Cirurgia Plástica - Hiperidrose Axilar
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Cirurgia Plástica

Hiperidrose Axilar

26/03/2005
 

 


 

O que é hiperidrose?

           O termo 'hiper' não deixa dúvidas: significa exagero. 'Hidrose', por sua vez, se refere à sudorese. Hiperidrose então significa suar exageradamente. Mas como saber se a quantidade de suor está normal ou excessiva? Veja abaixo:

  • Pessoas com este problema queixam-se de não poderem usar roupas de certas cores, pois evidenciam mais as rodas de suor sob as axilas.
  • Necessitam trocar de roupa durante um turno de trabalho ou levar dentro da sacola pequenas toalhas para secarem as axilas.
  • Relatam que o problema se agrava em sutuações de stress (falar em público, p.ex.), levando a um intenso constrangimento social.
  • Referem desgaste acentuado das roupas.
  • Eventualmente se queixam de odor desagradável resistente aos desodorantes, mesmo sem volume excessivo de suor (isto se chama bromidrose).
  • O distúrbio inicia-se geralmente na adolescência, melhorando ou desaparecendo na meia idade.
  • Em alguns casos, seja pelo suor excessivo, seja por produtos usados para combatê-lo, a pele das axilas chega a ficar irritada.
  • No inverno o desconforto costuma ser maior, porque o suor não evapora e mantém as axilas úmidas e geladas.
  • A sudorese cessa durante o sono.
  • No consultório, o médico pode observar as gotas de suor porejando em até 1 minuto após a secagem das axilas, o que pressupõe um grande volume diário.
Diagnóstico da Hiperidrose axilar em consultório:
gotas de suor aparecendo 1 minuto após a secagem da axila.


 
 
Quais as causas do meu problema?

           As glândulas de suor presentes nas axilas são de 2 tipos: écrinas e apócrinas. As écrinas produzem um suor aquoso, em volume razoável, mas sem cheiro. As apócrinas produzem um suor leitoso em pequena quantidade mas que, sob ação das bactérias da pele, produz odor. Assim, se a queixa é de grande volume de suor, provavelmente quem está funcionando demais são as glândulas écrinas. Se o problema, ao contrário, é odor desagradável, talvez haja um exagero de produção do suor apócrino.

Lâmina obtida com o material aspirado, evidenciando presença tanto de glândulas écrinas (E) como apócrinas (A)

 

           Mas por que motivo estariam estas glândulas trabalhando demais? Ora, sabe-se que a produção de suor tem por finalidade regular a temperatura corporal e eliminar toxinas. Portanto, seu funcionamento é "automático", ou seja, é regulado pelo chamado "sistema nervoso autônomo" e independe de nossa vontade.

           Sabe-se também que em situações de stress o sistema nervoso autônomo dá várias "ordens" para o corpo, por exemplo: acelera os batimentos cardíacos, diminui a circulação nos intestinos, etc, sempre de forma automática. Existem então diversas teorias para explicar o porque desse excesso de suor: ou existem glândulas demais ou elas estão sendo superestimuladas por impulsos nervosos autônomos.


 
 
Um pouco de Anatomia ...

           As glândulas de suor da axila concentram-se em uma região até 2 cm além dos limites da área pilosa. Quanto à localização, as glândulas écrinas situam-se na derme e as écrinas entre a derme e a hipoderme, ou seja, ambas nas camadas mais profundas da pele, em contato com o plano da gordura subcutânea.

Microscopia da pele axilar: a) glândulas sudoríparas écrinas, b e c) glândulas sudoríparas apócrinas em meio ao subcutâneo; d) folículo piloso; e) glândula sebácea

 


 
 
Como posso tratar meu problema?

           O tratamento da hiperidrose axilar deve iniciar clinicamente, de preferência sob os cuidados de um dermatologista. Formas de tratamento clínico seriam:

  • desodorantes contendo sais de alumínio,
  • iontoforese (tratamento com aparelhos que provocam atrofia das glândulas através da passagem de corrente elétrica),
  • ansiolíticos em situações de stress previsível (o alívio da ansiedade diminui a estimulação do sistema nervoso autônomo). Eventualmente até psicoterapia poderá estar indicada.

           Mais recentemente, o uso da toxina botulínica mostrou-se útil no controle da hiperidrose axilar, porém os custos elevados e a necessidade de reaplicação 2 ou 3 vezes ao ano para manter os efeitos ainda limita seu uso. Se nada disso resolver, entretanto, podemos afirmar que o caso é cirúrgico.


 
 
Quais as cirurgias disponíveis para tratar a Hiperidrose Axilar?

           Podemos dividir as modalidades cirúrgicas em dois grandes grupos. No primeiro grupo estão todas as técnicas que retiram glândulas, ou seja, diminuem o seu número, quer de modo seletivo, quer removendo-as em conjunto com a pele. No segundo estão as diversas formas de simpatectomias, que são cirurgias que cortam os nervos responsáveis pela estimulação das glândulas axilares. No primeiro grupo o volume de suor é reduzido porque diminui o número de unidades produtoras. No segundo porque as unidades produtoras perdem seu comando.

           Qual dessas técnicas seria a mais eficiente?

           Todas são eficientes, na medida em que reduzem a quantidade de suor, mas várias delas apresentam riscos e sequelas que contraindicam seu uso em determinadas situações, devendo ser reservadas para casos específicos. Por exemplo: a remoção completa da zona de pele pilosa axilar é muito eficiente, mas envolve o convívio permanente com uma cicatriz alargada e extremamente visível ao erguer os braços. Além disso, no sexo masculino não é propriamente desejável uma axila sem pêlos.

