Biologia - Biossegurança: Para ministro da Saúde, ação de Fonteles é retrocesso
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Biologia

Biossegurança: Para ministro da Saúde, ação de Fonteles é retrocesso

02/06/2005

 

Humberto Costa condena tentativa de procurador-geral de barrar pesquisas com embriões

Adriana Vasconcelos, Evandro Éboli e Leonardo Valente escrevem para ‘O Globo’:

O ministro da Saúde, Humberto Costa, criticou ontem a decisão do procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, que deu entrada a uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o artigo da Lei de Biossegurança que autoriza pesquisa com célula-tronco de embriões humanos.

"Isso é um retrocesso. Acho que o Supremo não vai concordar com isso."

A decisão de Fonteles provocou reações também na Câmara, onde deputados acusaram o procurador-geral de agir motivado por sua posição religiosa. Fonteles é católico fervoroso.

Único parlamentar paraplégico, o deputado Leonardo Mattos (PV-MG) disse que falará hoje, no plenário, atacando a iniciativa.

"Estou indignado com essa decisão. Quem discute o mérito dessa questão somos nós, os congressistas. E isso foi feito com a aprovação da lei. Votamos com a participação e o aplauso de toda a sociedade", disse Mattos.

Para a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Fonteles deixou-se levar por sua posição filosófica-religiosa. A deputada é autora do projeto aprovado na Comissão de Seguridade Social da Câmara, há duas semanas, que autoriza o aborto nos casos de anencefalia.

"O argumento de que a autorização da pesquisa com célula-tronco fere o direito à vida não procede. É o contrário. Será um benefício da ciência em favor da vida. Lamento a postura do procurador", disse.

Já a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) apoiou a decisão de Fonteles.

"Penso exatamente como o Fonteles. A vida começa na fecundação. Permitir pesquisa com célula-tronco de embrião é não só ilegal como é imoral. E bastante", disse Angela.

Médico como Jandira e Angela, o deputado Doutor Rosinha (PT-PR) criticou Fonteles.

"O fundamentalismo religioso não deve ser parâmetro para uma decisão dessa relevância e interesse da sociedade. A pesquisa com célula-tronco é inevitável."

O posicionamento do procurador-geral também foi criticado pela geneticista Mayana Zatz, da USP, uma das maiores defensoras das pesquisas.

"Essa briga é um retrocesso. Não tem razão para existir. A lei foi aprovada por ampla maioria no Congresso e, portanto, tem o aval da sociedade", disse. "Perde-se dinheiro, tempo e a oportunidade de ver o país se desenvolver nesta área, que é estratégica. Enquanto nós discutimos, os sul-coreanos, por exemplo, trabalham."

(O Globo, 1/6)

Jornal da Ciência- SBPC


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