Cientistas americanos anunciaram hoje, domingo, a descoberta dos fatores da origem da psoríase, abrindo possibilidade para um tratamento efetivo da doença.
Os pesquisadores, do Centro Anderson contra o Câncer da Universidade do Texas, descobriram que a ativação de uma proteína chamada STAT-3 é necessária para desencadear a psoríase, doença que ataca a pele.
Em seguida, desenvolveram ratos de laboratório com essa proteína, e depois bloquearam seu funcionamento para controlar a doença.
"Podemos ter encontrado uma opção totalmente nova para o tratamento da psoríase", disse John DiGiovanni, o principal pesquisador.
A psoríase é uma doença dermatológica na qual partes da pele ficam inflamadas e desenvolvem uma textura escamosa e avermelhada, acompanhada de coceira intensa. Os atuais tratamentos conseguem frear os sintomas, mas não curam totalmente a doença. A proteína STAT-3 é necessária para curar feridas e regenerar a pele.
A equipe de DiGiovanni se interessou por ela depois de descobrir que a STAT-3 estava relacionada com o desenvolvimento do câncer de pele.
Normalmente, a proteína é inativa, e só se ativa quando tem de agir em processos de cura de feridas. Mas às vezes, quando estes terminam, a STAT-3 não se desativa, gerando um crescimento anormal de células.
Os pesquisadores do Centro Anderson encontraram altos níveis de STAT-3 ativada em 19 de 21 pacientes de psoríase analisados.
Partindo desta base, eles desenvolveram ratos de laboratório nos quais o gene que ativa a STAT-3 estava continuamente "aceso". Os ratos geneticamente modificados tinham fragmentos de pele escamosa nas caudas, que foram se estendendo para os dorsos.
As análises mostraram que essas lesões eram muito semelhantes à psoríase humana.
"Este modelo com ratos recapitulou todas as principais características epidemiológicas e imunológicas da psoríase humana", explicou DiGiovanni.
Em outro experimento, os cientistas transplantaram pele de ratos com STAT-3 para ratos sem células T, que são um componente essencial do sistema imunológico, e que se acredita que sejam necessárias para ativar a psoríase também.
O rato sem células T não desenvolveu a doença. Mas, quando recebeu injeção desse tipo de células, o animal desenvolveu psoríase. "O experimento mostrou que é necessário ter tanto STAT-3 ativada quanto células T para desenvolver psoríase", resumiu DiGiovanni.
Os pesquisadores aplicaram nos ratos com STAT-3 um composto destinado a bloquear o funcionamento da proteína. Isso freou significativamente as lesões na pele e reduziu notavelmente os sintomas. "O estudo abre a porta para um tratamento totalmente novo para a psoríase", concluiu DiGiovanni.
(EFE).-
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