Odontologia Preventiva/Dentista - Disfunções Temporo-Mandibulares e Dor Bucofacial
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Odontologia Preventiva/Dentista

Disfunções Temporo-Mandibulares e Dor Bucofacial

28/02/2005



Conceito

Disfunções temporomandibulares (DTM) no sentido amplo, são desordens das articulações e músculos da região bucofacial e cervical, que têm entre seus sintomas dor facial, dor de ouvido, cefaléia, neuralgias, ruídos, desvios e travamentos. Em razão das estruturas bucofaciais serem associadas a funções vitais como a alimentação, comunicação, visão e audição e ainda formarem o arcabouço do indivíduo quanto ao aspecto visual, expressão e auto-estima à dor bucofacial crônica afeta profundamente o indivíduo modificando algumas de suas características psicossomáticas reduzindo sua qualidade de vida.

Considerações gerais

Aproximadamente metade da população apresenta problemas na região bucofacial e 5 a 10 % delas necessitam tratamento especializado. Devido a sua alta prevalência e impactos no indivíduo portador passou a ser reconhecida como área especifica. Entre seus objetivos é necessário aprimorar o conhecimento e os cuidados aos pacientes que padecem de dor devido à disfunção dessas estruturas incluindo o sistema mastigatório.
A etiologia das DTM é multifatorial incluindo a oclusão bucal, disfunções da articulação, fatores neuromusculares e psicogênicos. Assim é uma entidade complexa e cada paciente deve ser analisado como único, sendo importante identificar quais os fatores envolvidos, devendo sempre estar em mente que as articulações temporomandibulares (ATM) são articulações complexas, tendo em sua intimidade várias estruturas que podem desencadear dor.
Assim o atendimento dessa afecção deve ser realizado por uma equipe multiprofissional, que inclua médico, dentista, fisioterapeuta, psicólogo e fonoaudiólogos. Estes profissionais são necessários para o diagnóstico e o planejamento do tratamento do paciente.
As DTM são consideradas na atualidade um subgrupo das disfunções músculo esqueléticas.
Para uma abordagem adequada três fatores predisponentes devem ser levados em consideração:

      • Sistêmicos: personalidade e comportamento
      • Estruturais: discrepâncias faciais e oclusionais, tratamento dentário insuficiente e estruturas articulares inadequadas.
      • Traumáticos: micro e macrotraumas e a relacionados a sobrecarga articular (hábitos parafuncionais).

Entendem-se como hábitos parafuncionais, determinados comportamentos do indivíduo tais como ranger ou apertar os dentes, roer unhas, mascar chicletes, fumar cachimbo. Essas atitudes colocam a mandíbula em posição instável. Esses, isoladamente não desencadeiam DTM, porém podem agravar ou perpetuar a mesma (uma hiperfunção muscular em uma ATM com osteoartrose).
Várias condições promovem a manutenção do quadro doloroso sendo as principais as tensões mecânicas e musculares, distúrbios metabólicos e as dificuldades sócio-emocionais.

Aspectos a serem considerados

      • Trauma: microtraumas causados por lesões leves e repetitivas devido a oclusões bucais instáveis; entretanto também podem ocorrer macrotraumas devido às lesões da coluna cervical (em hiperextensão e flexão), golpes (impactos diretos) na mandíbula e na face. É importante salientar que 30% dos casos de DTM são devido ao esforço aplicado na cápsula articular e na extensão dos ligamentos durante uma cirurgia bucal prolongada e ainda quando realizado intubação orotraqueal durante uma anestesia geral.
        Nem todos os pacientes que sofrem um trauma na coluna cervical apresentam complicações importantes na ATM, porém, lesões mínimas na mesma podem ser negligenciadas pois são mascaradas pela forte sintomatologia cervical e, após certo tempo podem desenvolver disfunções pós-traumáticas ou cefaléia crônica.
      • Queixas gerais: pacientes com DTM apresentam sintomas clínicos mais exuberantes e geralmente utilizam maior quantidade de medicamentos. Estatísticas em portadores de cefaléia recorrente mostraram que 66% dos pacientes apresentam uma DTM de tipo miogênica ou artrogênica. Na maioria desses o tratamento sempre foi o da cefaléia e não da ATM, ou seja, trataram-se os sintomas e não a causa.
      • Doenças reumáticas: daquelas que acometem as ATM temos entre outras: artrite reumatóide do adulto, artrite reumatóide juvenil, artropatias soro negativas (artrite reativa, artrite psoriatica), osteoartrose, fibromialgia e dor miofacial.
        § Fatores psicológicos: aspectos comportamentais são fortemente associados à DTM predispondo e mantendo os sintomas. Não existe descrição de uma "personalidade das DTM" porém o componente psicológico é parte importante da abordagem multiprofissional e, essencial o seu tratamento. A maioria dos pacientes apresenta depressão e ansiedade, portanto, uma personalidade mais vulnerável ao estresse.
        Os fatores neuromusculares, articulares (anatômicos) e comportamentais atuam em conjunto no desenvolvimento destes distúrbios.

Classificação

As desordens da ATM são classificadas em três grupos:

  • Musculares (dor miofacial e dor miofacial com limitação da abertura bucal);
  • Deslocamentos do disco articular (com / sem redução do deslocamento ao movimento bucal e com / sem limitação da abertura bucal);
  • Articulares (artralgia, artrite e osteoartrose).

Diagnóstico

É realizado pela história clínica; antecedentes pessoais; familiares incluindo o psicológico; exame clínico geral e especifico com ênfase a região buco-maxilar com avaliação da ATM pelo dentista.
Após esta fase são solicitados os seguintes exames subsidiários para complementação:

      • Radiografias faciais cefalométricas (perfil/frontal)
      • Radiografias panorâmicas
      • Tomografia das ATMs
      • Ressonância magnética das ATMs
      • Eletroneuromiografia
      • Eletrognatografia
      • Polissonograma
      • Modelos de estudo
      • Arco Facial

Tratamento

O tratamento deverá ser personalizado, com condutas específicas para cada paciente. Existem duas fases a serem observadas:

Fase I: uso de órteses e métodos fisioterápicos relacionados a seguir:

Placa oclusal unimaxilar
Placa oclusal bimaxilar (uso noturno)
TENS (estimulação elétrica transcutanea)
Ultra-som e Iontoforese, com aplicação de medicamentos e analgésicos de modo não invasivo
Ajuste oclusal coronário
Imobilização dento-maxilar
Fisioterapia facial
Fisioterapia postural
Fonoaudiologia

Fase II: são realizadas as correções anatômicas necessárias sendo indicados:

Tratamento ortodôntico
Tratamento protético
Implantodontia
Tratamento cirúrgico

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IMPORTANTE

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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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