Metais Pesados / Transição - Estamos sendo contaminados com chumbo
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Metais Pesados / Transição

Estamos sendo contaminados com chumbo

14/06/2003

Cerca de 80% do chumbo usado no Brasil estão em baterias
de automóveis. Das 100 mil toneladas consumidas, somente 40% são recicladas. Os 60% restantes, provavelmente, estão sendo descartadas incorretamente.

Pesquisadores da Unicamp e da Acorde estão empenhados em saber a atual situação de exposição da população brasileira ao chumbo. Segundo o biólogo e professor da Unicamp, Hilário Fracalanza, cerca de 80% do chumbo usado no Brasil estão em baterias de automóveis. Das 100 mil toneladas consumidas, somente 40% são recicladas. "Os 60% restantes, provavelmente, estão sendo descartadas incorretamente", diz Fracalanza. Ele cita dados que indicam que a situação está piorando: entre 1997 e 1999 houve uma queda na produção de chumbo reciclado, mas a produção de baterias aumentou. Atualmente são consumidas no Brasil cerca de 12 milhões de baterias. As regiões mais industrializadas estão mais expostas aos perigos do chumbo. "Apesar desses dados, não temos uma dimensão clara sobre o tamanho do problema. Por isso, estamos iniciando uma pesquisa em quatro cidades da região (Campinas, Piracicaba, Limeira e Amparo) para ao menos termos uma amostra do problema", diz.

O professor Hilário Fracalanza fez palestra ontem no Espaço Cultural da RAC (Rede Anhangüera de Comunicação), dentro da parceria feita entre o Departamento de Educação da RAC e o grupo Acorde para a Educação. Para debater o tema foram convidados o professor Waldir Antonio Bizzo, da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp; o médico Carlos Eduardo Cantusio Abrahão, que é presidente do Comdema (Conselho Municipal de Meio Ambiente de Campinas) e o professor Ângelo Zanaga Trapé, coordenador da Área de Saúde Ambiental da Unicamp.

Segundo o professor Waldir Bizzo, existem várias fontes de contaminação. Elas ocorrem através do manuseio de baterias, que ocasiona derramamento do eletrólito ou descarte de placas danificadas. Na reciclagem, as indústrias emitem partículas na atmosfera ou dispersam resíduos no processo de fundição. "Os maiores prejudicados são os trabalhadores, mas a população que mora próxima a fábricas também pode ser afetada", diz Bizzo.

Segundo o professor Ângelo Trapé, os principais prejudicados são as crianças, que podem ter problemas de aprendizado e desenvolvimento mental. "O chumbo em excesso no organismo humano provoca também problemas gástricos-intestinais, neurológicos, psicológicos e anemia", afirma Trapé.

Ele conta que os Estados Unidos tomaram medidas rigorosas para controlar os níveis de contaminação após uma série de problemas com pessoas contaminadas nas décadas de 70 e 80. "Praticamente não existem estudos sobre a quantidade de exposição da população ao chumbo no Brasil. Precisamos de estudos populacionais mais amplos", diz.

 Glauco Cortez / Correio Popular


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