Genética/Clonagem/Terapia gênica - Terapia gênica contra o Parkinson
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Genética/Clonagem/Terapia gênica

Terapia gênica contra o Parkinson

26/02/2005



Cientistas conseguiram recuperar células do cérebro e restaurar a capacidade
de movimento em macacos e ratos

Um time internacional de cientistas utilizou terapia gênica em dois estudos,
para recuperar células do cérebro e restaurar a capacidade de movimento em
macacos e ratos com uma forma induzida do mal de Parkinson.

A primeira intervenção busca interromper o desenvolvimento da doença já na
sua origem, enquanto a outra tenta amenizar os efeitos colaterais do
tratamento da doença em seus estágios mais avançados.

A terapia gênica é uma tecnologia, ainda altamente experimental, que busca
corrigir doenças genéticas (causadas por um gene defeituoso) pela inserção
de uma cópia correta do gene nas células do paciente.

Nesse caso, ao inserir genes corretivos no cérebro de macacos, os cientistas
induziram a produção de uma proteína que ajuda a nutrir células cerebrais.

Acredita-se que essa proteína, chamada GDNF, preserva as células nervosas do
cérebro e poderia oferecer proteção contra os efeitos degenerativos do mal
de Parkinson, segundo o pesquisador Ron Mandel, da Universidade da Flórida.

O estudo envolveu também cientistas das Universidades de Cambridge, na
Inglaterra, e Lund, na Suécia.

A eficácia terapêutica da GDNF contra o Parkinson, entretanto, é motivo de
polêmica desde que a empresa de biotecnologia Amgen suspendeu experimentos
com seres humanos em outubro.

O laboratório alegou problemas de segurança, depois que alguns pacientes
desenvolveram anticorpos contra a proteína.

O mal de Parkinson é uma doença marcada pela perda de neurônios responsáveis
pela produção de dopamina, um importante neurotransmissor, essencial para o
controle das funções musculares.

A terapia gênica, segundo Mandel, seria uma maneira de induzir a produção de
GDNF no cérebro, oferecendo proteção a esses neurônios. Ele alerta,
entretanto, que a estratégia ainda não é segura para ser testada em seres
humanos.

'Uma vez que você liga a GDNF, ela vai estar lá para o resto da vida. Por
isso precisamos controlá-la. Estamos trabalhando nisso neste momento.'

No segundo estudo, com ratos, os cientistas usaram terapia gênica para
compensar um efeito colateral da droga Levadopa. O medicamento, muito usado
no tratamento da doença, eleva a produção de dopamina no cérebro, mas em
estágio avançado pode falhar e causar perda de movimentos.

Os pesquisadores inseriram no cérebro de roedores com alta deficiência de
dopamina uma cópia de um gene responsável pela síntese da molécula L-dopa
(base do medicamento).

Os ratos tratados não só recuperaram um alto grau de controle muscular, como
passaram a produzir níveis contínuos de L-dopa no cérebro, anulando os
eventuais efeitos colaterais.

Os resultados foram publicados nas revistas Brain e The Journal of
Neuroscience.

Riscos e benefícios

A terapia gênica, advertem os pesquisadores, é uma técnica altamente
promissora, mas que também envolve sérios riscos.

Para inserir o gene correto no genoma do paciente, é preciso utilizar um
vírus modificado, que serve como vetor para levar o material genético até o
núcleo das células.

Esses vírus são parcialmente desativados, de modo que não causem doença nem
consigam se replicar dentro das células - como fariam normalmente.

Ainda assim, trata-se de uma intervenção arriscada: o vírus pode dar início
a uma reação imunológica.

Outro fator de risco é que os cientistas não conseguem controlar onde o novo
gene será inserido no genoma - ele pode se sobrepor a algum gene importante,
ou ativar algum gene cancerígeno, por exemplo.

Em 2003, o governo americano suspendeu 30 experimentos de terapia gênica
depois que crianças que participavam de experimentos na França desenvolveram
leucemia durante o tratamento. Em 1999, um paciente morreu durante estudo
nos EUA. (The Gainesville Sun)

(O Estado de SP, 23/2)

Jornal da Ciência- SBPC


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