Ortopedia/Fisioterapia/Coluna/T.O. - Síndrome do chicote na cervical
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Ortopedia/Fisioterapia/Coluna/T.O.

Síndrome do chicote na cervical

05/05/2005

 

O avanço terapêutico e tecnológico da Medicina Moderna fez com que a sobrevida de doentes, particularmente com doenças crônicas, aumentasse muito em número de anos vividos. Essas doenças deixam de ser mortais, mas, trazem complicações ou seqüelas com as quais os indivíduos sobrevivem com muitas dificuldades.
O fato de sobreviver, às vezes por longos períodos, não significa “viver bem”, pois, quase sempre há limitações com prejuízos da participação em várias atividades. Isto é, a qualidade de vida está prejudicada, e há interesse em fazer sua avaliação. Isso fez com que se desenvolvessem técnicas com questionários especiais por meio de instrumentos de avaliação confiáveis para fazer uma avaliação comparativa entre os vários pesquisadores. A preocupação internacional em ter um instrumento para avaliar, e mensurar a qualidade de vida, fez com que a Organização Mundial de Saúde (OMS) produzisse um instrumento com essa finalidade. Não somente a questão do aumento da sobrevida por várias doenças, mas também o envelhecimento populacional foi levado em conta. De fato o número de idosos vem aumentando bastante em todos os países desenvolvidos, ou em desenvolvimento, nesses casos, mesmo que não apresentem seqüelas de doenças ou doenças aparentes, a qualidade de vida precisa ser levada em conta, particularmente no que diz respeito à avaliação do nível de vida ou de saúde da população, mas também sob o ponto de vista de estabelecimento de atividades especiais aos idosos, e do gerenciamento dessas atividades.
Na “Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e Desvantagens” publicada em 1980, pela Organização Mundial da Saúde foram introduzidas várias alterações, e surgiu uma nova classificação a “Internacional Classification of Functionning, Disability and Health”, aprovada pela Assembléia Mundial da Saúde, em Genebra, no mês de maio de 2002. Em português, ficou como “Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde” (CIF). A diferença entre a primeira classificação e a atual é muito grande. A CIF transformou-se, de uma classificação de “conseqüências de doenças” (versão 1980) em uma classificação dos “componentes da saúde”. Os “componentes da saúde” identificam o que constitui a saúde, enquanto as “conseqüências” se referem ao impacto das doenças na condição de saúde da pessoa. Resumidamente, a CIF compõe-se de duas grandes partes: 1) Funcionalidade com (a) funções e estruturas do corpo (b) atividades e participações; 2) Fatores contextuais com (a) fatores ambientais (b) fatores pessoais.
Um grupo de interessados na mensuração da qualidade de vida da Universidade de Munique, Alemanha, escolheu 12 doenças, entre as quais acidente vascular cerebral, doença isquêmica do coração, câncer de pulmão e câncer de mama. Para essas 12 condições foram convidados especialistas para cada uma delas, e, baseando-se na CIF, foi construída, uma listagem dos componentes nela contidas o que possibilitará avaliar a qualidade de vida nestes casos. Isso poderá ser feito para todas as doenças, condições de saúde e fases da vida, mesmo na ausência de doença declarada ou suas conseqüências.
T. Miettinen e colaboradores, fisiatras, da Universidade de Kuopio, Finlândia, estudaram as conseqüências de um acidente de trânsito, que causou a síndrome do chicote. No instante da batida do automóvel contra um obstáculo, a cabeça da pessoa é arremessada para frente em grande velocidade, e com a parada do automóvel, a cabeça volta para traz também em grande velocidade. Parece um chicote no ar. Essa movimentação rápida da cabeça causa uma série de transtornos anatômicos na coluna cervical, que são difíceis de identificar nos exames. A absoluta maioria das pessoas, quando transcorridos 1 a 2 anos, nem lembra do acidente, e nem tem sintomas clínicos. Mas existe um número razoável de pessoas que além de terem sintomas clínicos de dor de cabeça, formigamento nos braços, zumbidos nos ouvidos, tonturas etc.., apresentam sintomas psicológicos se o acidente foi grave. Esses autores finlandeses acompanharam os casos acidentados em 1998 e em 2001, e 3 anos após o acidente refizeram o questionário. Um total de 11,8% dos acidentados informou que esse acidente deteriorou a saúde, comparado ao período anterior do acidente. A queixa de dor de cabeça está presente em 14,6% dos acidentados. Uma quantidade correspondente a 10-17% conforme a idade, passou a freqüentar os serviços médicos, fisioterapêuticos e psicológicos devido aos sintomas, que sempre referiam como relacionados ao acidente.

 

Eur Spine J. 2004 Apr 16


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