Dezembro: Jornal da ADJ (Associação de Diabetes Juvenil)
De quatro pacientes que receberam o tratamento, três apresentaram melhora e deixaram de tomar insulina.
Cientistas brasileiros deram mais um passo significativo no desenvolvimento de terapias com células-tronco maduras. Um grupo da Faculdade de Ribeirão Preto da USP (São Paulo), coordenado pelo imunologista Júlio Voltarelli, começou a testar com sucesso o uso dessas células no tratamento da diabete.
Segundo ele, é a primeira vez no mundo que se testa a terapia celular para a doença.
O teste de fase 1 (para averiguar a segurança do tratamento) começou no início deste ano e vai envolver 12 pacientes. Até agora, quatro pessoas em estágios iniciais da doença receberam o tratamento. Três delas apresentaram melhora considerável e deixaram de tomar insulina.
“Não estou falando em cura” - frisou Voltarelli, que participou do seminário “Células-tronco e Terapia Celular”, na UFRJ – “Estou dizendo apenas que o sistema imunológico dessas pessoas parou de destruir as células produtoras de insulina e que, por isso, elas não precisam receber a substância”.
De acordo com o especialista, os pacientes ainda estão sendo acompanhados para que se avalie se a situação vai perdurar.
Antes da Terapia, o Sistema Imunológico é Destruído.
A diabete ocorre quando, em razão de um problema, o sistema imunológico passa a atacar as células do organismo responsáveis pela produção de insulina – um hormônio importante no metabolismo dos açúcares.
A terapia desenvolvida pelo grupo de Voltarelli consiste, inicialmente, em destruir o sistema imunológico deficiente. “Fazemos isso usando quimioterapia ou imunoterapia”, explicou.
O segundo passo é fazer o transplante de células-tronco. Retiradas da medula do próprio paciente, as células são injetadas uma única vez, em sua jugular. Como são células primitivas, capazes de criar todos os tecidos do corpo, a idéia é fazer com que elas reconstituam o sistema imunológico do paciente.
“O paciente não nasceu com a doença, ele a desenvolveu ao longo da vida, então é como se voltássemos no tempo”, resumiu Voltarelli.
O grupo de Ribeirão Preto desenvolve ainda terapias celulares contra esclerose múltipla e doenças reumáticas, condições também decorrentes de problemas do sistema imunológico. No caso da esclerose múltipla já foram testados 30 pacientes em estado grave, que não apresentavam melhora ao tratamento convencional.
“Nesse caso, não se trata de uma terapia inédita. Reproduzimos um procedimento de outros países”, ressaltou o especialista. De dois terços a três quartos dos pacientes apresentaram estabilização na progressão da doença ou mesmo melhora.
O procedimento envolve também a destruição do sistema imunológico e a posterior injeção de células. “Estamos constatando uma regeneração das células sangüíneas e do sistema imunológico”, disse o médico. O próximo passo do grupo é testar a terapia para esclerose lateral amiotrófica, doença para a qual não há cura.
Fonte: Jornal da ADJ (Associação de Diabetes Juvenil)