O sintoma inicial está na irritação das narinas. Em seguida, os olhos lacrimejam sem motivo aparente. A garganta coça. Começa a série interminável de espirros e as vias respiratórias dão os primeiros indícios de congestão. Esse conjunto de sinais identifica a doença que atinge uma em cada sete pessoas e é muito conhecida no outono e no inverno carioca: a rinite alérgica, principal alergia do sistema respiratório.
Segundo o Dr. Carlos Loja, presidente da Sociedade de Alergia e Imunologia do Rio de Janeiro, nessa época do ano há um aumento de 70 a 80% nos casos de internação por problemas relacionados às alergias. O motivo é a queda da temperatura, amplificada pela inversão térmica, fenômeno bastante comum nos meses de maio a setembro.
- O aumento da umidade e a queda da temperatura proporcionam as condições ideais para a proliferação dos fungos do ar, os ácaros - explica a médica Teresa Seiler, coordenadora do curso de pós-graduação em alergia e imunologia da PUC.
As maiores vítimas são os idosos e as crianças, mas as alergias atacam pessoas de todas as idades.
- É como se existissem um milhão de microformigas dentro do meu nariz - descreve o desenhista industrial Gustavo Teixeira, 28 anos. - Nos últimos dias tenho a sensação de que está pior.
Não é apenas uma sensação. A falta de chuvas na cidade proporcionou o fenômeno, que concentra maior quantidade de poluentes nas camadas de ar próximas à superfície terrestre. Isso contribui para o aumento das alergias.
- A inversão térmica é um fenômeno natural, mas a falta de chuvas, as queimadas e os altos índices de poluição agravam ainda mais o problema - conta José Arnaldo Sales, engenheiro da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema).
Apesar da situação grave, a inversão térmica provavelmente dará um descanso no fim de semana. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, uma frente fria vinda do Sul trará muita chuva e limpará o ar na Região Metropolitana.
Jornal do Brasil, 15/06/05