Ecologia profunda
Adaptado de Fritjof Capra
Os anos 90 representam a década do meio ambiente, não por decisão nossa, mas porque os acontecimentos quase fogem ao nosso controle. A ecologia profunda vê os seres humanos como apenas um fio na tela da vida. Reconhece que estamos todos ligados à natureza e somos dependentes dela. Cada organismo — da mais diminuta bactéria, passando pela vasta gama de plantas e animais, até chegar aos seres humanos — é um todo integrado e, portanto, um sistema vivo.
Uma ética ecológica profunda faz-se urgente hoje, especialmente na ciência, já que a maior parte daquilo que os cientistas estão fazendo não preserva a natureza, mas a destrói:
Físicos criam armas que ameaçam varrer a vida do planeta; químicos contaminam o meio ambiente;
biólogos criam novos e desconhecidos microrganismos sem medir as conseqüências;
cientistas torturam animais em nome do progresso científico.
Com todas essas atividades em marcha, é claro como a luz do dia que introduzir padrões éticos na ciência moderna é mais do que urgente. Precisamos estar dispostos a questionar tudo e abandonar a busca cega de crescimento irrestrito. Uma sociedade sustentável é aquela que não reduz as oportunidades das futuras gerações.
A terra é nosso lar comum e criar um mundo sustentável
para nossos filhos e para as futuras gerações
é tarefa de todos nós.
A insanidade precisa acabar!
Por causa do excesso de produtos tóxicos, um número cada vez maior de recém-nascidos, humanos como animais, começam suas vidas com menos neurônios e nefros. Os tóxicos estão produzindo uma nova raça de homens e animais com menos células cerebrais e menos capacidade de filtrar os agentes químicos tóxicos produzidos pelo homem. Não é de estranhar que temos, hoje, mais crianças rebeldes que recorrem a drogas, álcool, crime e experiências sexuais prematuras. Essas crianças têm sistemas imunológicos inadequados, ficando mais suscetíveis ao grande número de doenças modernas do mundo ocidental.
Como resultado, a longevidade também é reduzida. A capacidade mental diminui à medida que os níveis de toxicidade no meio ambiente aumentam. Entretanto, os habitantes do fundo das florestas tropicais, longe da indústria moderna e dos agroquímicos, continuam a viver uma vida longa e saudável.
Então, o que podemos fazer? Neste novo século, nós todos temos que reavaliar nossos atos diários e seu impacto sobre o futuro do nosso planeta. Nós todos temos que concentrar nossos esforços para impedir que novos danos afetem a infra-estrutura do nosso planeta enquanto procuramos modos de reparar os prejuízos já causados.
Fonte: Townsend Letter for Doctors & Patients, maio 2000, p.110