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gastronomia

Avesso aos modismos e as várias faces do Chianti

13/06/2003
Por: Saul Galvão

Diário de Baco

AVESSO AOS MODISMOS
O português Mouchão é um vinho realmente peculiar, que não faz concessões aos modismos. Um tinto potente mesmo, que demanda paciência - e vem sendo feito quase da mesma maneira há décadas pela família Reynolds, como informou seu enólogo, Paulo Laureano, em recente e maravilhosa degustação de vinhos de diferentes anos. Sua peculiaridade começa com a uva principal, a Alicante Bouschet, uma cepa francesa que não tem grande valor em outras regiões, mas que, exatamente ali, na Herdade do Mouchão, em Portalegre, no Alentejo, dá um vinho potente, de enorme concentração e caráter. Ela costuma ficar com 70% do total e é complementada no corte pela Trincadeira, mais amável e aromática. As uvas são pisadas com o pé, o vinho envelhece em tonéis de carvalho e passa um bom tempo nas garrafas antes de chegar ao mercado. O Mouchão 1999 (R$ 245,50 na Adega Alentejana, tel. 11/5044-5760) é um monumento, com aromas que evocam eucalipto e muita acidez. Pede muitos anos de descanso. O de 1993 ainda está novo, mas já mostra menta, ervas aromáticas e chocolate. Começa-se a abrir o Mouchão 1984, mas ele ficará melhor em alguns anos. A acidez ainda é alta, apresenta elegância e algo de cacau. O Mouchão de 1963, com quase quarenta anos, por incrível que pareça, ainda está tânico, potente e não apresenta nenhum sinal de decadência. Uma maravilha.


AS VÁRIAS FACES DO CHIANTI

O Chianti assume várias personalidades. Em suas melhores versões, o Chianti básico é ligeiro, alegre, frutado, com boa acidez e sem grandes pretensões. O Chianti Classico Riserva costuma atingir patamar muito acima, mas isso nem sempre é verdade, conforme ficou demonstrado em recente degustação dos vinhos da Fattoria di Felsina com seu proprietário, Giuseppe Mazzocolin, quando o Felsina Chianti Classico 1999 (R$ 88,44, na Expand, tel. 11/4613-3300) me pareceu melhor que Chianti Classico Riserva 1998 (R$ 152,76). É verdade que a safra de 1999 é superior, mas isso não tira o mérito do Chianti Felsina 1999, um Sangiovese puro-sangue com vários anos de vida pela frente, taninos macios e frutas vermelhas. Os vinhos da safra de 1998 estão mais prontos para o consumo, como demonstraram o Riserva e o ótimo Fontalloro, o supertoscano da casa, também 100% Sangiovese (R$ 230,48). Excelente o Maestro Raro 1997 (R$ 316,24), um Cabernet Sauvignon, elaborado em pequenas quantidades, apenas 6 000 garrafas.

Revista Gula edição 127. Maio / 2003.


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