Genética/Clonagem/Terapia gênica - Brasil vota contra proibição total de clonagem humana
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Genética/Clonagem/Terapia gênica

Brasil vota contra proibição total de clonagem humana

26/02/2005



País se alinha às nações mais progressistas e defende pesquisas com
células-tronco em declaração da ONU

Helena Celestino escreve para 'O Globo':

O Brasil votou contra a declaração da Organização das Nações Unidas (ONU)
que proíbe todo tipo de clonagem de seres humanos, a reprodutiva e também a
terapêutica, voltada para a pesquisa com células-tronco, aprovada por apenas
71 países.

O Brasil ficou no bloco das 35 nações mais progressistas - ao lado de
França, Bélgica, Coréia do Sul, Alemanha, entre outras - e favoráveis a uma
convenção banindo apenas a clonagem reprodutiva de seres humanos e deixando
para os países a tarefa de legislar sobre a pesquisa nas chamadas ciências
da vida.

Ao fazer a declaração de voto, o representante brasileiro, Vergniaud Elyseu
Filho, afirmou que deveria haver mais informação científica e debate antes
da decisão final sobre os méritos da clonagem terapêutica e reclamou que a
votação só deixou explícita a profunda divisão da comunidade internacional
sobre o assunto.

- O Brasil valoriza a vida humana e a dignidade, mas a delegação brasileira
vota contra porque o texto tem uma linguagem dúbia e inexata - disse.

Por trás da polidez diplomática, os negociadores brasileiros deixaram claro
a crítica à vitória arrancada pelos EUA, que partiram para a aprovação da
declaração por pouco mais de um terço dos países membros da ONU, tornando-a
completamente inócua.

Mesmo os países islâmicos ficaram entre os 46 que se abstiveram,
argumentando que esse tipo de questão tem de ser resolvida por consenso.

- Foi um fracasso, o resultado foi muito ruim - disse o conselheiro Sidney
Romeiro que há anos vem acompanhando estas discussões.

Texto foi considerado muito ambíguo

Como a decisão não tem de ser obrigatoriamente adotada pelos países-membros
da ONU, nada vai mudar na prática. Há quatro anos as Nações Unidas debatem
esse assunto e foi impossível chegar a um consenso.

Há um ano, tentou-se unir os países em torno de uma declaração política de
quatro parágrafos, banindo só a clonagem reprodutiva.

Mas não houve consenso porque o texto era ambíguo ao se referir à 'tentativa
de criar vida humana através de processos de clonagem e de pesquisas para
alcançar esse objetivo'.

Para alguns, como o governo dos EUA, a vida se inicia no momento da
fecundação. Para outros, só quando o bebê nasce.

Decidiu-se criar então um grupo de trabalho, mas de novo não houve consenso.
Na sexta feira, finalmente, partiu-se para a votação na Comissão de Assuntos
Jurídicos da ONU e o mundo dividiu-se sobre as chamadas ciências da vida.

Os cientistas argumentam que a proibição de pesquisas com células-tronco
bloquearia os avanços da ciência no tratamento de câncer, diabete, mal de
Parkinson e da recuperação de lesões na coluna vertebral - não por acaso, um
dos maiores defensores dessas pesquisas era ator Christopher Reeve, o ator
que ficou tetraplégico falecido em 2004, e a ex-primeira-dama Nancy Reagan,
que cuidou por mais de dez anos de Ronald Reagan que sofria de Alzheimer.

(O Globo, 23/2)

Jornal da Ciência- SBPC


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