6 de setembro, 2002
WASHINGTON -- A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos divulgou um relatório que é resultado de uma década de estudos e cuja conclusão alerta para o risco da exposição prolongada aos vapores do óleo diesel de caminhões e outras fontes. A inalação, a longo prazo, pode causar câncer em seres humanos.
A descoberta deverá pressionar o governo a reduzir as emissões dos caminhões, exigindo motores que limpem a combustão e um diesel com baixas concentrações de enxofre.
"É razoável presumir que o risco se estende à exposição ambiental. Os potenciais efeitos sobre a saúde humana da exaustão do diesel são persuasivos", diz o relatório. Segundo a EPA, testes em animais e a exposição de quem trabalha com o combustível sugerem fortes evidências do risco da doença em seres humanos.
O relatório espelha conclusões previamente apresentadas em documentos de várias agências de saúde do mundo e em estudos na Califórnia. É particularmente significativo porque a EPA é a agência federal que regula as emissões de diesel sob a Lei do Ar Limpo.
Alguns ambientalistas demonstraram preocupação recentemente de que o governo do presidente George W. Bush pudesse tentar retroceder uma regulamentação de seu antecessor, Bill Clinton, que estabeleceria exigências mais rígidas sobre as emissões de grandes caminhões e uma regra separada que virtualmente eliminaria o enxofre do combustível diesel.
Christie Whitman, administradora da EPA, prometeu manter as exigências. No mês passado, com aval da Casa Branca, a agência aprovou novas penalidades contra os fabricantes de motores que não conseguirem se adequar à regulamentação até outubro.
A regulamentação não afeta, porém, as emissões dos caminhões que já estão na estrada, mas espera-se que a obrigatoriedade da redução de quantidade de enxofre no combustível reduza a poluição.
O relatório ambiental diz que os dados sobre a resposta à exposição ao diesel são considerados incertos para que se possa elaborar uma estimativa confiável do risco de câncer em uma pessoa. Mas, ainda segundo o relatório, a totalidade da evidência de estudos com seres humanos e animais sugere que a exaustão do diesel "tende a ser carcinogênica para humanos pela inalação e que isto se aplica à exposição ambiental".
O relatório reiterou que a exposição ambiental à exaustão do diesel gera problemas de saúde a curto prazo e que pode acabar causando dificuldades respiratórias crônicas aos humanos, contribuindo para aumentar a incidência de asma e outros problemas respiratórios.
Os ambientalistas aprovaram o estudo como uma evidência clara de que a poluição precisa ser reduzida, não só dos grandes caminhões, mas também dos carros do tipo off-road, que usam o mesmo combustível.
Steffanie Bell, porta-voz da EPA, disse que no início de 2003 a agência ambiental espera publicar uma regulamentação sobre essas outras fontes de exaustão de diesel, o que inclui tratores agrários e equipamentos de construção.
Allen Schaeffer, diretor-executivo do grupo industrial Diesel Technology Forum, disse que o relatório da EPA "se baseou no passado". Segundo ele, o futuro pertence ao diesel limpo e os caminhões e ônibus que usam o combustível hoje são oito vezes mais limpos do que há 12 anos.
O relatório admitiu que suas descobertas foram baseadas em níveis de emissão de meados dos anos 1990, mas ressaltou que os resultados continuam válidos porque a lentidão na modificação dos motores a diesel manteve muitos desses veículos nas estradas.