Câncer/Oncologia/Tumor - Médicos nos EUA usam técnica que congela tumores e os destruiria
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Câncer/Oncologia/Tumor

Médicos nos EUA usam técnica que congela tumores e os destruiria

13/06/2003

12 de setembro, 2002 
 

WASHINGTON -- Durante muito tempo, os médicos atacaram tumores com calor para destruí-los. Agora, algumas clínicas nos Estados Unidos estão realizando um procedimento oposto com o mesmo objetivo. Rápido, indolor e sem necessidade de internação, o congelamento também acaba com os tumores, garantem os adeptos dessa técnica, embora ressaltando que ainda estão nas fases iniciais.

A paciente Robin Imhof assistiu, fascinada, a seu médico inserir uma agulha em seu seio e bombear gás congelado através dela. No monitor do aparelho de ultra-som ao lado, uma imagem redonda gradualmente se tornava mais e mais clara - seu tumor, que não era maligno, mas lhe causava fortes dores, estava sendo envolto por uma bola de gelo.

Não doeu. O próprio gelo serviu como anestésico. Nada de internação ou cicatrizes. Uma hora depois, a moradora de Ferndale, Washington, voltou para casa, onde esperaria que o inchaço diminuísse pelos meses seguintes, enquanto seu corpo lentamente absorveria as células destruídas.

A técnica, chamada crioablação, está sendo usada para prolongar a vida de pacientes terminais de câncer de fígado, para tratar o câncer de próstata e como a primeira alternativa não-cirúrgica para o meio milhão de mulheres que têm tumores benignos removidos a cada ano.

Os médicos apenas começaram a testar a crioablação como um possível método sem cicatrizes para remover tumores em estágio inicial na mama. E também como uma alternativa às cirurgias a céu aberto para câncer de rim.

Histórico polêmico

Mas a delicada técnica exige um treinamento especial para evitar sérios efeitos colaterais, como o congelamento acidental de tecido saudável, e tem um histórico polêmico.

Na verdade, a crioablação é usada desde os anos 1960, mas se mostrou muito arriscada para uso em regiões mais profundas do corpo - os médicos não podiam ver o que precisavam congelar, o que aumentava o risco de complicações.

Mas dermatologistas e ginecologistas continuaram a adotar a crioablação para congelar crescimentos anormais de células na pele ou na região cervical.

Com o progresso na medicina de imagens, que permite que os médicos vejam regiões profundas do corpo enquanto trabalham, a crioablação faz um lento retorno.

Os profissionais de saúde podem inserir nos pacientes uma agulha que emite gás congelador - o argônio é primariamente usado - num tumor ou órgão e literalmente assistir enquanto este é envolvido pelo gelo.

O primeiro uso aprovado foi em pacientes cujo câncer de colo e reto já se espalhou para o fígado e não pode mais ser operado.

A técnica oferece a esperança de prolongar a vida. O Dr. Hary Onik, que usa a crioablação, diz que cerca de 20 por cento de seus pacientes sobrevivem por cinco anos.

Menos eficaz na próstata

A técnica tem se mostrado menos eficaz em casos de câncer de próstata. Um erro no alvo causa efeitos colaterais sérios na bexiga ou no reto.

Mas após anos de pesquisa, um estudo recente publicado na revista Urology sugere que uma cuidadosa técnica de crioablação pode ser tão efetiva quanto outros tratamentos amplamente usados.

Como outros métodos para a próstata, a crioablação pode causar impotência.

A empresa Sanarus Medical recebeu recentemente aval do governo norte-americano para seu sistema de crioablação que destrói fibroadenomas - tumores benignos de mama.

Agora, a empresa está realizando dois estudos para testar se a técnica pode tratar o câncer de mama. Num dos estudos, 25 mulheres terão pequenos tumores congelados.

Três semanas depois, elas vão ser submetidas a uma lumpectomia - a cirurgia-padrão nesses casos - para que os cientistas possam examinar se restou alguma célula maligna. A esperança é que, um dia, a crioablação substitua a lumpectomia para certas mulheres.

No segundo estudo, outras 25 mulheres vão ser submetidas a uma lumpectomia assistida por crioablação.

A idéia é testar se os tumores mais difíceis de ser sentidos pelos cirurgiões podem ser retirados numa única vez se forem congelados.

(Com informações da Associated Press) 


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