Paulo Sérvulo da Cunha
Introdução
É uma síndrome cerebral de origem orgânica, cujo sintoma fundamental consiste de um comprometimento da consciência, geralmente em associação com comprometimentos globais das funções cognitivas, que ocorre de forma aguda, com curso breve e flutuante (e melhora rápida) quando a causa é eliminada.
Características
Distúrbios da consciência: redução da clareza da consciência quanto ao ambiente, com diminuição da capacidade de focar, mudar ou manter a atenção.
Distúrbios da percepção:
- Desorientação quanto ao tempo e espaço, porém raramente ocorre perda do reconhecimento de si. Há a tendência de confundir o novo com o familiar, por exemplo, o quarto do hospital com o próprio quarto.
- Ilusões, ou seja, erro de interpretação de estímulos sensoriais, por exemplo, a cortina balançando pode ser confundida com um ladrão.
- Alucinações, ou seja, percepções sem estímulo sensório relevante (desde simples formas geométricas até padrões visuais e sonoros complexos).
Distúrbios do pensamento:
- a capacidade para registrar, reter e evocar informações pode estar afetada, bem como a capacidade de aprender.
Distúrbios do humor:
- anormalidades na regulação do humor, como raiva, irritação e medo infundados, bem como apatia, depressão e euforia.
Distúrbios da atividade psicomotora:
- asterixia, que é a incapacidade para manter uma postura fixa. Sendo bilateral é quase patognomônico.
- Tremor, falta de coordenação, incontinência urinária.
Disfunção autonômica
Diagnóstico diferencial:
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delirium |
Demência |
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Início súbito |
Início insidioso |
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Flutuação das alterações cognitivas |
Alterações cognitivas estáveis |
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Potencialmente reversível |
Irreversível |
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Urgência médica |
Não urgente |
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delirium |
esquizofrenia |
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Distúrbios no ciclo sono/despertar |
Usualmente não |
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Alterações no nível da consciência |
Sem alterações |
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O desconhecido como conhecido |
O conhecido como desconhecido |
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Generalização |
Personalização |
Causas: pode resultar de quase tudo que afete o metabolismo do cérebro:
- Causas intracraniais (epilepsia, trauma, infecções, etc.)
- Causas extracraniais (ingestão de drogas ou abstinência, envenenamento, sedativos, tranqüilizantes, disfunção endócrina, doenças de órgãos, etc.)
Tratamento:
- tratamento da condição básica que está causando o delirium. Evitar privação sensorial ou estímulo excessivo.
- Haloperidol para a psicose e benzodiazepínicos de curta meia-vida para a insônia.
Delirium tremens: é a forma mais severa da síndrome de abstinência do álcool e constitui uma emergência médica que acarreta morbidade e mortalidade significativas. Pacientes são perigosos para si mesmos e para outrem, apresentam comportamento imprevisível. DT não tratado tem taxa de mortalidade de 20%.
Além dos sintomas anteriores: hiperatividade autonômica (taquicardia, febre, ansiedade, etc.), alucinações visuais ou táteis, níveis flutuantes de atividade psicomotora (variando de hiperexcitabilidade à letargia).
Bibliografia:
1. Kaplan, Harold I., Sadock, Benjamin J.: Comprehensive textbook of psychiatry, 4th edition.
2. Kaplan, Harold I., Sadock, Benjamin J., Grebb, J.: Compêndio de Psiquiatria: Ciências do Comportamento e Psiquiatria Clínica. Porto Alegre, 7a edição, Ed. Artes Médicas, 1997.
http://www.infomed.hpg.ig.com.br/delirium.html