A ameaça à saúde derivada de emissões de mercúrio é muito maior do que se imaginava anteriormente, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas).
A organização está pedindo aos governos que façam drásticas reduções nas emissões do metal.
Um relatório do Programa para o Meio Ambiente da ONU (Unep) diz que 70% das emissões de mercúrio produzidas pelo homem vêm de usinas de energia abastecidas com carvão.
A ONU frisa ainda que a tecnologia para eliminar a maior parte dessas emissões já existe.
Níveis maiores
O relatório está sendo discutido num encontro da Unep que termina no dia 7 deste mês.
O mercúrio é um metal liberado naturalmente por rochas e pelo solo, e por erupções vulcânicas.
Mas atividades humanas como mineração e geração de energia estão constantemente aumentando esses níveis.
Uma vez liberado, o mercúrio pode viajar por longas distâncias.
"O mercúrio é um grande problema, um viajante sem passaporte, que se espalha pelo ar e pela água", afirmou o diretor-executivo da Unep, Klaus Toepfer.
"Uma ação é necessária. Temos que reduzir drasticamente, o mais rápido possível, o risco que isso representa para as pessoas", disse ele à BBC.
Minamata
Uma das maneiras mais comuns pela qual o mercúrio afeta as pessoas é em sua forma orgânica, o metilmercúrio.
Essa foi a causa da doença de Minamata, no Japão, na qual mais de 1.4 mil pessoas morreram há quase 50 anos, depois de comer frutos-do-mar contaminados.
O metilmercúrio ataca o sistema nervoso central. Os sintomas incluem enfraquecimento, instabilidade, cansaço, zumbido nos ouvidos, e problemas de visão, audição e fala.
O risco é maior para mulheres grávidas e seus fetos, bebês, crianças e pessoas cuja dieta inclui muito peixe.
Novas provas relacionam o mercúrio a problemas cardiovasculares, de tiróide e digestivos.
O relatório revela que temperaturas elevadas, tempestades mais intensas e condições climáticas mais extremas aumentam a liberação do mercúrio de solos e sedimentos.
"Há tecnologia já disponível que pode reduzir a produção de mercúrio de geradores de energia em cerca de 80%", disse James Willis, chefe da divisão química da Unep.
"Chegar ao nível zero é diferente. Mas o que podemos fazer agora é até barato e pode cortar outros poluentes também", completou.
BBC - 5/2/2003
IMPORTANTE
- Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios.
- As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
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