Gastroenterologia/Proctologia/Fígado - O que é a Cirrose Hepática
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Gastroenterologia/Proctologia/Fígado

O que é a Cirrose Hepática

09/01/2005
 
Os dados aqui contidos são para informação geral, e não são nem servem como um substituto para uma recomendação médica. Você deve contatar seu médico particular ou um serviço de saúde com todas as suas perguntas sobre sua saúde, tratamento ou cuidados.


INTRODUÇÃO


Cirrose é o termo usado para descrever um fígado doente que apresenta lesão cicatricial grave, geralmente causada por muitos anos de agressão contínua. O fígado é um órgão grande (que pesa aproximadamente 1,5 Kg) que está situado no abdomen superior direito, abaixo do gradeado costal. Ele executa muitas funções que são essenciais à vida incluindo:



• Detoxificação do sangue
• Metabolização de remédios
• Produção das proteínas do sangue que são essenciais para coagulação normal do sangue
• Produção de albumina, uma proteína necessária à manutenção do balanço normal de fluidos no corpo
• Produção de líquidos e enzimas necessárias para uma digestão normal


O fígado é muito eficiente em reparar-se quando lesado, o que pode ocorrer com determinadas doenças como a hepatite. O processo de cicatrização envolve a criação do tecido da cicatriz. Assim, lesões repetidas ou contínuas ao fígado (como ocorre com uso pesado do álcool) pode formar cicatriz no fígado. O corpo pode tolerar um fígado “parcialmente cicatricial” sem conseqüências sérias. Entretanto, eventualmente, a formação de cicatriz pode tornar-se exagerada a tal ponto que o fígado pode um não mais conseguir executar suas funções normais.


Concluindo, e em resumo, a cirrose é uma doença crônica e degenerativa do fígado que envolve a formação de tecido fibroso (cicatricial) e formação de nódulos os quais, em última análise, determinam a destruição da arquitetura normal do órgão com conseqüente comprometimento de sua função.


QUAIS AS CAUSAS DA CIRROSE?


A cirrose tem muitas causas. É importante encontrar a causa de sua cirrose, já que o tratamento e o prognóstico pode variar segundo a etiologia ou doença de base. A maioria das causas (95%) pode ser identificada com teste específico. Nos restantes 5% dos pacientes, em que a causa é desconhecida, diz-se tratar-se de cirrose criptogênica (ou criptogenética ou idiopática).


As causas mais freqüentes de cirrose incluem:
• Abuso de álcool
• Hepatite crônica (B ou C)


As causas menos comuns incluem:
• Hemocromatose (uma condição em que há acúmulo de ferro no corpo)
• Esteato-hepatite não-alcoólica (uma circunstância em que gordura e tecido de cicatriz se acumulam no fígado por razões ainda mal compreendidas)
• Hepatite auto-imune (uma circunstância em que o sistema imunológico do organismo reage contra o próprio fígado)
• Colangite esclerosante primária (uma doença dos grandes canais biliares)
• Cirrose biliar primária (uma doença dos pequenos dutos biliares)
• Doença de Wilson (uma doença rara do metabolismo do cobre)
• Atresia das vias biliares (uma doença dos dutos biliares nas crianças)
• Doenças mais raras do metabolismo



QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA CIRROSE?


Pessoas com cirrose podem não ter sintoma algum, podem ter os sintomas relacionados à causa subjacente da doença hepática, ou mesmo desenvolver os sintomas relacionados diretamente à cirrose.


Sintomas devido à doença hepática de base - algumas das causas específicas da doença de fígado têm determinadas características ou sintomas que podem persistir após o desenvolvimento da cirrose. Como exemplos, as doenças causadas por dutos biliares danificados (tais como a cirrose biliar primária e a colangite esclerosante primária) são associadas geralmente com prurido, que pode ser severo. Os pacientes com colangite esclerosante podem desenvolver icterícia, um amarelamento da pele e dos olhos devido aos dutos obstruídos, mesmo antes de haver cirrose estabelecida. A fadiga é muito comum em muitas doenças crônicas do fígado sem cirrose.


