral e diz-se que a pessoa apresenta obesidade do tipo andróide ou tipo "maçã". Se a tendência é acumular gordura na região dos quadris e coxas, a obesidade é classificada como ginecóide ou tipo "pera". (Ver "Distribuição Regional de Gordura" em "O que é ser obeso").

Observe-se no espelho com atenção e identifique a qual grupo você pertence. Cabe lembrar que as pessoas com o perfil em formato de maçã têm mais facilidade de desenvolver outras doenças, como problemas cardiovasculares, pois a gordura visceral, ao contrário da subcutânea, dirige-se diretamente para o fígado antes de circular até os músculos, podendo causar resistência à insulina, levando à hiperinsulinemia, que são níveis elevados de insulina, aumentando assim o risco de diabetes mellitus tipo II, hipertensão e doenças cardiovasculares.

Balanço Energético

Entende-se por ganho de peso, o acúmulo de gordura corpórea, ou seja, quando uma pessoa ingere uma quantidade maior de calorias do que a que ela vai gastar em sua atividade física diária, dando origem a um equilíbrio energético positivo. A obesidade ocorre exatamente quando a ingestão da energia excedeu o seu gasto por um longo período de tempo.

Podemos definir então, três fases do ganho de peso:
Etapa Ideal Quando a ingestão de energia equivale ao gasto, mantendo o peso inalterado.
Fase Dinâmica A ingestão de energia é maior que o gasto, levando ao aumento do peso, em um processo que pode durar anos, se a pessoa continuamente tenta perder peso.
Obesidade Estática Ocorre quando a ingestão de energia e o seu gasto se igualam, mas em um nível mais alto do que antes. Ao tentar perder o excesso de peso, a pessoa se depara com um problema que antes não havia, que é a diminuição do índice metabólico (isto é, do gasto de energia do corpo), visto que o organismo tenta manter seu novo peso.

Taxa Metabólica ou Termogênese

O total de energia ingerida por uma pessoa é composta de todo o alimento e dos líqüidos com valor calórico que ela consome. Já a energia gasta pode ser dividida em dois tópicos:
Índice Metabólico Basal (IMB) - que é a energia gasta para a manutenção da vida
Termogênese da dieta - aumento no IMB necessário para a digestão, atividade física e atividades habituais

A atividade física para uma pessoa que é relativamente sedentária pode contribuir com 20 a 30% do total diário de dispêndio de energia, enquanto que para aquela que é muito ativa fisicamente, essa contribuição gira em torno de 40 a 50%. A Taxa Metabólica, deve contabilizar o total de calorias diárias a ser consumidas considerando dados como sexo, idade e atividade física.

Fatores Ambientais

Afora a propensão genética, alguns fatores ambientais podem frustrar as tentativas de manter um programa de controle do peso. A modernização é um deles, com toda a gama de recursos tecnológicos que, se por um lado possibilitam mais conforto, acabam reforçando o sedentarismo. De outro lado, a grande avalanche de produtos saborosos e fáceis de fazer, perfeitamente acessíveis e econômicos, que bombardeados a todo instante na mídia, seja em revistas, televisão ou outdoors, numa simulação tão perfeita de suas qualidades, que é quase possível sentir o cheiro e o gosto apenas em ver as imagens. Outros aspectos típicos da vida nas grandes metrópoles exercem considerável influência nesse processo rumo à obesidade. É certo que a população urbana é mais alta e mais pesada, totalizando um IMC maior do que o encontrado na população rural, que pelas próprias características profissionais, movimenta-se e exercita-se diariamente. Seja qual for a opção, perder peso exige uma real mudança de comportamento e nos hábitos alimentares, para reverter um quadro que acaba tornando-se estável e que só contribui para o aumento do problema.

Xenical


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