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A escolha de um instrumento para mensurar a dor deve, antes de tudo, ser de fácil aplicabilidade e adequar-se ao nível de compreensão do paciente. Oferecer ao paciente uma "linguagem" para se fazer ser bem compreendido é muitas vezes o "elo" que falta entre o cuidador e a equipe de terapeutas da dor, uma vez que o cuidador, muito comumente, assume a função de "filtro" do paciente, que torna-se indefeso ao seu julgamento. Um exemplo comum deste fato é traduzido pelo "poder" de julgamento a que o cuidador tem direito, ao ser prescrita medicação com a condição de ser administrada "se necessário". É comum que o cuidador não julgue "necessário" administrar a medicação solicitada pelo paciente, ou mesmo que se utilize de alguma substância desprovida de atividade analgésica, tentando "enganar" (ou "testar") o paciente, para averiguar se o mesmo ainda reclamará de dor. Nesses casos, cerca de 40 a 50% dos pacientes realmente apresentarão suas dores melhoradas ou resolvidas, o que, se pela avaliação leiga do cuidador pode ser interpretado como "manipulação" ou "dependência da medicação", é explicado cientificamente pelo que chamamos de efeito placebo, isto é, a confiança do paciente no médico e/ou cuidador é tão plena que o simples fato de oferecimento de um "remédio" (mesmo que desprovido de atividade analgésica) libera substâncias que o próprio organismo do paciente produz, como por exemplo as endorfinas, suficientes para alívio álgico imediato. Muitas vezes, o medo da injeção de medicamento através de uma agulha ou mesmo o sofrimento antecipado gerado pela expectativa de ser submetido a procedimento específico de combate a dor pode gerar seu alívio, através da chamada "analgesia de stress". Nestes casos, a substância que o corpo produziu para gerar analgesia foi a adrenalina.
Os instrumentos para mensurar a dor podem ser uni ou multidimensionais. As Escalas de intensidade pertencem ao primeiro grupo, pois avaliam somente uma das dimensões da experiência dolorosa. Destacam-se, entre as escalas unidimensionais, a Escala Numérica, graduada de 0 a 10, onde 0 significa ausência de dor e 10 significa a pior dor imaginável, e a Escala Visual Analógica, que consiste de uma linha reta, não numerada, com indicações de "sem dor" e "pior dor imaginável" nas extremidades. No entanto, a experiência dolorosa é evento muito mais amplo, não se resumindo apenas a intensidade. Classicamente, considera-se 3 dimensões de dor: a sensorial-discriminativa, a motivacional-afetiva e a cognitiva-avaliativa, avaliadas em escalas chamadas multidimensionais (ex.: "Inventário para dor Mcgill", "Wisconsin Brief Pain Questionnaire") mas que em função de sua elevada complexidade e difícil aplicabilidade/reprodutividade, têm seu uso restrito para situações específicas.
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I - ESCALA VERBAL - NUMÉRICA: O doente é informado sobre a necessidade dele classificar sua dor em notas que variam de 0 a 10, de acordo com a intensidade da sensação. Nota zero corresponderia a ausência de dor, enquanto nota 10 a maior intensidade imaginável. Na prática, a nota 10 seria virtual.
II - ESCALA VISUAL-NUMÉRICA: As explicações são as mesmas da escala anterior, acrescidas da escala concreta impressa abaixo, onde o doente localizará espacialmente a intensidade de sua dor com uma marca.
Ex: 0__1__2__3__4__5__6__7__8__9__10
| CLASSIFICAÇÃO DA DOR: |
- Zero (0) = Ausência de Dor
- Um a Três (1 a 3) = Dor de fraca intensidade.
- Quatro a Seis (4 a 6) = Dor de intensidade moderada.
- Sete a Nove (7 a 9) = Dor de forte intensidade.
- Dez (10) = Dor de intensidade insuportável.
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III- ESCALA VISUAL-ANALÓGICA: Esta escala submete ao doente uma linha não graduada cujas extremidades correspondem a ausência de dor, em geral situada na extremidade inferior, nas dispostas verticalmente, e à esquerda, naquelas dispostas horizontalmente; e a pior dor imaginável, nas extremidades opostas, conforme o exemplo abaixo.
A avaliação do quadro doloroso:
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