Sintomas devidos especificamente à cirrose – muitas pessoas que desenvolvem a cirrose não têm qualquer sintoma ou têm somente a fadiga, que é muito comum. Entretanto, com a progressão da cirrose, os sintomas invariavelmente aparecem, já que o fígado pode não mais executar suas funções normais. O grau em que isto ocorre depende da doença hepática subjacente, dos tratamentos disponíveis, e de fatores individuais. Em alguns pacientes, os sintomas podem não aparecer por anos, mesmo depois que o fígado já se tornou cirrótico. Em outros, os sintomas podem jamais surgir se a causa da doença do fígado puder ser eliminada.



• A cicatrização formando nódulos dificulta a passagem do sangue através do fígado. Em conseqüência, as veias em outras partes do corpo fora do fígado, que não são acostumadas a carregar volumes grandes do sangue, tornam-se engurgitadas (estas formações de sangue anormalmente expandidas são chamadas varizes). Um local onde as varizes são geralmente encontrados é o esôfago, o tubo que conecta a boca com o estômago. Quando a pressão nas varizes alcança um determinado nível, seu rompimento pode causar sangramento maciço.



• O fígado cirrótico e sua capacidade diminuída em produzir proteínas do sangue determina um acúmulo de líquidos no corpo, tipicamente nas pernas e pés (edema) e no abdome. (ascite). A ascite faz com que a barriga aumente. A ascite é também um meio rico para que bactérias cresçam, e a infecção da ascite (que é uma complicação grave) é chamada "peritonite bacteriana espontânea".



• Os pacientes com cirrose têm tendência a sangramento. Isto é um resultado de dois fatores: Primeiramente, os níveis das células de sangue (plaquetas) que são essenciais para a formação do coágulo podem estar severamente diminuídos. Em segundo, determinadas proteínas do sangue feitas pelo fígado (chamados fatores de coagulação) estão diminuídas.



• A inabilidade em filtrar toxinas corretamente pode conduzir a uma circunstância chamada "encefalopatia hepática." Nos estágios iniciais de encefalopatia, os sintomas podem ser discretos ou difíceis de perceber, como dormir perturbado ou inversão do ritmo do sono (ter sono e/ou dormir durante o dia e insônia à noite). A encefalopatia hepática avançada está associada a confusão e, mesmo, o coma. Encefalopatia pode ser precipitada por sangramento ou infecção.



• Os pacientes com cirrose têm comprometimento da função de seu sistema imune e são, conseqüentemente, propensos a infecções bacterianas.



• A má-nutrição é muito comum nos pacientes com cirrose. Pode ser facilmente visível a perda de massa muscular nas têmporas e nos braços.



• Muitos pacientes com cirrose têm algum grau de icterícia. O exato grau da icterícia é determinado por um exame de laboratório chamado de bilirrubina total. Uma bilirrubina total normal é menor do que 1 mg/dL. Uma vez que a bilirrubina alcança entre 2,5 a 3 mg/dL, os brancos dos olhos tornam-se amarelos. Níveis mais elevados são associados com amarelamento de toda a pele.



• Pessoas com cirrose têm risco elevado de desenvolver câncer de fígado (carcinoma hepatocelular). O risco depende, em parte, da causa subjacente da cirrose.




COMO A CIRROSE É DIAGNOSTICADA? - uma variedade de diferentes testes é usada confirmar a presença da cirrose e estabelecer a causa subjacente. Outros testes são úteis para determinar a severidade da cirrose e para selecionar as complicações possíveis desta circunstância.


Biópsia do fígado - a melhor maneira de confirmar se você está ou não com cirrose é uma biópsia do fígado. É executada geralmente através de uma agulha especial, e detalhes a respeito estão descritos em outra parte



Exames de imagem - uma variedade de exames de imagem, tais como tomografia computadorizada, ultra-som, ou ressonância nuclear magnética, pode sugerir a presença da cirrose por causa da aparência do fígado ou por causa do achado de complicações, tais como varizes ou ascite. Entretanto, é importante salientar que estes testes não podem substituir uma biópsia do fígado, que fornece a informação mais completa sobre o que está acontecendo a seu fígado em nível celular.


