13 de setembro, 2002
ESTOCOLMO -- Os bebês expostos à nicotina correm mais riscos de padecer da síndrome de morte súbita, ou morte no berço, indicou um estudo publicado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
Sabe-se que os filhos de mães que fumam têm mais propensão a sofrer da síndrome de morte súbita, mas este é o primeiro estudo que responsabiliza diretamente a nicotina.
"Descobrimos que a nicotina é o que é perigoso. Inclusive em forma de goma de mascar de nicotina para deixar de fumar, é igualmente má", afirmou um professor de pediatria do Instituto Karolinska, na Suécia, que realizou o estudo, Hugo Lagercrantz.
Muitas mulheres que fumam e os seus médicos supunham que consumir usar a goma de mascar com nicotina durante a gravidez, como substituto dos cigarros, não representava qualquer perigo para o feto, explicou Lagercrantz.
"Se as mulheres deixassem de consumir nicotina, o problema da morte súbita podia praticamente eliminar-se", acrescentou.
Nos casos de morte no berço, bebês entre os dois e os quatro meses, aparentemente saudáveis, deixam de respirar e morrem enquanto dormem.
Em condições normais, quando as concentrações de oxigênio se reduzem, seja por uma obstrução nas vias nasais ou porque a pessoa está dormindo de boca para baixo, receptores cerebrais enviam um sinal de alarme ao sistema nervoso e a pessoa acorda.
Segundo os investigadores, a nicotina altera esta capacidade de controle da respiração durante o sono.
Na Europa, a morte súbita afeta aproximadamente um em cada dois mil bebês por ano. Nos Estados Unidos, a incidência já é quase o dobro. Até agora não se estabeleceu com segurança a causa direta da síndrome.
(Com informações da Reuters)