Comecemos com certos conceitos para que possamos entender melhor o assunto e embasar nossas conclusões.
O Sol envia, todos os dias, para a Terra, sua energia na forma de radiações.
São radiações de diversos comprimentos de onda, isto é, diferentes uma das outras, mas que vêm todas juntas.
Um grupo dessas radiações a gente vê e outro grupo é invisível aos nossos olhos.
O grupo de radiações que nós conseguimos enxergar chama-se espectro de luz visível e esse espectro é por nós percebido através das cores. Cada cor tem seu lugarzinho no espectro e seu comprimento de onda próprio.
A faixa de radiação do espectro que podemos enxergar varia, em cores, desde o vermelho até o violeta, passando respectivamente pelo alaranjado, o amarelo, o verde, o azul e o anil. Então, os nossos olhos são capazes de enxergar essas cores e todas as misturas delas. Se se misturam todas eu tenho a cor combinada chamada branco. O branco é a mais colorida das cores. A cor branca pura é a luz do Sol. Se enxergamos o verde num objeto é porque ele difunde o verde e absorve as outras cores. Se uma superfície absorve todas as cores ela fica preta.
E por falar em preto e branco, aparece a noção de cinza. O cinza nada mais é que uma variação do branco ao preto. Se eu tenho a cor branca e acrescentar um pouquinho só de preto, eu vou obter um cinza clarinho; se eu for aumentando a quantidade de preto, o cinza vai ficando mais forte, mais carregado, e essa é, exatamente – para aproveitar o ensejo – uma forma de graduação usada para compor a Escala de Ringelman.
A escala usada para medir a opacidade de uma fumaça negra se chama escala de Ringelman, que é um disco dividido em cinco partes "coloridas" do cinza claro ao preto. A parte do cinza mais claro é chamada "20% de opacidade" ou "grau 1"da Escala; a segunda, com um cinza um pouco mais escuro é chamada "40% de opacidade" ou "grau 2"da Escala e assim, sucessivamente, até o preto que é chamado "100% de opacidade" ou "grau 5"da Escala.
Tal disco tem um furo no meio em forma de pentágono (polígono de 5 lados) e é usado para medir a opacidade de uma emissão de fumaça negra. Quando se olha através do furo a descarga de um caminhão ou de uma chaminé com fumaça negra, compara-se aquela fumaça com a zona cinza mais próxima da Escala e diz-se que a opacidade é 1, 2 etc. ou que eqüivale a 20, 40% etc. Olhos mais treinados podem medir valores intermediários com 30, 50% etc.
Voltando a falar das radiações, vamos anotar na nossa cabeça duas delas que são invisíveis e muito badaladas.
A primeira é o infravermelho que é uma radiação que vem antes do vermelho naquele espectro que comentei; a outra é o ultravioleta que vem depois do violeta no mesmo espectro.
Para o assunto que iremos abordar interessa pensar no ultravioleta.
Mas, o que é camada de ozônio e o que o ultravioleta têm a ver com isso?
O oxigênio, que todos conhecemos, se compões de 2 átomos, por isso se diz O2.
Certas condições naturais, como descargas elétricas em baixas altitudes e radiações ultravioletas na estratosfera favorecem a transformação do O2 no Ozônio, que nada mais é que um oxigênio com 3 átomos, isto é O3.
O Ozônio é um gás que tem cheiro característico e é um oxidante poderoso, sendo tóxico.
Na estratosfera existe uma tênue "capa" desse gás que ajuda a amenizar a energia solar, desde o infravermelho, passando pela luz visível, até o ultravioleta.
É muito importante para nós, pobres mortais, a filtragem dessa energia no que se refere ao ultravioleta.
E que mal faz essa radiação invisível (ultravioleta) de nos atingir? Está comprovado que aqueles que têm a pele mais clara são mais sensíveis a essa radiação e podem contrair câncer de pele. Está também comprovado que a catarata (doença dos olhos) pode ser causada pela radiação ultravioleta, bem como que, certos tipos de verduras têm seu crescimento prejudicado pela incidência dos "raios" ultravioletas.
Lógico é, então que, é de todo importante que a camada filtrante (ou absorvedora) constituída pelo Ozônio seja mantida.
Há algum tempo, o homem descobriu como fabricar o frio, ao comprimir e descomprimir um gás. Ao tentar industrializar o processo com diversos gases testados, a amônia é que apresentava bom rendimento, mas tinha o inconveniente de ser um gás altamente tóxico. Com o evoluir das pesquisas chegou-se a um gás fantástico no rendimento, quando da produção de frio, não tóxico e não agressivo aos materiais com que fazia contato. Tal gás era o CFC (Cloro-Flúor-Carbono), popularmente chamado de gás freon.
Com o passar do tempo descobriram-se outras propriedades importantes desse gás: ótimo na limpeza de circuitos eletrônicos, na fabricação de espumas sólidas e ainda, como componente de arerossóis (sprays).
Há alguns anos porém, descobriu-se o lado negativo do CFC. Seu cloro, ao encontrar uma molécula de ozônio, deslocava o átomo extra desse ozônio e a molécula retornava a O2. Então, esse gás tinha a propriedade de destruir em extensões variadas a camada de ozônio, formando os chamados buracos na camada de ozônio.
Hoje, se pesquisa febrilmente um substituto ideal para o CFC; um deles já foi descoberto, o HCFC e também o HFC (hidro cloro e hidro flúor carbono); resta estudar como substituir o CFC em tudo aquilo que está por aí instalado. Os países mais adiantados começam a assinar protocolos marcando datas fatais para a eliminação total da fabricação e uso do CFC.
Certos meios científicos todavia, como por exemplo o Schiller Institute, Inc em Washington DC, contestam veemente a teoria de que é pela ação do homem que o desastre da destruição de parte da camada de ozônio vem ocorrendo. Os pesquisadores do Instituto afirmam que as fontes naturais de cloro expelidos pela atmosfera, através dos oceanos e vulcões são da ordem de 650 milhões de toneladas a cada ano, enquanto que a fabricação mundial de CFC é de 750 mil toneladas por ano, dos quais se estima que somente 75000t perdidas atingem a estratosfera. Como acréscimo, podemos dizer que os óxidos de Nitrogênio e o Dióxido de Enxofre são, também, degradadores do ozônio.
Tal teoria do Instituto Schiller não vimos ainda ser contestada o que não significa que não devamos previnir naquilo que estiver em nossas mãos fazê-lo.
Gil Portugal