Exame físico - os pacientes com cirrose podem ter vários achados sugestivos num exame físico. Estes incluem:


• Icterícia (coloração amarelada)
• Abdomen globoso pela presença de líquido (ascite)
• Circulação colateral (veias tortuosas e dilatadas, visíveis por transparência no abdome)
• Hepatomegalia (fígado aumentado) e/ou Esplenomegalia (baço aumentado)
• Edema
• Ginecomastia ou “mamas aumentadas” (nos homens)
• Eritema palmar
• “Spiders” (ou telangiectasias ou aranhas vasculares), geralmente no tórax e nas costas
• Redução da massa muscular
• Atrofia testicular
• “Flapping”, o agitar espontâneo das mãos em “bater de asas” quando as palmas são hiper-estendidas para trás – fenômeno também conhecido como “asterixis”, é característico da presença de encefalopatia hepática.


Exames de laboratório - os testes de laboratório revelam, freqüentemente, a presença de características típicas da cirrose, tais como provas bioquímicas anormais do sangue, taxas baixas de proteína, de contagens de plaquetas baixas, e eventualmente bilirrubina aumentada. Entretanto, estes testes podem ser normais em pessoas com cirrose avançada. Exames podem freqüentemente revelar a causa ou etiologia da cirrose.



QUÃO GRAVE É A CIRROSE? - nem todas as pessoas com cirrose são semelhantes. A severidade da cirrose pode variar. Classificamos a severidade das cirroses de acordo com um sistema conhecido como classificação de Child-Pugh, que é usado há muitos anos. Esse sistema reconhece três graus de severidade (A, B, e C) baseados no grau de anormalidade em testes de sangue e na presença dos sintomas tais como ascite ou encefalopatia. As pessoas com formas menos graves de cirrose geralmente têm poucos sintomas e são menos propensas a desenvolver as principais complicações da cirrose.



TRATAMENTO - os principais avanços no tratamento da cirrose foram conseguidos nas últimas poucas décadas. Em detalhes, o reconhecimento das complicações da cirrose conduziu aos tratamentos específicos visando impedir que os mesmos ocorram. A isso dá o nome de profilaxia. Além disso, melhores alternativas de tratamento estão disponíveis para aqueles que desenvolveram complicações. Um dos maiores avanços é o transplante fígado, um procedimento em que o fígado doente é substituído com um fígado saudável novo. Alguns dos outros avanços incluem:


• O uso de determinados medicações (tais como beta bloqueadores) que podem ajudar reduzir a pressão dentro dos varizes e diminuir, desse modo, a possibilidade de sangramento.


• Reconhecimento precoce da peritonite bacteriana espontâneo, que permite não somente o tratamento mas a prevenção em alguns casos.


• O desenvolvimento de um procedimento chamado "TIPS" (abreviação em inglês de transjugular internal porto-systemic shunt)em que a pressão dentro das varizes é diminuída pelo implante de um dispositivo dentro do fígado que desvia o sangue da veia porta. TIPS são geralmente reservados para pacientes com sangramento de varizes em que outras medidas não controlam o sangramento. TIPS podem também trazer benefício aos pacientes com ascite que não podem ser controlados com medicações.


• O desenvolvimento dos tratamentos para a encefalopatia hepática.


• O desenvolvimento de tratamentos específicos para várias doenças do fígado.


Medidas gerais para pacientes com cirrose - Os pacientes com cirrose devem ser vistos regularmente por seu médico, que o monitorará para o desenvolvimento ou a presença das complicações.


Na maioria de casos, devem receber as seguintes medidas de saúde gerais:


Vacinação - Os pacientes com cirrose devem tipicamente ser imunizados para: hepatites A e B, Pneumococo (a cada 5 anos) e gripe anualmente.

CIRROSE HEPÁTICA
Foto de fígado com cirrose. CLIQUE NA FOTO para ver o fígado cirrótico em maior aumento (durante transplante de fígado.

www.figado.com.br

 


IMPORTANTE

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