O envolvimento do baço na doença de Hodgkin (DH) da infância ainda não tem sido descrito extensivamente. Em um artigo publicado recentemente na revista Journal of Pediatric Hematology/Oncology, os autores estudaram as características clinico-radiológicas e o significado prognóstico da esplenomegalia e do envolvimento esplênico da DH na infância.
Cento e quarenta e uma crianças que apresentavam DH entre janeiro de 1991 e fevereiro de 2001, tratadas apenas com quimioterapia foram incluídas neste estudo. A radioterapia foi feita em quatro pacientes com doença mediastinal residual. Os pacientes foram estadiados clinicamente e avaliados em relação aos depósitos esplênicos através da tomografia computadorizada, ultrassonografia ou ambas.
O envolvimento esplênico foi visto em 22 crianças (15.6%). Na análise univariada, os depósitos no baço estiveram significativamente associados aos sintomas constitucionais (P=0.02), bem como esplenomegalia ao exame físico (P<0.001), envolvimento de três ou mais áreas de linfonodo (P=0.006), envolvimento de linfonodos subdiafragmáticos (P=0.01), envolvimento mediastinal (P=0.001) e doença massiva (P=0.005).
A análise multivariada revelou aumento do baço, envolvimento de três ou mais áreas de linfonodo e doença massiva como fatores de risco significantes para o envolvimento esplênico. A recidiva ocorreu significativamente mais em crianças com envolvimento esplênico (P=0.04) e naquelas com esplenomegalia (P=0.04). A presença de depósitos esplênicos foi um fator prognóstico adverso para a sobrevida livre do evento em 5 anos (67.5% vs. 93.0%, P = 0.01).
Os autores concluíram que o aumento do baço, o envolvimento de três ou mais áreas com linfonodo e a doença massiva são fatores de risco previsíveis para depósitos esplênicos da DH. O envolvimento esplênico na tomografia computadorizada ou ultrassonografia está significativamente associado à recidiva e contribui para um pior prognóstico da DH em crianças tratadas com quimioterapia isolada.
Significance of Splenomegaly in Childhood Hodgkin Disease - Journal of Pediatric Hematology/Oncology – 2004; 26(12):807-812
Significance of Splenomegaly in Childhood Hodgkin Disease.
Journal of Pediatric Hematology/Oncology. 26(12):807-812, December 2004.
Arya, Laxman S. MD *; Dinand, Veronique MD *; Bakhshi, Sameer MD ++; Thavaraj, Vasantha MD *; Singh, Rajvir PhD ++; Dawar, Ramesh DABP (USA) [S]
Abstract:
Objectives: Spleen involvement in childhood Hodgkin disease (HD) has not been described extensively. The authors' purpose was to study the clinicoradiologic features and prognostic significance of splenomegaly and that of splenic involvement in childhood HD.
Methods: One hundred forty-one children presenting with HD between January 1991 and February 2001 and treated with chemotherapy alone (4 COPP/4 ABVD) were included in the study. Radiotherapy was given in four patients with residual mediastinal disease. Patients were staged clinically and assessed for splenic deposits by computed tomography, ultrasonography, or both.
Results: Splenic involvement was seen in 22 children (15.6%). On univariate analysis, spleen deposits were significantly correlated with constitutional symptoms (P = 0.02), splenomegaly on physical examination (P < 0.001), involvement of three or more lymph node areas (P = 0.006), involvement of subdiaphragmatic lymph nodes (P = 0.01), mediastinal involvement (P = 0.001), and bulky disease (P = 0.005). Multivariate analysis retained enlarged spleen, involvement of three or more lymph node areas, and bulky disease as significant risk factors for spleen involvement. Relapse occurred significantly more in children with splenic involvement (P = 0.04) and in those with splenomegaly (P = 0.04). Presence of splenic deposits was an adverse prognostic factor for 5-year event-free survival (67.5% vs. 93.0%, P = 0.01).
Conclusions: Enlarged spleen, involvement of three or more lymph node areas, and bulky disease are predictable risk factors for HD splenic deposits. Splenic involvement on computed tomography scan or ultrasonography is significantly associated with relapse and contributes to a poorer outcome of HD in children treated with chemotherapy alone.