Medicina Esportiva/Atividade Física - Mergulhadores e dores articulares
Esta página já teve 111.026.006 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 27.777 acessos diários
home | entre em contato
 

Medicina Esportiva/Atividade Física

Mergulhadores e dores articulares

07/06/2005

 

 

Os mergulhadores com todos aparelhos calibrados, com preparo técnico adequado, sabem que a saída da água deve ser feita com calma, e devagar caso contrário sentira efeitos danosos da mudança da pressão atmosférica dentro da água e fora dela. Isso se chama barotrauma (baro significa pressão) do mergulho. Esse trauma pode se manifestar de formas variadas, desde otalgia e cefaléia até grandes síndromes álgicas, paralisia, coma e morte. De um modo geral, as 3 principais manifestações do barotrauma incluem efeitos sobre o ouvido médio, doença descompressiva (DD) e embolia arterial gasosa (EAG). A DD resulta da formação e circulação de bolhas de gás, que
podem causar artralgia (dores articulares), parestesias (formigamento nos membros), ou paralisias, dependendo de sua formação. Bolhas formadas no sistema circulatório podem causar embolia pulmonar ou cerebral (aproximadamente 40-50% das lesões envolvem o sistema nervoso central (SNC). A DD é classificada em 2 tipos. O Tipo I é mais leve, não representa risco de vida e caracteriza-se por artralgia (sintoma mais comum), mialgia e linfonodomegalias. O Tipo II é mais grave e inclui alterações respiratórias, circulatórias e, mais comumente, comprometimento nervoso periférico e do SNC. A Embolia Arterial Gasosa (EAG) é a manifestação mais grave da DD tipo II. Ocorre após uma subida rápida, quando surgem
bolhas na corrente sangüínea arterial e as mesmas atinge o cérebro, o coração e os pulmões. Este quadro representa risco de vida iminente, e pode ocorrer até mesmo em mergulhos relativamente pouco profundos. O risco médio de DD tipo II é de 2,28 ocorrências a cada 10.000 mergulhos. O número de eventos tipo I é desconhecido, uma vez que muitos mergulhadores sequer procuram tratamento, para as manifestações da doença. O risco de eventos graves é maior em indivíduos asmáticos, portadores de problemas pulmonares e naqueles com forame oval patente. D.Tripodi e colaboradores, médicos do esporte da universidade
de Nantes, na França estudaram 30 mergulhadores (instrutores) sem nenhum sintoma clínico.
Realizaram uma Ressonância Magnética nesses 30 pacientes que compararam com a Ressonância Magnética de 30 pessoas que praticavam essa atividade esporadicamente. Os autores encontraram na Ressonância pontos cerebrais de intensidade elevada em 33% no grupo dos instrutores, e em 30% do grupo controle. Os autores afirmam os pontos cerebrais podem ser explicados por microbolhas pré-formados do gás nitrogênio na presença do colesterol, quando nível de saída da água é até 10 metros por o minuto. Os autores afirmam que os mergulhadores profissionais ou recreacionais, apresentam lesões no sistema nervoso central, mesmo sem sentir nenhum sintoma e que pioram quando o colesterol esta alto.

 

Int J Sports Med. 2004 Nov;25(8):575-81


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos