Nutrologia/Alimentos/Nutrição - Redução no teor de sacarose leva a maior gasto energético total
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Nutrologia/Alimentos/Nutrição

Redução no teor de sacarose leva a maior gasto energético total

14/05/2005



Data:            15/04/2005
Autor(a):       Patricia Logullo

Testar uma dieta modificada no teor de carboidratos sobre o metabolismo energético foi o objetivo de trabalho experimental publicado este ano pela equipe do Laboratório de Composição Corporal e Metabolismo Energético da Universidade Federal de Viçosa. Os pesquisadores forneceram, a voluntários saudáveis, duas dietas isoenergéticas, porém uma delas com sucralose em substituição à sacarose. A dieta de teste continha, por conseqüência, uma maior proporção de carboidratos complexos em comparação com carboidratos simples.

Os exames por calorimetria indireta foram realizados no jejum (e após repouso de 30 minutos), no período pós-prandial (também após o pequeno repouso) e uma terceira leitura em repouso, quatro horas após a refeição. A dieta continha sempre 60% de carboidratos, 15% de proteínas e 25% de lipídios, em quantidade suficiente para compor um terço do gasto energético basal do indivíduo. Os homens eram eutróficos (n = 13) ou com sobrepeso (n = 13).

Os resultados mostraram, conforme esperado, que o gasto energético de jejum, pós-prandial e de repouso era maior entre os indivíduos com sobrepeso que entre os eutróficos (p < 0,01). A termogênese pós-prandial e de repouso era maior entre os eutróficos (p < 0,01). Por outro lado, a comparação entre as duas dietas mostrou que a dieta com sacarose provocou menores quociente respiratório de repouso, termogênese pós-prandial e de repouso e oxidação de carboidratos que a dieta com sucralose (p < 0,05).

Os autores comentam: “uma dieta isoenergética, com maior quantidade de carboidratos complexos, tende a produzir elevação no quociente respiratório e, conseqüentemente, na oxidação de carboidratos”. No entanto, o estudo foi realizado ao longo de um único dia, com períodos curtos entre as medidas, e com dieta sólida, e não líquida, que proporciona alterações mais rapidamente no período pós-prandial. Por isso, apesar dos resultados animadores, mostrando aumento do gasto energético com uso de substância sem valor energético (sucralose), os autores recomendam cautela na modificação das recomendações dietéticas feitas com base nestes resultados. “São necessários estudos de longo prazo do metabolismo energético, com uso contínuo desses alimentos, para nos esclarecer quanto às suas indicações na prática clínica”, advertem os autores.

Referência(s)

Mourão DM, Monteiro JBR, Hermsdorff HHM, et al. Effects of modified foods on energy metabolism. Rev Nutr. 2005;18(1):19-28.


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