           Da mesma forma, as simpatectomias trazem o risco de uma síndrome onde a pálpebra superior fica mais baixa e o rosto mais vermelho e só devem ser indicadas como primeira escolha em pacientes portadores de hiperidrose palmar (excesso de suor nas mãos) associada.

           Mas então qual a cirurgia que você prefere?

           Se considerarmos um paciente com hiperidrose ou bromidrose axilar isolada, se considerarmos ainda que as glândulas causadoras do problema estão logo abaixo superfície da pele, se pensarmos em termos de resultados mais duráveis com o menor dano, com a menor invasão cirúrgica possível, se colocarmos tudo isto na balança benefício/risco, uma técnica se destaca: a remoção seletiva das glândulas utilizando instrumental de lipoaspiração.

           Mas a lipoaspiração não é para remover gordura?

           Sim, mas neste caso, ao contrário da lipoaspiração convencional, em que os orifícios das ânulas são usados voltados para a profundidade, isto é, para a gordura, para removermos as glândulas de suor simplesmente voltamos os orifícios para a superfície, ou seja, para a face interna na pele. Da mesma forma que na lipoaspiração, entretanto, as incisões são mínimas e as cicatrizes resultantes tornam-se imperceptíveis com o passar do tempo.


Cânulas de lipoaspiração empregadas

Remoção de glândulas apócrinas (mais profundas)

Remoção de glândulas écrinas (mais superficiais)

Sutura (1 a 2 pontos em cada pequena incisão)
Curativo

 

           E como se tem certeza de que as glândulas saíram mesmo?

           De duas maneiras: primeiro certificando-se de que toda a zona pilosa e uma margem de 1 a 2 cm além da mesma foi aspirada. Usa-se o teste do Ioda/Amido ilustrado abaixo:

1 2 3

1) passamos iodo e deixamos secar
2) passamos talco e esperamos
3) após 1 minuto o suor promove a reação entre o talco e o iodo, demarcando a zona a ser tratada.


           Segundo, enviando o material aspirado para anatomopatológico. (O patologista é um médico especializado em fazer diagnósticos através do exame ao microscópio de tecidos que lhe são enviados por cirurgiões. Assim, ele terá condições de assinalar a presença de glândulas écrinas e apócrinas no material retirado de suas axilas.).

Material aspirado a ser examinado pelo patologista

 

           E quando vou poder voltar ao trabalho?

           Em geral liberamos os pacientes após 3 dias para atividades que não exijam grandes esforços físicos. Recomendamos também a não elevação dos braços e a não utilização de desodorantes com álcool. Os pontos podem ser removidos após 5 dias. É esperado um dolorimento e algumas manchas roxas sob as axilas por um período de 2 semanas.

           A partir de 1 mês alguns pacientes relatam um formigamento ou até dor discreta em agulhadas ou em queimação na zona operada, sintomas que são relacionados ao retorno da sensibilidade da pele, abolida temporariamente pelo descolamento provocado pela cirurgia.

           Desde o primeiro dia de pós operatório, todos comentam que sua sudorese axilar praticamente foi extinta. Na realidade isto não ocorre, pois sempre restam algumas glândulas sob a superfície da pele, cujo volume de suor, entretanto, é pequeno e por isso não se faz notado, ou pelo menos não tanto como antes do tratamento.

           Que tipo de anestesia é necessária para esta cirurgia?

           Neste campo reside outra vantagem do procedimento acima descrito: ele pode ser feito com anestesia local, eventualmente sob sedação anestésica, em caráter ambulatorial. Isto significa que você não precisa ficar internado no hospital e nem ser submetido a uma anestesia geral para resolver sua hiperidrose axilar.

Anestesia Local

 

           E este procedimento garante que nunca mais vou sofrer desse problema?

           Antes de mais nada, gostaria de esclarecer que não existe até hoje nenhum tipo de tratamento 100% eficaz e com resultados permanentes para tratamento da hiperidrose axilar, quer falemos em tratamentos clínicos, quer nas modalidades cirúrgicas, por mais radicais que sejam. O tratamento com técnica de lipoaspiração, entretanto, nos parece o mais indicado se considerarmos a relação entre custos, riscos e benefícios.

           Temos pacientes com mais de 4 anos de tratamento que não referiram retorno do desconforto. Dentre aqueles que referiram alívio parcial ou até mesmo volta dos sintomas pouco tempo após a cirurgia identificamos 2 situações bem claras: no primeiro caso, um dos primeiros em que empregamos esta abordagem, tratava-se de uma paciente portadora de hiperidrose palmar e plantar associadas à hiperidrose axilar e somente após uma simpatectomia obteve resultado satisfatório. (Por isso não indicamos mais este procedimento para casos de hiperidroses associadas.)

           No segundo grupo, tivemos 2 pacientes nas quais, por um motivo ou outro, apenas uma zona de uma das axilas mantinha-se hipersecretante. Nestes casos a reoperação somente da área responsável, utilizando a mesma técnica, costuma resolver o problema.


 
 
Qual é o especialista que trata a hiperidrose axilar?

           Em geral o primeiro especialista a ser procurado é o dermatologista. Descartadas causas clínicas mais raras de sudorese excessiva (como hipertireiodismo, feocromocitomas, etc) e configurado o quadro descrito no início deste artigo, pode-se tentar o uso de inibidores da sudorese, como o cloreto de alumínio.

           Aplicações de toxina botulínica são também uma boa opção, se os custos não representarem problema adicional, e podem ser realizadas pelo dermatologista ou pelo cirurgião plástico. Cirurgias de remoção das glândulas axilares são geralmente realizadas por cirurgiões plásticos. Já as simpatectomias são da área do cirurgião torácico ou do cirurgião cardivascular.

 

 
Dr. Ricardo A. Arnt
Cirurgião Plástico
www.drgate.com.br


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