Metais Pesados / Transição - Estudo avalia as conseqüências da exposição ao chumbo
Esta página já teve 88.951.431 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 26.988 acessos diários
home | entre em contato
 

Metais Pesados / Transição

Estudo avalia as conseqüências da exposição ao chumbo

14/06/2003

Trabalhadores de pequenas fábricas são as maiores vítimas

por Pablo Ferreira

A exposição de trabalhadores ao chumbo em certos setores da indústria brasileira ainda é considerada alta, sendo responsável por numerosos problemas de saúde. Esta é a primeira observação da pesquisa intitulada Estudo da especiação química do chumbo em sangue para avaliação da exposição ocupacional, coordenada por Maria de Fátima Ramos Moreira, química da Fiocruz. Agora, já em um segundo momento, a pesquisadora pretende compreender o comportamento do chumbo quando este se encontra no plasma sangüíneo.

Foto Cesteh/Fiocruz

Trabalhador manipula chumbo em fábrica dita "de fundo de quintal"

Moreira e sua equipe iniciaram o estudo em 1996, após realizar exames de sangue em operários de uma pequena empresa que trabalhava com baterias, a pedido de seu próprio dono. "Detectamos grandes quantidades de chumbo presente no sangue dessas pessoas e a partir de então nos interessamos pelo tema e iniciamos nossa pesquisa", conta a química.

Em sua pesquisa, Moreira mostra que, se no passado o chumbo era amplamente empregado na fabricação de canalizações, baterias, gasolina e tintas, esse uso agora tem sido evitado pelo fato do chumbo ser extremamente tóxico ao homem – o metal é desnecessário para o corpo humano e pode causar problemas de saúde. Mesmo assim, a contaminação ocupacional por chumbo ainda é alta no Brasil. "Isso ocorre, principalmente por causa das pequenas fábricas ditas de ‘fundo de quintal’, dentre as quais destacam-se as de reciclagem de metais e baterias", esclarece a pesquisadora.

O homem se contamina com chumbo por inalação ou por ingestão. Com isso, os principais atingidos são os indivíduos que trabalham diretamente com ele, ou por outros que habitam próximos aos locais onde ele é utilizado, já que o chumbo pode se depositar no solo, nas águas e em vegetais e animais utilizados pelo homem em sua nutrição.

Foto: Pablo Ferreira/Fiocruz

No laboratório, Moreira observa a concentração de chumbo
presente nas amostras de sangue de trabalhadores

Uma vez no corpo humano, a absorção do chumbo pelo sistema digestivo vai depender de fatores nutricionais tais como a ingestão de cálcio, ferro, fósforo e proteínas – quando ocorre a deficiência de um desses nutrientes, há uma tendência do chumbo de tomar os seus lugares. Após a absorção, o chumbo é distribuído pelo sangue para diversos órgãos do corpo, onde pode causar problemas de saúde, como doenças neurológicas, anemia, possíveis danos à tireóide, crescimento reduzido (no caso de crianças), redução da fertilidade, dentre outros. No entanto, os casos mais graves se relacionam às mulheres grávidas: quando há a deficiência de cálcio, o chumbo o substitui e deposita-se nos ossos. "Durante a gravidez, o chumbo é mobilizado dos ossos para o sangue e atravessa a barreira placentária, ocasionando grandes prejuízos à saúde do feto, principalmente de desenvolvimento", explica Moreira. Os riscos de um aborto espontâneo aumentam e mesmo após o parto os problemas continuam, pois o chumbo pode ser passado para o bebê durante a amamentação.

Para o futuro, Moreira quer entender como o chumbo age no sangue, já que isso ainda não é totalmente conhecido. Até aqui, sabe-se que ele se liga a diversos elementos presentes no plasma sangüíneo, como proteínas e enzimas. O que a pesquisadora quer definir é quais exatamente são esses elementos, como isso ocorre, que funções são alteradas e quais são as conseqüências desse processo. "No entanto, a intenção maior do estudo é ajudar a melhorar as condições de trabalho de quem está exposto ao chumbo", conclui.

Setembro/2002
www.fiocruz.br/ccs/novidades/set02/chumbo_ppf.htm


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos