Drogas/Vício - Molécula que causa abstinência em heroinômanos
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Drogas/Vício

Molécula que causa abstinência em heroinômanos

15/02/2005
 Estudo revela molécula que causa abstinência em heroinômanos

Achado pode ajudar a desenvolver tratamentos

Ricardo Bonalume Neto escreve para a 'Folha de SP':

A descoberta do modo de ação de uma substância no cérebro poderá levar nos próximos anos a um tratamento eficaz contra a chamada 'síndrome de abstinência' dos usuários de drogas como morfina e heroína.

Pesquisadores na Austrália descobriram como essa substância causa os sintomas típicos de quem parou de usar uma droga opiácea -como tremores, bater os dentes e o desejo incontrolável pela droga.

O estudo foi feito por cinco pesquisadores da Universidade de Sydney, liderados por Elena E. Bagley e Macdonald Christie, e está publicada na última edição da revista especializada 'Neuron'.

'Opiáceos são intensamente viciantes, e a interrupção do seu uso crônico está associada com uma síndrome de abstinência que consiste em graves sintomas físicos', escreveram os autores.

'Nossa pesquisa é básica, conduzida em um modelo animal, mas nós também estamos excitados com o prospecto de uma terapia clínica potencial', diz Bagley.

O alvo do estudo foi uma região específica do cérebro, conhecida como matéria cinzenta periaquedutal dorsal (também conhecida pela sigla em inglês, PAG), que sabe-se estar envolvida com sintomas da síndrome de abstinência.

A substância cinzenta periaquedutal dorsal também está ligada ao processamento da dor, do medo e da ansiedade. O uso de drogas como morfina e heroína diminui a atividade das células nervosas, os neurônios, nessa região.

Isso faz com que o cérebro reoriente a atividade neuronal para outros pontos para compensar a redução. Quando a pessoa deixa de usar a droga, os neurônios inativos voltam a trabalhar intensamente, ficando hiperativos.

Os neurônios 'disparam' graças a substâncias conhecidas como neurotransmissores, que uma célula passa a outra ativando um impulso elétrico. A atividade do cérebro é baseada nesses impulsos em redes de neurônios.

Depois que o neurotransmissor atuou, ele precisa ser recuperado do espaço entre os neurônios para poder ser reutilizado. Essa tarefa é realizada por moléculas chamadas 'transportadoras'.

A equipe de Bagley e Christie fez experimentos com 'fatias' do cérebro de camundongos expostos a morfina. E demonstrou que a hiperatividade dos neurônios durante a abstinência estava ligada a uma molécula transportadora do neurotransmissor de nome Gaba.

Inibição cerebral

O Gaba é o principal neurotransmissor inibitório do cérebro.

Se existe algum problema na produção do Gaba, ou da sua ação, o resultado é uma forte estimulação do sistema nervoso, que pode se manifestar na forma de convulsões.

A epilepsia, por exemplo, é um distúrbio ligado a essa hiperexcitação dos neurônios.

Essa molécula transportadora do Gaba, a GAT-1, poderá ser um alvo para terapia. 'Inibidores de transportadores de Gaba, semelhantes aos usados no nosso estudo, são amplamente usados no tratamento da epilepsia.

Portanto, existem drogas apropriadas disponíveis para examinar se a inibição dos transportadores de Gaba seria uma terapia útil para aliviar a síndrome de abstinência de opiáceos', afirma Bagley.

'Nós estamos no momento dando os primeiros passos para testar essa possibilidade em camundongos. Embora não esteja claro se os mecanismos celulares por trás da síndrome de abstinência são os mesmos em roedores e em humanos, se os inibidores de transportadores de Gaba foram bem-sucedidos em roedores, com sorte eles poderão ser considerados para uso humano', diz.

A pesquisa também revelou que a atividade fora do comum da molécula transportadora entre os neurônios precisava da ação de uma enzima chamada PKA.

Os autores mostraram que drogas capazes de inibir a atividade da GAT-1 ou da PKA impediram a hiperexcitação dos neurônios.

Essas descobertas podem dar aos médicos no futuro mais uma arma para combater a síndrome de abstinência, que muitas vezes leva à recaída no vício.
(Folha de SP, 12/2)

Jornal da Ciência- SBPC


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